DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José Couto Nogueira: «A passagem dos jornais para o digital não é, em si, um problema. Antes pelo contrário; é melhor que não se gaste tanto papel. O problema é que ainda não se encontrou um “modelo de negócio” que torne os jornais digitais como eram dantes os em papel. A publicidade não rende tanto e tem sido difícil habituar os leitores a pagar, uma vez que têm notícias de graça nos chamados “agregadores” – sites que vão buscar as notícias aos jornais, em papel ou não. Mas o Wall Street Journal e o Financial Times já conseguiram fazer essa passagem; o New York Times tem 500 mil assinantes digitais. Quanto à qualidade dos jornais – portugueses, neste caso – só em parte é responsável pela quebra de vendas; no Estado Novo os jornais eram piores (por causa da censura) e vendiam bem. O que determina a quebra de vendas é que as pessoas tomam conhecimento das notícias pela rádio, tv e internet – tudo instantâneo e movido a electricidade.»

 

Luís Menezes Leitão: «Se há algo que me entristece profundamente é a decadência em que deixaram cair esta magnífica cidade de Lisboa. Todos os dias assistimos a autênticos atentados ao espaço público como a proliferação de graffitis, a acumulação de lixo nas ruas, a falta de atenção pelos monumentos históricos, o estacionamento desordenado, e as dificuldades de circulação, sempre com a complacência da Câmara Municipal, que não só não reprime como por vezes até estimula estes comportamentos.»

 

Teresa Ribeiro: «Nunca lhe chamei mamã ou mãezinha. Dizia “mãe”, o nome essencial, a designação científica da árvore.  Tive-a toda ela pão com manteiga e rissóis, lençóis lavados e banhos à força. Pertenço à última geração que teve mães em casa, por isso naquele tempo ser mãe assim era tão banal como uma pedra. (…) Muitos anos depois censurei-a “foi um disparate teres deixado de trabalhar!” Mas isso foi quando a Beauvoir finalmente entrou na minha nomenclatura. Quando a lembro tem sempre aquela idade, que é a idade das mães e eu aquele tamanho, que é o tamanho das filhas e se a descrevo é de mim que falo. De me mim migo. Do meu umbigo.»

 

Eu: «Se há romance onde pulsa a vida, mesmo quando as suas personagens estão no limiar da morte, é este [As Vinhas da Ira]. Um romance onde nos sentimos também a desfilar estrada fora com o clã Joad, encabeçado por Tom e pelo seu pai, Tom como ele. Lá vão a mãe, a avó, o orgulhoso avô William James Joad, os irmãos Noah e Al, a irmã Rosaharn, os miúdos Ruthie e Winfield, o tio John Joad, o cunhado Connie Rivers e tantos outros que se juntam à caravana. Fabuloso mosaico de uma América em transição, a América rural que bateu no fundo mas sonha levantar-se, quer levantar-se, ousa levantar-se em resposta a uma voz de comando que vem do mais fundo de si própria, contra todas as inclemências do tempo, contra todas as prepotências dos poderosos. Uma América que faz das fraquezas força para demonstrar que nenhuma adversidade a derrubará.»

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