
Cláudia Köver: «Sou um animal de duas cabeças que matam a fome em pratos diferentes. Quando as lágrimas me caem ao peito não sei qual rosto consolar, pois penso com o coração. Sempre que o raciocínio sobe até um dos seus cérebros perco momentaneamente a claridade na visão. Gatinho às escuras até encontrar novamente a sabedoria de que todos nós somos dois, três ou quatro num só corpo pesado e de que a beleza só nasce quando abraçamos a nossa multiplicidade.»
João Carvalho: «Que tal este “Carocha” ambientalista? É quase irreconhecível, porque foi vestido para integrar a frota da secreta.»
José António Abreu: «A polémica acerca da falta de tolerância de ponto no Carnaval mostra várias coisas interessantes. Aquela a que acho mais piada é como, avaliando pelo que a televisão nos mostra, hoje quase não há casos urgentes nos hospitais e centros de saúde. Pelos vistos, os portugueses só têm problemas de saúde nos dias de trabalho.»
José Navarro de Andrade: «Sou ateu até à medula dos ossos – saí assim. Estou por isso em condições privilegiadas para dizer que hoje morreu alguém que mais se aproximou da ideia que faço de um santo: D. Manuel Falcão, Bispo Emérito de Beja.»
Patrícia Reis: «O meu amor por Miguel Guilherme começou aqui. Este anúncio, que sei de cor, pode animar algumas noites (para quem não bebe dá algum jeito) e ainda arrancar uns sorrisos. Quando apareceu, os actores não eram “pescados” para o universo publicitário. A mímica já era e, um texto e um actor juntos – em vez de imagens de electrodomésticos – assumia uma linguagem, uma variante que nos deixava pregados ao ecrã. Nessa altura, ainda via televisão.»
Teresa Ribeiro: «Há anos que me perguntava por que diabo não se divulgavam os privilégios e as tabelas salariais dos trabalhadores das empresas de transportes públicos. É que ao fim de décadas de reivindicações constantes eu desconfiava que há muito a luta destes trabalhadores tinha deixado de ser justa e que as suas sucessivas greves eram sobretudo manifestações abusivas de poder, tanto por parte das centrais sindicais, que só no sector público o têm, como por parte dos trabalhadores, que sabem que cada uma das suas paralisações paralisa também o país.»
Eu: «Dos gangsters puros e duros ao romance de cordel: demasiadas contorções num filme só. O Clint Eastwood dos bons tempos só é reconhecível quando são os maus a invadir o ecrã.»
