DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João André: «Como não tenho jeito para a subtileza, adiciono aquilo que me foi confidenciado por uma pessoa amiga que trabalha no Parlamento Europeu há já bastante tempo: um dos objectivos para a austeridade brutal era mesmo o de levar os jovens qualificados a abandonar o seu país e a seguirem para os países que estão na mesma situação da Alemanha. É que os imigrantes da Turquia, Marrocos, África, Ásia ou semelhantes são excessivamente diferentes culturalmente, têm religiões diferentes e não vêm sempre muito qualificados. É mais simples importar os outros que já são europeus.»

 

José António Abreu: «Este governo, com ou sem uma qualquer forma de apoio por parte do CDS, está incapaz de fazer o que é necessário fazer. Sendo que, independentemente das ilusões de António José Seguro e de milhares de almas ingénuas que o levarão à vitória (quantas vezes pode a ingenuidade ser renovada com palavras ocas?), a menos que alguém nos ofereça montes de dinheiro, o que é necessário fazer não vai ficar mais fácil nos próximos tempos. Nem que saiamos do euro, imprimamos uma moeda nova e tentemos fingir que ela vale alguma coisa.»

 

José Gomes André: «A política portuguesa é anedótica. Até os supostos “homens de Estado” não têm sentido de Estado. A irresponsabilidade grassa como fogo ao vento. Portas limita-se a fazer jogada política, saindo de governo impopular para ingressar no próximo governo de coligação com o PS. O CDS, aliás, fica muito mal na fotografia. Sempre fez jogo duplo: ora era o baluarte da coligação, ora o maior crítico do Governo. A saída de Portas é meramente o corolário desta estratégia. Passos Coelho acaba punido pela sua manifesta impreparação, pois não definiu um claro rumo político, não reconheceu erros próprios e nunca se preocupou em manter o Governo coeso.»

 

JPT: «Faço anos, bastantes. Paulo Portas demite-se e os restantes ministros do seu partido também (ou então está tudo louco). Que dia! O governo em agonia, o futuro, difícil, impõe-se. O meu telefone toca bastante, telefonemas de Portugal. A todos atendo, patriótico, num imediato “estou disponível”. A resposta é sempre a mesma, crente e entusiástica: “parabéns!”»

 

Luís Menezes Leitão: «Passos Coelho não percebeu manifestamente o que lhe aconteceu. A forma como tratou o CDS constitui a maior afronta já feita a um partido político em Portugal e vai ter como resposta imediata a demissão em catadupa de todos os ministros e secretários de Estado centristas. No fim o primeiro-ministro ficará sozinho, apenas com Maria Luís Albuquerque, se esta tiver capacidade para aceitar esta última desfeita de Passos Coelho, mais o ministro encarregado dos briefings governamentais. Mas nem assim Cavaco Silva demitirá o Governo, deixando provavelmente o regime, de que é o último garante, afundar-se com ele.»

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