
José António Abreu: «No dia 2 de Outubro de 2008 eu estava de férias. Apesar disso, levantei-me por volta das sete da manhã, acto que pode não suscitar particular admiração na maioria dos humanos normais (trinta e oito por cento dos leitores do Delito, segundo o analisador de estatísticas) mas, vindo de alguém que passou a adolescência a duvidar que as manhãs de sábado e de domingo fossem outra coisa que não um mito, é digno de registo. Depois de ir à casa de banho, de me vestir e de comer qualquer coisa (julgo), peguei na sacola com a máquina fotográfica e saí de casa. Meti-me no carro e desci pela rua do Cavaco (a que, do lado de Gaia – para os que ainda não sabem, moro em Gaia –, passa sob a Ponte da Arrábida) até à beira-rio. Estacionei o carro e segui a pé em direcção à Ponte Luiz I. Pelo caminho, fui tirando fotos.»
Luís Menezes Leitão: «Há uns anos, ficou célebre no Brasil o slogan do palhaço Tiririca: “Vote no Tiririca, pior do que está não fica”. E de facto o palhaço Tiririca lá foi eleito para o Congresso, tendo depois renunciado porque o achou um aborrecimento. Beppe Grillo não é, porém, um Tiririca. Goste-se ou não, é alguém que apresentou um projecto eleitoral [em Itália] e conseguiu 25% dos votos, tendo que ser tomado em consideração para a formação de qualquer governo. Não estou a ver como vai ser possível, no entanto, os outros partidos entenderem-se com ele. Mas uma repetição das eleições seria como dizer ao eleitorado que se enganou, o que até poderia reforçar a votação de Grillo.»
Eu: «Por muito menos, este senhor proclamou-se vítima de um linchamento. Agora, estando sob mira pública um irmão na fé, e sem o menor assomo de caridade cristã, ei-lo a acender a fogueira num tema onde todas as precauções são devidas sendo a natureza humana o que é e tendo provocado os assassínios de carácter que já provocou. Repare-se no nível intelectual desta argumentação: “Ouvi que ele tinha tido um comportamento dessa ordem.” E desta, que inverte o ónus da prova: “Não possuo quaisquer elementos que provem que isso não é verdade.” Se não é linchamento, imita bem. Sobretudo após o categórico desmentido do visado, a quem não pode ser negado o direito à defesa. E do louvável acto de contrição já assumido por outro interveniente na polémica. Merece forte penitência por tão ruim pecado, senhor bispo.»
