
«A autoridade, para existir, tem de ser responsável. Onde não há responsabilidade, na política como na administração, não há autoridade, respeito, confiança, credibilidade.»
«Como pode um ministro não ser responsável por um colaborador que escolhera manter na sua equipa mais próxima, no seu gabinete, a acompanhar – ainda que para efeitos de informação – um dossiê tão sensível como o da TAP, onde os portugueses já meteram milhões de euros, e merecer tanta confiança que podia assistir a reuniões privadas preparando outras reuniões, essas públicas, na Assembleia da República?»
«Como pode esse ministro não ser responsável por “situações rocambolescas, muito bizarras, inadmissíveis ou deploráveis” (as palavras não são minhas) suscitadas por esse colaborador, levando a apelar aos serviços mais sensíveis da protecção da segurança nacional, que aliás, por definição, estão ao serviço do Estado e não de governos?»
«Como pode esse ministro não ser responsável pelo argumentário público sobre aquilo que afirmara o seu subordinado revelando pormenores do funcionamento interno e incluindo referências a outros membros do Governo?»
«A responsabilidade política e administrativa é essencial para que os portugueses acreditem naquelas e naqueles que governam. Não se resolve apenas pedindo desculpa pelo sucedido. A responsabilidade é mais do que pedir desculpa, virar a página e esquecer: é pagar por aquilo que se faz ou se deixou de fazer.»
«Foi por tudo isto que entendi que o ministro das Infraestruturas devia ter sido exonerado. E que ocorreu uma divergência de fundo com o primeiro-ministro. Não sobre a pessoa, as suas qualidades pessoais, até o seu desempenho, mas sobre uma realidade muitíssimo mais importante: a responsabilidade, a confiabilidade, a credibilidade, a autoridade do ministro, do Governo e do Estado.»
«A responsabilidade dos governantes não foi assumida, como devia ter sido, com a exoneração do ministro das Infraestruturas.»
Excertos do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa ontem à noite, no Palácio de Belém. O discurso mais duro que recordo de um Chefe do Estado em Portugal desde Novembro de 2004, quando Jorge Sampaio anunciou a dissolução da Assembleia da República, pondo fim ao executivo de Santana Lopes.

Basta a autoridade. Responsabilidade é para os subordinados que devem velar pelas consequências do mando.
No fundo há divisão de tarefas.
Então não é autoridade. Não confundamos as coisas. É poder, puro e simples e exercido – sem a moderação, a contenção, o filtro que o sentido de responsabilidade, de dever, impõe – como tal por quem, invocando uma legitimidade que já só o é por remissão formal (na substância há muito foi esbulhada) se sente dispensado de outros limites que não o interesse egoístico de si e dos seus.
Responsabilidade é mesmo palavra-chave.
Tudo quanto faltou no deplorável (PM ‘dixit’) folhetim protagonizado pelo ainda ministro Galamba.
O contraste não podia ser maior.
Não basta autoridade.
Autoridade sem credibilidade nem prestígio é mero exercício espúrio de poder.
Foi o discurso necessário.
Na justa medida, no momento adequado. Este.
Haverá outras, noutros momentos. Como se verá.
Já espero pela Conferência de Munique…onde Costa e Marcelo vão fazer as pazes…
Já ficou definido que o SIS pode ser usado como força policial…
Não pode, de todo.
Ou melhor: não deve. Nada na lei autoriza isso.
É uma flagrante ilegalidade. A que o irresponsável ainda ministro deu publicidade na praça pública, permitindo a legítima suspeita de que a manipulação do serviço de informações para conveniência política do Governo é moeda corrente. Com a conivência de um Conselho de “Fiscalização” composto por três elementos, dois dos quais ex-governantes socialistas.
Questão gravíssima. Já não apenas de governo, mas de regime.
Dois elementos são ex-governantes de Costa e o terceiro, do PSD, foi indicado por Rui Rio (ou seja, não é muito distante disso). O comunicado do Conselho de Fiscalização, quanto mais leio acerca dele, mais tresanda a frete semelhante ao relatório da IGF sobre a indemnização de Alexandra Reis: no segundo, o IGF não se preocupou sequer em ouvir Christine Ourmières-Widener; no primeiro, o Conselho não se interessou sequer em contactar Frederico Pinheiro – que é “só” a pessoa no centro da história.
O símbolo deste Conselho de “Fiscalização” devia ser uma esfregona cor-de-rosa e uma embalagem de lixívia.
Da mesma cor.
Foi desatando a língua até ficar atado de pés e mãos.
O Presidente da Republica também tem que ser responsabilizado por aquilo que diz e o que faz ou não faz.
Ficou-lhe mal bater desalmadamente em Galamba quando devia perceber que este não passa de um instrumento a queimar nas mãos de Costa, que o despachará na primeira oportunidade seguramente já pensada.
Sua Excelência não se livra da receita que aponta para outros, que lhe assentará como uma luva na própria perda de crédito que será da sua única e exclusiva responsabilidade.
Fica mal “bater no Galamba”? Apenas o Sócrates e Costa podem pensar o mesmo.
Mantenho.
Traduzindo em linguagem corrente, “blábláblá whiskas saquetas e agora vou jantar”. Imagino a desilusão que foi, para quem tinha as garrafas de champanhe preparadas, ter que correr para a farmácia a comprar guronsan. O Celinho finalmente percebeu que, neste jogo de xadrez, está na posição de rei afogado. Como diria um louco da praça, é chato mas são coisas que acontecem.
«blábláblá whiskas saquetas» é “linguagem corrente”?
Não fazia ideia. As coisas que eu aprendo com anónimos nestas caixas de comentários.
Ontem na SICN o Ricardo Costa descreveu Galamba como “ministro zombie”. Muito adequado.
Dito isto, o Marcelo sai também fragilizado desta embrulhada.
galamba e costa uma história tipo alentejana:
« Já sabes do alentejano que estudou 5 dias para um teste de urina? »
o costinha é uma anedota em tratamento ambulatório
Crítica política é uma coisa, insulto gratuito a coberto do anonimato é outra.
Demarco-me por completo disto.
sou demasiado educado para lhe dizer onde deve ir.
faz parte dos novos deuses
Chamar zômbi ao ainda ministro alvo de chacota nacional e destituído de dignidade, desesperadamente agarrado ao umbral da porta após o par de estalos que o Presidente da República lhe deu, é dizer pouco.
Sim, mas a verdade é que Galamba ainda lá está, e continuará a estar enquanto der jeito ao Costa (é lembrar o inenarrável Cabrita).
Marcelo não sai bem daqui. Como alguém dizia nas redes, para ser mais interventivo só se fizer um reality show.
O Galamba já não está.
É mera ilusão de óptica.
Está muito certo,agora vou ali ao museu dos coches comer um gelado tricolor pois não se pode dar o corpo pela alma, tenham lá paciência e calma.
E que tal ir buscar nome e apelido em vez de assinar “o apartidário”?
Já vai tarde.
Galamba ainda está, mas já foi.
Então jâ foi tarde
a cobra cuspideira ainda ministeriável provou ontem da sua própria peçonha.
o importante não são as caras, mas as políticas que desenvolvem o país.
ontem ficaram a ” ver navios no Alto de Santa Catarina” (nem Eufémia, nem Martins)
“Belém. O discurso mais duro que recordo de um Chefe do Estado em Portugal desde Novembro de 2004”
Duro ou mole, tanto faz. Ele fala tanto sobre tudo e sobre nada que já poucos avaliam a dureza.
Pois. Viu-se há um ano e meio, quando dissolveu a legislatura.
E como castigo, Costa ficou com uma maioria absoluta no colo, genial não?
Talvez tenha aprendido a lição de que, nem sempre o óbvio é o mais sensato. Tivesse o Celinho uma postura mais recatada e ontem em vez de vir dizer o que já todos estão fartos de ler e ouvir, anunciava a convocatória do concelho de estado para estes dias. Mas como há uma festa altamente mediática em Londres, digamos que há prioridades neste circo mediático onde ele se sente tão bem.
“concelho de estado” dá direito a enormes orelhas de burro. Daquelas que até tocam no tecto.
As melhoras para essa azia.
Ele só pode mesmo melhorar da azia.
Porque da burrice já não se cura.
pm, presente sem futuro. só condicional:
« Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno;
Pois, realmente é um presidente com muito sentido de estado.
Como diz o velho ditado ” pela boca morre o peixe” pode ser que agora lhe sirva de emenda e aprenda a ficar calado.
Sentido de Estado tem o Galamba, pupilo do Sócrates e protegido de Costa.
Veja a entrevista de Manuel Magalhães e Silva ao Vitor Gonçalves para ver o que eu quiz dizer com sentido de estado.
Para quem andava há mais de seis meses a pedir festa, só teve o que merecia.
“Sentido de Estado” deve ser instrumentalizar o SIS para se envolver em trapalhadas nos gabinetes governamentais, com adjuntos e assessoras à bulha por um computador portátil e o ministro a “demitir” um adjunto aos berros ao telefone imitando o telelixo do Trump.
Difícil descer mais baixo. Mas não impossível, tratando-se de quem se trata.
A instrumentalização indevida do SIS, aliás não negada pela titular da pasta da Justiça(!), configura um dos mais grosseiros atentados ao Estado de Direito dos últimos anos em Portugal. Confessado pelo ainda ministro na alucinada e patética conferência de imprensa do sábado passado.
Não seja faccioso, desde quando é que um presidente vem para a praça pública dizer quais os ministros que devem sair do governo? Será isso “sentido de estado”?
Veja a entrevista do Manuel Magalhães que de certeza fica esclarecido.
Um defensor do “deplorável Galamba” (PM ‘dixit’) perora sobre “sentido de Estado”.
Equivale a Madame Pompadour arengando sobre virtude.
Duas questões ficam geralmente por referir, quanto ao Galamba:
– A estúpida pesporrência que o impediu de despedir o assistente, pessoal e diretamente, controlando os resultados.
– A sua interpretação da ‘agenda do trabalho digno’ despedindo e fechando as portas a um trabalhador que, após 6 anos de serviço, é escorraçado como cão vadio.
O Galamba imagina que se exonera um adjunto de um gabinete ministerial pegando no telefone e berrando com ele. Numa imitação ainda mais fajuta daquela rábula televisiva do Trump: ‘You’re fired!’
Sim, deve ser este o conceito que o PS socrático-costista tem de “trabalho digno”: mandar o trabalhador para o olho da rua como quem escorraça um cão vadio – ou pior que isso, pois agora os cães vadios gozam de protecção legal.
“Deplorável”, disse três vezes o PM antes de segurar o Galamba pelos fundilhos. E nem com o par de estalos que Marcelo lhe aplicou o visado larga o tacho. Deve haver mel muito doce lá nas Infraestruturas.
E há, seguramente, muita falta de vergonha na cara.
Da tão badalada crise, sobra um ministro zombie e um presidente tiktok. Neste circo que é a política portuguesa, palhaços não faltam e nós pagamos caríssimo por um espectáculo que preferíamos não assistir.
Um anónimo a chamar “corajosamente” palhaços a outros.
Nada de novo, excepto num pormenor. Há uns anos estas tretas eram escritas em retretes públicas, agora vêm na Net. Com a cobardia de sempre.
Mais um dia de festa no laranjal.
Se ao menos tivesse consequências para o pobre tuga que vê faltar salário e sobrar mês.
Posso estar enganado, aliás tanto me faz, mas acho que os foguetes lançados são de polvora seca, e no fim ninguém se vai ficar a rir. E claro, o probre tuga muito menos.
E já agora, o Marcelo deve na saída para o gelado passar pela farmácia e comprar rennies, porque vai precisar de muitas até poder dissolver a assembleia.
És tu, João?
Hoje já despediste alguém por telefone?
Já chamaste o SIS?
Gostas mais de gelado de cone ou com pauzinho?
Tens férias marcadas em Agosto?
este governo está cheio de gente irresponsável, mal preparada, prepotente e muito mal intencionada…
Será que o Marcelo chega para eles?
Bem haja às suas caracterisitcas de homem inteligente, manipulador e calculista, que nesta altura poderão dar muito jeito ao país.