DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José António Abreu: «Podemos lamentar-nos, irritar-nos, mostrarmo-nos ofendidos. Podemos apelidar os alemães de metediços, arrogantes e prepotentes. Podemos clamar que somos um Estado independente há quase mil anos. A Grécia pode até reclamar ser o berço da civilização ocidental. Isso não altera a realidade: fomos, e em muitos casos ainda somos, mal governados. E, em grande medida, fomos mal governados porque escolhemos ser mal governados. Jardim foi reeleito em Outubro passado. Sócrates foi reeleito em Setembro de 2009, quando os sinais de alarme já eram claros. Acham estranho que os alemães duvidem de nós?»

 

Leonor Barros: «O que vale é que neste país há sempre uma excepção de uma excepção a uma excepção num regime excepcional de excepcionalíssima excepção. A excepção serve para ir ao bolso de alguns portugueses, já quase todos o sentimos, e para encher o bolso de outros. Poupem-me a discursos moralistas sobre austeridade e regimes de excepção.»

 

Luís M. Jorge: «O leitor julgava que o serviço público de rádio e televisão servia para formar uma opinião pública mais crítica, com mais consciência do que ocorre no mundo? Nada disso. A Antena 1 e a RTP servem para nos aproximar das ditaduras que dão jeito ao Governo. Não se discute a liberdade de imprensa,acrescenta ele. Pois claro que não.»

 

Luís Menezes Leitão: «Parece evidente o colapso do euro e da própria União Europeia. Mas grande parte da responsabilidade cabe às instituições da União que se apagaram completamente em benefício de dois Estados-Membros que até conseguiram impor aos outros um tratado intergovernamental, à margem dos tratados da União. Durão Barroso tem sérias culpas no que se está a passar. A Comissão Europeia a que preside deveria ser a guardiã dos tratados e parece disposta a assistir impávida e serena à sua destruição.»

 

Rui Rocha: «Previsão de descida de temperaturas a partir de hoje. Uma das televisões generalistas (confesso que não as distingo) cumpre o ritual da reportagem sobre o frio polar em Lisboa. Arrepio-me no sofá só de imaginar a superfície solidificada do Tejo e as piruetas dos patinadores a exibirem-se no gelo, mesmo ali à frente do Cais das Colunas. Por momentos, admito até que ainda possa aparecer algum pinguim. Afinal de contas, não seria a primeira vez que eu próprio, com estes que a terra há-de comer, veria tais criaturas na capital. Se bem me recordo, da última vez a coisa aconteceu em pleno Oceanário.»

 

Teresa Ribeiro: «A prova de que este povo macambúzio ainda tem capacidade para acreditar é que vota quando há eleições. Só que depois as coisas não mudam. Isso é que é deprimente, ver sempre as expectativas frustradas. Aqui é assim desde que se nasce até que se morre. Por isso é que aprendemos aquela cartilha esquizofrénica cedo demais e somos o povo mais deprimido da Europa. Percebem, ó estupendaços?»

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