
Ana Vidal: «Passei hoje horas a reler a delirante troca de mails que mantive, durante anos, com um Amigo que acabo de perder. E voltei a rir até às lágrimas com os disparates que escrevemos a propósito de tudo e de nada, a comover-me com os assuntos mais sérios, a espantar-me com a tendência comum para acabar tudo em verso, fosse farsa ou tragédia. O que nos divertimos! Concluo que poderíamos ter escrito juntos uma opera buffa, se nos tivéssemos aplicado e nos conseguíssemos concentrar num único tema. Guardo com o maior carinho o registo dessas conversas privadas, longas ou brevíssimas, mas sempre temperadas de humor e de ternura. Não conheço bem mais precioso do que uma amizade cultivada.»
José António Abreu: «Quando vejo bancos recorrerem a financiamento público, como é actualmente o caso do Banif e antes foi o do BCP, do BPI e da Caixa, muito embora sabendo que em parte as suas dificuldades advêm de exigências recentes de reforço de capitais, não consigo deixar de pensar nos bonitos planos que, há cerca de meia dúzia de anos, instigados pela moda (que CEO gosta de – para usar as palavras da guru Heidi Klum – estar out?) e por consultores bastante satisfatoriamente remunerados (consultoria: um sector de bens não transaccionáveis que cresceu imenso nas últimas décadas e de que raramente se fala), eles andaram a elaborar.»
Laura Ramos: «Confesso que exulto quando vejo confirmados, de maneira autorizada, os juízos que a experiência me fez construir acerca das desvantagens do ensino misto, passada que está a era da desigualdade de oportunidades educativas e do apartheid social que levava a separar meninos e meninas, por causa do temor de enrolanço fulminante entre as partes ou dos funestos efeitos do seu livre convívio na paz das famílias e das paróquias em geral.»

O problema não é o ensino ser misto. O problema é o ensino ser mais orientado para as capacidades e especificidades das meninas, e não para as capacidades e especificidades dos meninos. O problema é haver mais professoras que professores.
A escola pode e deve ser mista, mas o endino por ela ministrado deve ser orientado para ambos os sexos, e não predominantemente para o sexo feminino.