
José António Abreu: «30% dos eleitores italianos votaram no partido do palhaço rico, 25% escolheram o do palhaço pobre. Ou, vá, menos rico. (…) A Itália fica à beira da ingovernabilidade e, por essa Europa fora, o último a rir que pague a conta.»
JPT: «Este mesmo, o “bar restaurante residencial Sporting”, ali herdeiro, talvez avatar, de um antigo clube Sporting de Angoche (ou de António Enes, ou de Parapato, não tenho a certeza sobre o nome do velho clube desportivo). Logo entrei, feliz, dessedentando-me. Depois de algumas “Impalas”, acompanhadas de resumos de futebol europeu na pequena TV sobre o balcão, um luxo para os parcos clientes, visitei as instalações.»
Teresa Ribeiro: «Há semanas, quando vi que lhes tinham colocado andaimes junto à fachada, exultei. Finalmente iam ser recuperados, pensei. Engano meu. Afinal três dos mais belos edifícios déco de Lisboa foram subtraídos da paisagem urbana como um friso de dentes podres. Magnificamente situado, o novo buraco na dentição da Joaquim António de Aguiar será com certeza preenchido muito em breve. Talvez com um implante art mérdo.»
Eu: «A fanática brigada antipecado que domina com mão de ferro o Irão – e tem bons amigos em Portugal – sentiu a pulsação muito acelerada ao vislumbrar o generoso decote de Michelle Obama na noite da distribuição dos Óscares. Como se já não lhes bastasse ver Argo – uma longa-metragem que denuncia sem pudores a ditadura islâmica – conquistar o Óscar de melhor filme. (…) Mas podia ser pior: escapou ao rigor da teocracia iraniana o pecaminoso cabelo de Michelle, que noutros tempos só por lá surgiria abrigado sob um véu igualmente tecido pela censura. Fica-me uma pequena dúvida: porque será que os censores se esqueceram também de cobrir com um pudico paninho o próprio Óscar, estatueta de um homem nu?»
