
JPT: «Sumptuoso, a caminhar para o eterno, esse provisório “eterno” que se pode afirmar, o “To catch a thief” de Hitchcock. Não é um primado de suspense, talvez por nem tanta a sua entoação, ou talvez apenas porque tantas décadas passadas encontra espectadores que já calcorrearam os trilhos do “mistério” que este mestre, e alguns outros, abriram. E, pois assim veteranos, já pouco atreitos a surpresas. As pistas estão lá para se antecipar o desfecho, que nem é o mais importante, que o argumento da acção nem será muito burilado. Pois a trama é mesmo o que se vai passando, o rio de fotogramas. Paisagens belíssimas – a inicial perseguição de automóvel é deliciosa; um Cary Grant muito em forma, bem apessoado e melhor vestido. Secundários de luxo (a proto-sogra Jessie Royce Landis, o totalmente britânico John Williams – haverá fisionomia mais estereotipada?). E, muito para além do deslumbrante, Grace Kelly, arquétipo, ideal-tipo, o que se quiser…»
Teresa Ribeiro: «A disponibilidade não é uma qualidade, é um luxo.»
Eu: «Não vale a pena inventar na hora da distribuição dos livros pelas estantes. Separados os autores portugueses dos demais, e afastados os títulos pertencentes às chamadas artes literárias da restante literatura, há no entanto zonas de confluência que merecem prioridade. São as colecções — numeradas, em diversos casos — que aglutinam os mais diversos nomes, géneros e nacionalidades. Não faz o menor sentido separar estes títulos. Começo portanto por reuni-los: cabe-lhes a primazia na minha biblioteca.»
