Churrasqueira o Tapadão, Monforte
Grande desgraça: o Tapadão fechou! O Alentejo está mais pobre.
“O Tapadão” era o mais banal dos restaurantes, situado numa anódina vila alentejana. Agora, que já não há nada a perder, diga-se que era em Monforte. Entrava-se por um snack-bar ostensivamente vulgar: balcão de alumínio, televisão alapada à parede, queimada em dois canais: SporTv ou “toros tv” espanhola. Por cima das mesas, exemplares manuseados de “a bola”. Sempre desconfiei que este cenário, mais a implacável banalidade da sala de refeições com janelas para dar luz, mas sem vista, e fraca insonorização, eram de propósito, para desmoralizar os gentios. Quem, apesar desta impávida recepção, ainda se atravesse a sentar e pedir a lista, decerto ficaria desconsolado: pouca escolha, nenhuma com o charme do “terroir” ou “propostas” gastronómicas, que encantam os forasteiros de fim-de-semana no campo.
O truque, sabiam-no os locais e os contumazes, era uma pessoa levantar-se e ir à cozinha perguntar à Inácia se tinha uns secretos, umas plumas, uns lombos; de entrada, ela que não se importasse de fazer a omelete de espargos. Da última vez que lá fui, havia galinha corada com batatas fritas. A ave e os tubérculos, ambos eram legítimos; aquela arribando à mesa depois de longo trânsito pelo forno, a carne negra desfiando-se e soltando sucos na boca, estas fritas em azeite de lei e do dia. Às vezes servia-se de acompanhamento um arroz de coentros, talvez perfeito.
Os japoneses provaram que cozinhar pode ser uma arte tão zen que nem precisa de lume aceso. O Tapadão reiterava esta proposta: cozinha simplicíssima, no ponto exacto de forno, fritura ou grelha, produtos que só passavam uma noite mal dormida no frigorífico. Não é disto que se gabam os chefs, quando pretendem exibir autenticidade? (o quer que esta palavra queira dizer…)
Monforte é muito lenta. Nem uma casa familiar (pai, mãe, filha) como o Tapadão resistiu a tal modorra. Foram à vida noutro lado, menos infestado pela crise. Pior fiquei eu, de barriga a dar horas.



Boa, patrício! Até que enfim que alguém se decide a dar continuidade a esta série que eu comecei com a “Mariana”. Fico contente. Só tenho pena de já não ir a tempo de conhecer o “Tapadão”, onde dizes que se comia tão bem…
chuif, chuif…
Senti o mesmo quando fechou o Rolo em Portalegre: cheguei a ir lá de propósito. Felizmente reabriu no Parque das Nações, em Lisboa.
(muito bem, Zé, em breve avançarei eu também nesta série, que promete)
aqui entre nós, esse deu dois passos maiores do que a perna, ao ter mudado para Cabeço de Vide e ao ter coisado com a coisa.
Já agora, “tamém” dou uma achega : “Pompílio”, em S.Vicente.
Já o “arrebicaram” um tanto ou quanto, mas o essencial mantém-se.
O “Pompílio” já joga na 1ª divisão. Fora a espanholada que o tomou de assalto (chamem-nos parvos…) ainda é campeão no arroz de lebre.
E na última vez que lá passei, nas costeletas de borrego panadas e nos ovos com espargos bravos.
Oh senhor! Que gosto tem em torturar-nos com essas evocações?
O veado à casa também é de chorar por mais, mas nos arredores fico-me pela Bolota (na aldeia Terrugem).
Já o meu preferido mora em Portalegre e dá pelo nome de Tomba Lobos.
O Tomba Lobos é enorme!