
Ana Vidal: «Quem me conhece sabe como sou crítica em relação à igreja católica. Sou cristã por opção, mas isso não significa que aprove aquilo que os católicos fizeram ao longo dos tempos com a mensagem original de Cristo, admirável e verdadeiramente revolucionária. Tudo foi deturpado por razões bem humanas (mas indesculpáveis), trocando a liberdade e a responsabilidade individual que era proposta aos homens pela disciplina do medo, instaurada através da terrível mas eficaz fórmula “pecado-culpa-castigo”.»
José António Abreu: «A acção de luta que consistiu em cantar Grândola Vila Morena no Parlamento foi inteligente. Teve uma subtileza cortante que é rara neste tipo de acções – e em Portugal, onde sempre fomos mais dados à manifestação, expressa e reiterada, do óbvio (veja-se o humor, que felizmente a invasão de programas televisivos anglo-saxónicos tem vindo a refinar). Os mestres-cantores (até Hans Sachs concordaria que eles cantaram bem) da Assembleia foram mesmo ao ponto de não resistir às ordens de expulsão. Evidentemente, tratava-se de profissionais conscientes de que a imagem da dignidade ofendida possui mais força do que a da arruaça.»
José Gomes André: «Não tenho apreço político por Miguel Relvas. Não lhe vislumbro qualidades assinaláveis e considero-o um elemento tóxico no Governo, pelas polémicas em que se viu (e vê) envolvido, às quais ainda não deu resposta esclarecedora. Todavia, o que aconteceu no Clube dos Pensadores, em Gaia, e no ISCTE, em Lisboa, não pode merecer elogios. Uma coisa é manifestar-se desagrado público pela governação, algo perfeitamente legítimo e até elogiável em várias circunstâncias. Outra coisa diferente é utilizar uma manifestação para intimidar fisicamente uma pessoa ou impedi-la de exercer a sua liberdade de expressão.»

Desde a maioria,como por magia ou sabidoria,acabaram-se grandoladas e os Acordai pela madrugada fora à porta de hospitais e governancios.
Graças sejam dadas.