
Tendo estado na semana passada em Hamburgo, fiquei com a óbvia conclusão de que os alemães estão a esgotar a sua paciência para os sucessivos resgates que os países europeus estão sistematicamente a exigir para salvar os seus bancos. Na primeira página de um jornal podia ler-se “Espanha vai precisar de um resgate. Quem paga a conta?“. Agora pelos vistos, não são apenas os espanhóis que já se conformaram com o resgate, como Chipre também se assume como mais um óbvio candidato. O motivo é sempre o mesmo: recapitalizar a banca. A Grécia ainda não declarou a bancarrota e a crise já varre a Europa como um tsunami. Espere-se para ver o que será depois da bancarrota grega que, com ou sem o Syriza no governo, parece inevitável.
Em qualquer caso, está à vista a total ineficiência das instituições europeias nesta época de crise. Multiplicam-se inúmeras cimeiras europeias, mas nunca se chega a solução alguma para este problema. Está à vista que o euro se vai afundar, enquanto a Europa continua a passo de caracol.

O sistema está construído sobre quantidades enormes de dívida e ninguém está a diminui-la. Só estão a cresce-la menos rápido.
O Chipre só conta por ser um nome mais – em termos financeiros não conta. Repare-se que no resgate do Bankia espanhol se está a falar de 19.000 milhões de euros, enquanto que no reforço de capitais do segundo maior banco cipriota se está a falar de 1.900 milhões de euros – apenas um décimo da quantia necessária para o Bankia.
Come a somar os resgates pequenos e vai ver quanto dinheiro se acaba por gastar.