DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Cláudia Vicente: «À época da 50.ª edição brasileira do romance de Jorge Amado – 1975, ano da chegada do meu irmão mais velho à existência – decidiu a Globo seriar em horário nobre a história de uma certa nordestina chegada ao litoral em mudança. Por cá, dois anos depois, reza a lenda ter sido tanta a cegueira que até o termo das sessões parlamentares regulava pela emissão daquela. Disto não estou segura. Mas sei que se cumprem neste mês trinta cinco anos sobre o dia em que a senhora mãe desta que vos escreve entrou num hospital, já perto da hora de jantar. Após a admissão, em avançado trabalho de me trazer ao convívio da restante humanidade, da parteira de serviço ouviu, incrédula, a pronta intimação:  –Vá, vamos lá, então!Não podemos demorar! A ‘Gabriela’ está quase a começar!»

 

José António Abreu: «Há um par de meses assisti a uma reportagem num noticiário da RTP1. Após vários minutos dedicados a alertas sobre como, para muitas corporações de bombeiros, a situação financeira se encontra à beira da insustentabilidade e a outras tantas queixas acerca da falta de apoio governamental, a reportagem terminava com uma tirada em voz off na qual se dizia que estas questões poderiam colocar em causa a acção dos bombeiros no ataque aos incêndios e no socorro às populações durante o Verão que se iniciava. Chamo-lho reportagem por não saber que outra coisa lhe chamar.»

 

José Gomes André: «Infelizmente, os cronistas de maior audiência em Portugal são profundamente ignorantes acerca da política americana. O que não os coíbe de se manifestarem sobre o tema, como qualquer bom “tudólogo” deve fazer. Os disparates tornam-se portanto frequentes. Que o diga Miguel Sousa Tavares, que afirma, entre várias tolices, ser desejo da dupla Romney/Ryan “fazer a guerra aos árabes, russos, chineses e aos pretos”, proibir o aborto até mesmo em caso de violação, extinguir o IRS para os mais ricos e defender “o direito inalienável de todos os cidadãos andarem armados e dispararem livremente”. Até dava para rir, se não fosse sério.»

 

Luís Menezes Leitão: «A entrevista dada por Vítor Gaspar confirmou o que há muito penso sobre a personagem. Trata-se alguém de um enorme radicalismo ideológico, aliado a uma confrangedora falta de sensatez, e com uma muito fraca capacidade de gestão das finanças públicas.»

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