
André Couto: «Não era má ideia que Vítor Gaspar viesse tranquilizar a malta e dizer que, caso o acórdão do Tribunal Constitucional venha no sentido que não deseja, a solução não passará por inventar um plano B, que confessou não ter, à base da receita usada em Chipre. Digo eu, só para não desatar tudo a levantar os poucos cobres que restam.»
João Campos: «Gostaria muito de saber qual é a resposta que os critérios de correcção da dita prova consideram correcta para a pergunta “qual o planeta por onde passaríamos se viajássemos da Terra até Urano pelo caminho mais curto”.»
José António Abreu: «Continuamos apaixonados pela ideia de renegociar as dívidas públicas?»
JPT: «Viajei no Chipre em 1982, o primeiro inter-rail. Ficou-me uma imagem meio esbatida, pelo tempo e não só. Lembro o Muro de Nicósia, que achei pouco imponente e bem estranho (até porque na altura os “turcos” infiéis não eram os inimigos, estes vinham mais do norte), o alegre convívio júnior, até esfuziante, uma fome combatida a cervejas e muito ocasionais spaguetis e estes magníficos mosaicos de Paphos. Foi uma semana, depois voltámos à Grécia, inebriados pela história no Peloponeso, e pela fome vivida e as cervejas bebidas.»
Luís Menezes Leitão: «Enganaram-se os loucos do Eurogrupo que aprovaram este confisco, julgando que bastava fazer umas declarações de que a medida seria excepcional e apenas aplicável a Chipre para que nada mais se passasse. O argumento de que se visava punir apenas os depositantes russos não convence ninguém quando se vê aqui que os depósitos de estrangeiros correspondem a menos de 1/3 do total de depósitos existente em Chipre. O que se passou foi que os países do Norte estão cansados de resgatar os países do Sul e só conseguem vender esses resgates às suas opiniões públicas se os mesmos foram acompanhados de dolorosas punições para esses países. Por isso é que o resgate a Chipre ainda é mais doloroso que os outros resgates já realizados à Grécia, Irlanda e Portugal.»
Eu: «Uma espécie de vitória póstuma da União Soviética, este confisco dos depósitos bancários dos cipriotas – totalmente inimaginável, totalmente inaceitável. Burocratas que nunca se submeteram a uma eleição, no conforto climatizado dos seus gabinetes em Bruxelas, tomam decisões em nome de estados soberanos que afectam irremediavelmente os povos desses estados, despromovidos de cidadãos a súbditos. São assassinos em potência. Os assassinos do euro. Os assassinos do projecto europeu, que se arrisca a repetir o destino de Lenine: glorificou-se em formato múmia.»
