
Cláudia Köver: «A alma – se é que esta é a definição mais apropriada – pode por momentos abandonar o corpo quando sofre. Mas a alma não se descola das palavras, a não ser que esta seja corrompida, separando a expressão do sentimento real. O que fazer a estas palavras sem alma? O que fazer aos sentimentos reais que ficaram sem palavras?»
Fernando Sousa: «Extraordinário! Com correios assim as nossas polícias e quem as usa não precisam nem de conferências de imprensa nem de comunicados para criar oportunas diversões.»
Ivone Mendes da Silva: «Teseu, o herói, depois de ter matado o Minotauro no labirinto em Creta, viu-se em dificuldades para sair lá de dentro. Apaixonada ou não por ele, o certo é que Ariadne, a jovem princesa cansada daquelas zoomórficas complicações familiares, decidiu que ao ajudá-lo se ajudava a ela. Ajuda-te a ti mesma, deve ter pensado, que o conhecimento viria depois e para alguma coisa lhe havia de servir ser neta do Sol. Os poetas já deram mil e uma explicações para o facto de Teseu ter abandonado Ariadne na ilha de Naxos.»
José Navarro de Andrade: «Em 1998, contra o aviso de opiniantes encartados, de politólogos televisivamente encadeirados e mesmo de pollsters munidos da sua estatística ciência, o povo do nórdico Minnesota, gente conhecida pela moderação e nada atreita a fantasias, elegeu para governador do seu gélido estado o Sr. Jesse Ventura. Jesse, the Body, assim era conhecido até que na campanha virou a sua alcunha para Jesse, the Mind.»
Leonor Barros: «Há alguma razão para o PSD e o CDS terem chumbado hoje os pedidos de audição na Assembleia da República sobre a alegada, ó bela palavra, pressão de Miguel Relvas ao jornal Público?»
Luís Menezes Leitão: «Tsipras tem o retrato de Che Guevara no seu gabinete e deseja fazer uma revolução como ele. A revolução passa naturalmente pela nacionalização de todos os bancos e pelo combate ao desemprego através da criação de novos cargos públicos e de empresas estatais. E quem vai pagar os custos desta política será naturalmente a solidariedade europeia, já que Tsipras não quer sair do euro. Mas não deixará de declarar a bancarrota, causando o caos em toda a Europa, se os restantes governos europeus não estiverem dispostos a financiar a sua revolução.»
Teresa Ribeiro: «Antes, quando me faziam uma proposta de trabalho ofereciam-me um salário líquido, ou seja, diziam o que me interessava saber, que era quanto eu ficava a ganhar. Agora propõem-me salários brutos, para que o impacto psicológico dos valores que me apresentam seja mais favorável e eu fique ciente, quando fizer as contas, de quanto é que pagam em impostos para me contratar.»
Eu: «Carlos Fuentes – uma das figuras cimeiras do chamado ‘realismo mágico’, que congregou nomes de romancistas que permanecerão ligados a um dos melhores momentos de sempre da literatura universal, como Gabriel García Márquez, Juan Carlos Onetti, Mario Vargas Llosa, Julio Cortázar, Miguel Angel Asturias e José Lezama Lima – era não só um grande ficcionista mas um excelente cronista, crítico, ensaísta, espectador sempre comprometido com os acontecimentos contemporâneos.»
