DELITO há dez anos


Pedro Correia,

21523202_SMAuI.jpeg

 

André Couto: «Assusto-me quando assisto a intervenções que artisticamente questionam o direito à manifestação, com o argumento de que a força serviu para assegurar o Estado de Direito, como se fossem setentas pessoas pô-lo em questão e não a forma, amplamente documentada, como as forças da autoridade agiram.»

 

João Carvalho: «Ministros apressados de malas aviadas? O BES metido no assunto? Influências e corrupção? Fundos transferidos pela calada da noite? Depósitos de dinheiro com proveniência suspeita? Só por má vontade. Vamos ser sérios, sim? O caso Portucale só existiu porque ninguém quis reconhecer a evidência: os sobreiros classificados foram derrubados quando a poderosa mão do Senhor se abateu sobre este país amaldiçoado.»

 

José António Abreu: «Reunião com cerca de vinte participantes. Quando começa já estou farto porque, com perfeita pontualidade britânica aplicada aos típicos atrasos nacionais, a hora marcada passou há vinte minutos. Seguem-se cento e cinquenta de discussões requentadas, apartes idiotas e piadas frouxas, mais ou menos sem ordem, mais ou menos sem objectivo. Assuntos importantes são despachados para canto e assuntos irrelevantes são discutidos até à exaustão. Não estou admirado: é sempre assim.»

 

Patrícia Reis: «As horas passam, o telefone do hospital está sempre livre, toca, toca, toca e depois uma voz que não diz nada, não se passa nada, a mãe continua sem dentes, numa marquesa qualquer, sem pijama, vestida apenas com aquela coisa azul com atilhos do hospital, e os dentes dela dentro da mala a passear pela cidade. Sentido? Nenhum.»

 

Rui Rocha: «A educação em Portugal continua no caminho certo. Depois de Maria de Lurdes Rodrigues ter afirmado que a Parque Escolar foi uma festa para as crianças, Nuno Crato pretende criar condições para que as salas de aula tenham as raves mais concorridas das redondezas. Não é difícil adivinhar as consequências da medida na qualidade do ensino. Mas lá que vai ser uma diversão, lá isso ninguém pode negar. Os sorumbáticos alunos finlandeses não sabem o que estão a perder.»

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *