
Gui Abreu de Lima: «Aqui, na Calçada do Marquês de Tancos, a chuva tem feito muito estrago. Nem Sofia vê a rua, nem as pombas a visitam, nem a gente lhe pode sorrir, nem os serviços se fazem. Sofia, naquela cadeira de rodas, em dias de sol, mesmo no inverno, chama por quem passa para lhe valer ao que falta faça. Anda cá, disse-me há tempos. Não encontro o palito. Deve estar caído aí no chão. Vasculhei à volta, desviei a cadeira, sacudi a manta, levantei-lhe as pernas, enterrei as mãos por onde podia. E nada, nada dele. Oh, meu Deus, que ainda a pica. Ai, Jesus, se lhe fura a fralda… Deixa lá. Não faz mal. Dá-me outro dali, dás?»
José António Abreu: «Em parte por culpa própria, em parte por desvios a que foi obrigado (vide decisão anterior do TC ou polémica sobre a TSU), o governo já se encontrava demasiado longe não apenas do que parecia ser o seu plano original mas de qualquer solução razoável para a crise (vide Irlanda ou países nórdicos no início da década de 90), pelo que não deve agora afundar-se ainda mais, fingindo ter alternativas. Demita-se.»
JPT: «Ao longo dos anos de quando em vez surgem conflitos entre apoiantes dos diversos partidos, em particular entre os dois grandes partidos históricos, Renamo e Frelimo, opositores na terrível guerra civil que avassalou Moçambique entre 1976 e 1992. Essa do milhão de mortos, dos cinco milhões de refugiados. Mas os contornos militares deste acontecimento são verdadeiramente inesperados. Deixando temer um mal até maior, mais continuado – ainda que não haja, hoje em dia, contexto internacional regional de sustentação de um conflito prolongado.»
Patrícia Reis: «Tenho uma empresa há 16 anos, quase 17, nunca tratei um cliente como fui tratada ontem e lamento profundamente que tal tenha acontecido, mas não me surpreende, por já nada me surpreender. A Vodafone não me responde. A representante da marca em Coina, depois de ter lá ido um representante meu com um representante da GNR, apesar da lei obrigar à devolução do aparelho, se estiver imaculado – como está – recusou-se a tal. Compreende-se? Não.»
Eu: «Rapa o cabelo, arma-se até aos dentes, mergulha numa orgia de violência contra uma guerrilha imaginária, confundindo as ruas do Bronx com o trilho de Ho Chi Minh. Reserva a última bala para si próprio, mas por um capricho do acaso a arma não dispara. É quanto basta para a imprensa o proclamar herói: ganha direito aos 15 minutos de fama que nunca ambicionou. “Os jornais têm a mania de exagerar”, diz para Betsy na última vez que falam antes do desencontro definitivo. Taxi Driver jamais poderia ter um happy ending: este é o mais inclemente, perturbante e devastador filme que conheço sobre a solidão e a absoluta impossibilidade de se ser feliz.»
