
Ana Vidal: «Acho graça a esta excitação toda em volta do dia 12-12-12, e ao argumento dramático de que é um dia único porque “nunca mais vamos ter um dia igual no tempo de vida que nos resta”. Como se isso não acontecesse todos os dias, como se cada dia não fosse único, sempre diferente de todos os que já passaram e dos que virão. A vida renova-se, não se repete.»
Gui Abreu de Lima: «Homens, procurem a origem do vosso inferno. A razão da vossa guerra. Revejam o que vistes em meninos. De que misérias fostes testemunhas caladas, entre os jogos de bola, o caminho da escola, os fins de tarde, as manhãs de sábado, os passeios de domingo, a ida à missa? Na vossa cama, à mesa de jantar, no silêncio aterrador da madrugada? Do que sentistes, talvez não tereis lembrança. Ou surgirão vagas recordações de uma criança amedrontada. Mas ficai certos: dentro de vós, como num papiro milenar, estão todas as vivências impressas ao pormenor. Têm a forma de terríveis consequências e poder sobre a vossa condição. Desabrocham como ervas entre as vossas opiniões, acções, reflexões. Toldam o timbre das vozes e manipulam os gestos mais naturais. Homens, não se detenham. Procurai a origem do vosso inferno, a razão de toda a guerra.»
Luís Menezes Leitão: «Como Presidente da Câmara António Costa mal se vê. Toda a gestão da Câmara parece ser efectivamente exercida por Manuel Salgado, a ele se devendo decisões juridicamente inenarráveis como a de transformar toda a cidade de Lisboa em área de reabilitação urbana, um reconhecimento antecipado do desastre em que estão a fazer cair a cidade. António Costa aparece apenas em cerimónias protocolares, e mesmo nessas as coisas têm corrido pessimamente, como se verificou pelo hastear da bandeira ao contrário na cerimónia do 5 de Outubro.»
