É impressionante a quantidade de embalagens de filmes e séries apresentando erros ortográficos (sendo que muitas edições são portuguesas, não vêm de Espanha como o exemplo acima). Parece, aliás, que o número tem vindo a aumentar, tal como, sei lá, o dos erros nos rodapés dos noticiários televisivos. A circunstância incomodou-me durante algum tempo, confesso. Depois percebi que, atendendo à nossa indiferença pela língua, que a fácil implantação do Acordo Ortográfico deixou patente (muito embora, no caso daquela gente ansiosa por se sentir progressista, «indiferença» seja a palavra errada; tratou-se antes de um entusiasmo próprio de novos-ricos) e ao efeito potenciador desse mesmo Acordo na existência de diversas variantes aparentemente aceitáveis (as antigas, as novas, as que parecem novas), depressa muitos destes erros deixarão de o ser. Na verdade, com a regra do primado da fonética a ganhar terreno, «navegasão» já nem sequer constitui erro grave; apenaz um atu de vanguardizmu.
De que «português» estarão a falar? E who cares?
escafandro,


Não posso conocordar mais. Só não acredito é que eu tenha chegado ” aqui ” primeiro que o comentador L.Lavoura…já que de (des)acordo ortográfico falamos…
Lol. De facto. Mas ele não deve demorar. 🙂
Uma vergonha, é o que é!
E logo uma cadeia (não a outra, que era onde estes bandalhos deviam estar…) como a Fnac, com “coisas” destas!
E as legendagens dos filmes e das séries televisivas? Uma bandalheira do piorio…
Mas deve ser mesmo vanguardizmu ou novorriquismo (deve ser assim, ou algo semelhante, que o tal desacordo manda escrever)…
Desculpe, mas errou: diz-se e escreve-se nôvurriquismo. A prenda.
Hmmmm, também não está em curso uma caça aos acentos, Tiro ao Alvo?
A prenda, afinal, fica para mim…
Infelizmente, a Fnac está uma desgraça, Adão. Basta ver a área dedicada aos livros: quase só novidades, expositores principais repletos de obras com capas cheias de florzinhas. Pouco melhor que um hipermercado.
Quanto às legendas, ando a tentar nem as ler (mas é difícil eliminar o hábito).
A fácil implantação do “acordo” orgográfico? Não creio que tenha sido ou seja fácil, mesmo com os recursos imensos e com todas as técnicas de desinformação e intimidação (pergunte a um funcionário público ou a um professor) que têm sido usadas para cometer um dos mais graves crimes contra o património cultural de um país de que há memória.
Ajudaria bastante que se não considerasse o caso como arrumado – que não está: longe disso, felizmente e a reacção percorre todo o país, m ódios os estratos sociais e etários. Somos maus, mas não tanto assim.
c.: só lhe posso dizer que espero que tenha razão.
Dependerá também de si que eu tenha razão.
É agradável ver gente com 16 anos indignada com o que percebe ser uma perda irreparável e ver que, tendo os grandes nomes da cultura portuguesa condenado o «acordo», este não possa ser usado senão como aquilo que é: uma saloiice de país atrasado.
Seria interessante analisar as manobras de desinformação do acordismo (os insultos dirigidos a quem não embarca na cretinice, a política do facto consumado, a mentira, etc). Diz tudo muito dos seus autores, gente que gosta pouco da democracia e se ri do estado de direito. Tem algum interesse perceber que as pessoas e os métodos para impor o acordo são os que permitem que um corrupto como Isaltino, condenado a prisão com sentença transitada em julgado se passeie por aí no que é um insulto à Lei. É que o «acordo», protegido pelos isaltinos, é, igualmente e desde logo, um insulto à lei.
C tem razão, JAA: não tarda muito lanço aqui (mais) uma série precisamente sobre isso.
“…muito embora, no caso daquela gente ansiosa por se sentir progressista, «indiferença» seja a palavra errada;”
Tem muita razão; neste caso, a palavra certa seria indiferensa. 😉
Para quem ainda tivesse dúvidas sobre a utilidade do AO, ele até serve para justificar e perdoar a ignorância do escrevinhador de autocolantes para aplicar no “Mèrror Dê-Bê-U-Dê 2007”.
Mas não só, o AO também tem as “costas largas”, como, por exemplo, quando a Iva escreveu: “Não, não vou seguir o acordo ortográfico! Vou continuar a dizer, morto e não matado. Pago e não pagado”; ver aqui: as/exclusivo-cm/iva-domingues-baralhada-c om-o-portugues
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/notici
A Iva tem pelo menos uma vantagem sobre outros opositores ao AO: apaga as burradas/borradas que escreve sobre o assunto. Também tem outras vantagens, como se pode ver na foto que ilustra a notícia do link.