DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José António Abreu: «Menos mal, Vaticano. Ainda assim, na Grécia houve governo à segunda votação e é improvável que em Itália sejam necessárias mais do que duas ou três.»

 

Luís Menezes Leitão: «É impossível ignorar o peso político que tem a escolha de um novo Papa. Embora Estaline tivesse uma vez perguntado quantas divisões tinha o Vaticano, é evidente que é enorme a influência de alguém que é o chefe religioso de centenas de milhões de pessoas. E, ou muito me engano, ou, ao contrário de Ratzinger, este novo Papa vai ter uma intervenção pública constante de defesa dos mais desfavorecidos perante a crise económica que assola o mundo. Há uma nova realidade no Vaticano com que os governantes mundiais passam a ter que contar.»

 

Patrícia Reis: «Ser crescido implica uma série de coisas, o miúdo já sabe: os impostos, as eleições, o estar atento, o saber coisas específicas, pequenos pormenores que não interessam para nada e outros que são preciosos. Ser crescido, ele também sabe, não é o equivalente a ter razão, a ser uma enciclopédia ambulante ou a ter no armário uma capa de super herói.»

 

Eu: «Mal acabei de ver o novo Papa assomar ao balcão da Basílica de São Pedro, lembrei-me de um dos seus predecessores: Albino Luciani, patriarca de Veneza, que passou à história como o efémero João Paulo I, pontífice por 33 dias. Também ele apareceu com ar despojado, fraterno, repassado de fragilidade humana. De braços caídos, sem pedir aplausos, com um sorriso tímido, parecia querer dizer aos mil e trezentos milhões de crentes que o reconhecem a partir de hoje como dirigente espiritual que está disposto a aceitar este imenso desafio que o destino lhe proporciona embora não se sinta verdadeiramente digno dele. (…) Que o santo de Assis o ilumine na peregrinação iniciada agora. E que no fim da caminhada saiba dizer também, como o outro Francisco disse: “Primeiro faz-se o necessário, depois o que é possível e de repente estamos a fazer o impossível.” Habemus Papam.»

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