De volta ao garimpo


Sérgio de Almeida Correia,

(Reuters)

Depois de ter sido elevado aos píncaros da auto-estima nacional, entre santinhos e bandeirinhas, rumou a Inglaterra, de onde foi liminarmente despachado para uns meses nas Arábias. Acabou por cometer a proeza de entrar no Guiness encaixando 7 (sete) no Mineirão. Pode ser que agora os detractores de Paulo Bento percebam com quem este aprendeu a construir equipas para jogarem futebol de praia em campos relvados. A sorte não é eterna. Os barbeiros são.   

3 comentários em “De volta ao garimpo”

  1. Parece algo injusto, mas é verdade que Scolari nunca foi um bom treinador.
    Foi sim, e é, um grande líder, que se foi deslumbrando com as sortes favoráveis.

    O problema, bem entendido, é que a coordenação do entendimento entre defesas e guarda-redes é um processo que demora tempo a ser adquirido. Por isso, é sempre melhor optar por um conjunto de jogadores que já jogou junto.
    Acontecia isso com a defesa do FCP liderada por Ricardo Carvalho e Vitor Baía, que serviu bem a Portugal durante o tempo de Scolari.

    Sem esses entendimentos, é difícil uma equipa ter disposição atacante contra equipas de estilo de jogo italiano – que é como agora tem jogado a Alemanha.
    Basta fazer algumas trocas e os defesas ficam baralhados entre a defesa homem a homem e a defesa à zona.
    As equipas que não se balancearam no ataque, e em que os defesas não andaram perdidos atrás da marcação, conseguiram evitar os buracos.

    Depois, a Alemanha tem uma tradição de grandes guarda-redes e Neuer tem estado no melhor nível… para além do habitual remate à figura, que os avançados latinos têm tendência em embicar.
    Muller e os restantes têm tido uma pontaria fora do normal, raramente erram, e isso é notável. Mas já o seu tio Muller também era assim, eficaz e não inventava.

    Agora, isto no futebol, já se sabe que o que manda são os resultados.
    Até aqui, a performance de Scolari como seleccionador era intocável, pois conseguia retirar um bom espírito de grupo… só que isso não funciona sempre, e quando a motivação e concentração desaparece, tudo fica caótico, mesmo que os jogadores sejam os melhores do mundo não conseguem remediar.

    O Brasil jogou com a Alemanha, como se não tivesse problemas defensivos, e foi querendo balancear-se mais no ataque, para recuperar, em vez de acalmar, e foi apanhando uns atrás dos outros.

    Não se julgue que a Alemanha está muito bem, porque também não está.
    Tem também falhas na defesa.
    Simplesmente, a sorte do jogo correu-lhe bem, e arriscaram mais, porque sabiam que o Brasil jogava tudo através da inspiração de Neymar, e esse perigo estava ausente.
    Nem sempre Neuer conseguirá chegar a tempo a meio campo, nem sempre os atacantes vão rematar à figura,
    Agora, a Nª Srª do Caravagio vai deixar de fazer parte dos mitos do futebol, e isso faz bem para ver se há mais racionalidade.
    No caso de Paulo Bento, valeu-lhe nem sequer ter esse convencimento… de resto, conforme é dito, os erros são os mesmos. Promover o espírito de grupo é importante, mas mais importante é os jogadores saberem onde devem estar a cada momento, relativamente aos companheiros.

  2. Esta selecção brasileira, no Mundial, não chegou a ser uma verdadeira equipa. Com jogadores como Marcelo, suplente de Coentrão no Real Madrid. Já acontecia assim com o antecessor de Luiz Felipe Scolari, Mano Menezes, demitido em 2012.
    Espanta-me que, já sob o comando de Scolari, tenha conseguido vencer a Taça das Confederações:
    http://expresso.sapo.pt/brasil-conquista-quarta-taca-das-confederacoes=f817323
    O facto é que os dois únicos jogadores que fazem realmente a diferença neste Brasil – Thiago Silva e Neymar – estiveram ausentes da meia-final. Não há coincidências.
    Convém sublinhar uma evidência, como faz o nosso leitor daMaia (e como também já realcei aqui – http://sporting.blogs.sapo.pt/a-ver-o-mundial-26-1552667): a selecção alemã beneficia, e de que maneira, das rotinas e dos automatismos propiciados pelo facto de grande parte dos seus elementos actuar em diariamente em conjunto, enquanto espinha dorsal do Bayern de Munique, campeão europeu em 2013).
    Também aqui não há coincidências. A selecção portuguesa de 1966, que ficou em terceiro lugar no Campeonato do Mundo, tinha por base a equipa do Benfica. A selecção comandada por Scolari que foi à final do Euro-2004 tinha por base a equipa do FC Porto. Nada a ver com a manta de retalhos do nosso onze-base deste Mundial, por exemplo. E a avaliar pelo que já se percebe da pré-época, com a aposta deliberada em jogadores estrangeiros por parte dos principais clubes portugueses, esta tendência só irá acentuar-se.

    1. E o Brasil, Pedro, convém não esquecer, chegou onde chegou com o favor dos árbitros (Croácia, México). Isso também conta.

      O facto da Alemanha só conseguir ganhar à Argélia por 2-1 e, se bem recordo, no prolongamento também diz bem do mau desempenho de Portugal e Brasil, mas neste caso disfarçado pelas vitórias que ainda assim conseguiram.

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