DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José António Abreu: «Passos aceitará qualquer solução, à espera de que Seguro a impossibilite. Portas está comprometido com todas as soluções possíveis e imaginárias. Pelo que: e agora, Tozé? Estás disposto a deixar o lirismo por instantes e meter as mãos na massa? Assim como assim, Portas já quer renegociar com a Troika. Juntos serão mais fortes.»

 

José Gomes André: «Assistimos apenas a mais uma “jogada” no lamentável jogo de xadrez em que se transformou a política portuguesa. Sabendo à partida que o PS rejeitaria obviamente esta “solução a 3”, Cavaco avançou em todo o caso, para entalar Seguro e proteger PSD e CDS. Nos próximos dias, queixando-se da “irresponsabilidade” do PS, empossará a solução governativa negociada por Passos e Portas, em nome da “estabilidade política”. Até quando, ninguém sabe. O país, esse, continua a definhar às mãos de excelentes estrategas, mas péssimos servidores do bem comum.»

 

José Navarro de Andrade: «Não há conforto maior do que ter explicação para tudo. Ou melhor, uma explicação para tudo; melhor ainda: uma explicação rápida e simples que resolva tudo. Convenhamos que o “o penso, logo existo” de Descartes é um bocado preguiçoso e o barbudo de Trier complicou a questão com não menos que 10 teses. E assim por diante.»

 

JPT: «Acabo de conhecer a Instapaper, logo me tornando utilizador. Uma aplicação – que podemos, caso o queiramos, ligar a contas em redes sociais. Muito eficiente para se guardar e arrumar os textos apetecíveis que se vão encontrando na internet. Assim ajudando à sua selecção, nisso a uma verdadeira utilização dos textos nesta imensa cacofonia actual.»

 

Laura Ramos: «E se alguém, com pena desempoeirada e solta, olhar de lince e poucas proclamações, escrevesse um romance na primeira pessoa, retratando o quotidiano social português dos últimos 50 anos segundo uma engenharia capitular coincidente com os mandatos dos Presidentes da República? Original, no mínimo. Apetecível. Tremendamente conforme à cabeça de um cidadão europeu do século XX.»

 

Luís Menezes Leitão: «Do discurso de Cavaco resulta apenas uma decisão concreta: não aceita a recomposição do Governo. Devo dizer que tenho as maiores dúvidas sobre a viabilidade política desta recomposição, mas a verdade é que tinha sido aceite a nível europeu, pelo que é estranho que tenha sido rejeitada por Cavaco sem dar nenhum motivo concreto para tal. Não sei por isso se os motivos para esta rejeição são políticos ou pessoais. Sabendo-se que Cavaco não morre de amores por Portas desde os tempos de O Independente é muito provável que não visse com bons olhos o reforço do seu peso político.»

 

Patrícia Reis: «Não era um suspiro, era uma dor nas costas. Não era um lamento, era uma inevitabilidade biológica. Tomou mais um comprimido e fez contas. Mais dois dias e teria de remar até à farmácia. Se o calor não trouxer a morte.»

 

Eu: «Em tempos de turbulência política aparecem sempre os mesmos a defender um executivo de salvação nacional, dando ênfase a estas duas palavras, como se produzissem efeitos mágicos. São poucos, mas parecem muitos porque falam imenso nas televisões – noite após noite. Sugerindo que é uma maçada ir a votos, que a Europa vê isso com maus olhos, que dá despesa, que o resultado é incerto. Já vi este filme. E não gosto dele. De génios em abstracto está a política portuguesa mais que cheia. Grande parte deles já “salvou” o País. A falar. Escuto um desses enquanto escrevo estas linhas.»

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