
Ana Vidal: «Tentei ontem explicar a uma incrédula australiana por que razão vivo, amo e ainda acredito num país onde a miséria vai ao ponto de idosos e deficientes profundos serem sequestrados e maltratados pela própria família para lhes sacar as paupérrimas pensões de alimentos, e apesar disso se consideram prioritários projectos megalómanos como o TGV. Tentei explicar-lhe que esse país pertence à Europa, e não ao terceiro mundo. E que é mesmo um país, e não o bairro de lata de Roma que serviu de cenário a Ettore Scola há mais de trinta anos. Tentei, mas não tenho a certeza de tê-la convencido.»
João Carvalho: «Ainda estou para saber o que é que as festanças de Kadhafi têm de tão atraente e importante, mas já deu para saber que Luís Amado devia ser ministro do Ambiente: se o ambiente for de festa, contem com ele. Portugal tem um ministro feliz.»
Sérgio de Almeida Correia: «Aos poucos vai ficando no ar a certeza de que a “politica de verdade” dará lugar à “política da treta”. O líder regional do PSD falou para a sua gente. Ainda bem. A imprensa regional, em boa hora, fez o milagre da multiplicação dos momentos mediáticos. A José Sócrates basta-lhe ir vendo o filme. Os actores são de primeira água e não precisam de disfarçar. O cheiro é inebriante.»
Eu: «Chamberlain, que menos de um ano antes, ao assinar o acordo de Munique com Hitler, anunciara aos britânicos “a paz no nosso tempo”, já não conheceria o mundo do pós-guerra: morreria amargurado, em Novembro de 1940, após ter cedido a liderança do Governo a Churchill: “Sinto-me como um homem que está a conduzir um autocarro desconjuntado, numa estrada estreita, às curvas, à beira de um precipício”, confessou à irmã em carta de 27 de Agosto de 1939. Foi há 70 anos – como se tivesse sido apenas anteontem, no implacável e desconcertante calendário da História.»
