
Vai sendo tempo de reabilitar a comida de forno e tacho, para travar o crescente predomínio dos grelhados. É o que sucede neste restaurante situado no centro histórico de Castelo Branco.
Tal como o nosso vocabulário comum tem vindo a comprimir-se em proporções assustadoras, tornando-se mais esquemático que nunca, também os nossos gostos alimentares se vão estreitando, sujeitos a modismos de importação e à ditadura dos grelhados. Felizmente há locais como este, capazes de reabilitar a ancestral comida de forno e tacho, que exige vagar, minúcia e requinte culinário – muito mais do que uma chapa quente num fogão para satisfazer clientelas apressadas.
Esta Cabra Preta, inaugurada em 2016 no centro histórico de Castelo Branco, passa com distinção no teste. E assume-se como digna herdeira do encerrado Praça Velha, que durante anos honrou os pergaminhos gastronómicos albicastrenses. Sendo novo, este estabelecimento sabe cultivar a memória, trazendo-nos à mesa a melhor tradição gastronómica beirã.
Aos apreciadores, recomenda-se o serrabulho, recém-premiado em concurso regional. Pode chegar como entrada ou como prato principal, neste caso acompanhado de ovos de cebolada, finas fatias de pão regional, arroz e feijão. Opção alternativa, para entreter o apetite enquanto se aguarda o manjar central, é a tiborna – pão acabado de sair do forno, regado com um fio de azeite e coroado com uma fatia de bom presunto.

Serrabulho: entrada premiada

Ensopado de veado, ex libris da casa
Quem optar pelo arroz de pato não sairá desiludido. Mas o que mais recomendo é o ensopado de veado, um dos cartazes gastronómicos da casa. Sem prescindir, ainda como entrada, dos suculentos cogumelos emporcalhados – salteados em azeite, com pedacinhos e chouriço e lombo, também a evocar-nos refeições de outros tempos. Siga a opção vinícola da casa, em branco ou tinto: Conde Villar, belo vinho alentejano, da Herdade de Penedo Gordo (Borba).
Castelo Branco já merecia um restaurante como este.

Restaurante Cabra Preta
Rua de Santa Maria, n.º 13, Castelo Branco
Telefone 272 030 303
Horário: 11.30-22.45. Encerra às terças e ao almoço de quarta-feira

Grelhados toda a gente consegue fazer. Agora comida de “tacho” já requer outro tipo de conhecimento.
Não é para todos…
Não é bem assim.
Estufar um peixe num tacho é fácil.
Grelhar esse mesmo peixe sem que ele se grude todo à grelhadora é bem mais difícil.
Esse ensopado de veado….
Como vinho recomendo Beyra, tinto, da Beira Interior
Este ensopado é fabuloso.
Geralmente em cada região do País bebo vinho dessa região. E a Beira Interior tem belíssimos vinhos. Mas desta vez aceitei a sugestão da casa. E gostei de travar conhecimento com este Conde Villar.
https://www.portugalvineyards.com/pt/vi nhos/4099-beyra-reserve-red-2013-5609851 521020.html?gmc_currency=2&gclid=EAIaIQobChMI2-OzobaG4QIVyZrVCh1xtg 38EAQYASABEgKij_D_BwE
Boa sugestão.
ai como eu gosto de comer!
fica o registo para quando passar por CB!
Verá que gosta.
Engraçado saber pelo Pedro, que mora longe, da existência deste Restaurante Cabra Preta.
Fui muitas vezes ao Praça Velha (que achava excelente) e, mesmo quando não ia ao restaurante, abri e fechei imensas vezes aquele portão para aí estacionar o carro quando ia à antiga Biblioteca (não nos lugares do Praça Velha, obviamente, mas sim nos reservados à editora Alma Azul).
O meu nível de vida baixou bastante desde então; ainda assim, estou tentada a ir lá provar esse ensopado de veado.
Obrigada pela sugestão, e por se lembrar do Interior.
⚘
Maria
Muitas vezes é assim, Maria: acabamos por nos aperceber mais depressa das novidades ao visitar outras cidades do que na nossa rotina nos locais onde vivemos. Na minha mais recente visita a Castelo Branco, indo em busca do Praça Velha, apercebi-me com tristeza que já lá não está. Mas apercebi-me também da existência, a curta distância, deste louvável Cabra Preta. Muito recomendável. Castelo Branco merece ter um restaurante ainda jovem mas já de pergaminhos firmados, como este.
a ancestral comida de forno e tacho, que exige vagar, minúcia e requinte culinário – muito mais do que uma chapa quente num fogão para satisfazer clientelas apressadas
Bem-aventurado o Pedro Correia, que tem vagar e descanso para esperar imenso tempo que lhe sirvam o almoço.
Eu só almocei uma vez em Castelo Branco. Ia de viagem para a Serra da Estrela e parei lá para comer, mais oe meus filhos que estavam esfomeados. Tivemos muita dificuldade em encontrar um restaurante aberto no centro da cidade (devia ser domingo, não me recordo). Sentámo-nos no que encontrámos, pedimos e aguardámos. Lamentavelmente, demoraram 45 minutos a servir-nos, durante o qual tempo as crianças só mastigaram uns bocados de pão. Jurei, verdadeiramente, nunca mais comer em Castelo Branco.
A Beira Interior em geral, e a cidade de Castelo Branco em especial, agradecem o seu elogioso comentário.
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Sim, porque vindo de si, qualquer crítica pode ser um elogio, sendo que o contrário também é válido
Espero sinceramente que as esfomeadas crianças não tenham ficado com danos irreversíveis nos seus delicados estômagos.
E que tal trazer no carro umas barras energéticas, (ou um simples chocolate) para evitar que as crianças fiquem esfomeadas?
Se bem que aqui na Beira costuma dizer-se que “A fome é de três dias… “.
Gentes habituadas à dureza da vida… digo eu, que já aqui vivo há 30 anos.
⚘
Maria
Para obter bons preços e vinhos de pequenos produtores, é altamente recomendado este site: http://www.portugalnosso.com
Agradeço a recomendação.