
Adolfo Mesquita Nunes: «Estou a ler Agustina. Agustina é da nossa casa, portuguesa porque o seu (fora de) tempo é demasiado português para ressoar devidamente em casas estrangeiras. E se digo Agustina, e não a obra de Agustina, é porque sei, e ela também, que muitos dos que a admiram confessadamente nunca lhe leram uma linha. Bastava ouvi-la, travessa arguta desconcertante fulminante, para a sentirmos nossa. Agustina, como o tempo no fado da Argentina Santos, fica, ficará sempre, enquanto nós nos contentamos com estar de passagem.»
Ana Cláudia Vicente: «O que é que possui alguns profissionais da escrita portugueses que os leva a conceber recorrentemente personagens femininas como, por exemplo, Ann Jameson (vide Equador, Miguel Sousa Tavares) ou Clarissa Warren (vide Linhas de Wellington, Carlos Saboga)? De onde vêm estas jovens, sempre britânicas e de boas famílias, que em pleno séc. XIX se dão bíblica e alegremente a protagonistas nacionais, entre vários outros personagens (para desgosto dos anteriores), como se estivessem a passar o Verão de 1982 na Praia da Rocha?»
Ana Margarida Craveiro: «Os recadinhos do PR enervam-me. Nas minhas leituras, confirmo as causas para tamanha irritação. Temos um presidente que não sabe o que é, nem o que quer. Quer ser Primeiro-Ministro e apresentar um OE, por exemplo? Candidate-se, que não há limite de idade. Agora condicionar um governo com maioria absoluta no parlamento, não.»
José António Abreu: «Por mim, estou-me nas tintas para os autarcas do PSD. Primeiro, não são substancialmente diferentes dos do PS. Depois – e cá temos um ponto em que o governo devia estar a receber avisos de que não tem feito o suficiente –, acho até que o número de autarcas devia ser muito menor.»
Laura Ramos: «Agora, novos-ricos da democracia, esquecemo-nos do quanto custou a ganhar e do quão fácil será perdê-la. Só conseguimos ver o imediato.»
Luís Menezes Leitão: «Passos Coelho bem disse que se está a lixar para as eleições e já lixou efectivamente o PSD dos Açores. Resta ao PSD nacional, se tiver inteligência política, perceber que, com Passos Coelho à sua frente, será totalmente arrasado nas eleições que se seguirão, podendo ter o mesmo resultado eleitoral que agora teve no Corvo. É por isso evidente que o PSD não pode continuar com Passos Coelho à frente do partido.»
Eu: «É uma data marcante para a cultura portuguesa: Agustina Bessa-Luís faz 90 anos e, embora doente, encontra-se entre nós. A melhor prenda de aniversário que lhe poderíamos dar hoje seria ler algumas das muitas páginas que nos legou em mais de meia centena de livros. Lamentavelmente, isso quase só pode acontecer recorrendo a edições antigas, em certos casos mesmo apenas junto de alfarrabistas: a nossa maior escritora viva deixou de ter uma editora à medida do seu prestígio. Não há títulos seus em livros de bolso, a preços acessíveis. E, muito pior, a assumida divulgação das suas obras completas não passou afinal de um projecto abortado.»

90+10: temos centenário.
Será celebrado daqui a nada, com texto alusivo à festiva data.