De mal a pior


josegomesandre,

“Fora com a Troika”. Não há frase mais perigosa por estes dias, movida pela ilusão de que a austeridade desapareceria instantaneamente. Ilusão que seria rapidamente substituída pelo mais puro desespero, ao descobrirmos que não haveria pagamento de salários públicos nem pensões em Setembro. Cuidado com o que desejam.

8 comentários em “De mal a pior”

  1. Sempre o medo…sempre a agitação do medo e do desespero, tens medo José? é porque a vida te corre bem, se tivesses desesperado, tinhas ultrapassado essa fase.

  2. Acredito que quem profere essa frase pensa tanto nas possíveis consequências desse acto como o Bloco e o PC quando votaram contra o PEC 4 com o argumento (aliás, comum ao PSD e ao CDS) de que “já bastava de austeridade”.
    Separo os partidos da esquerda dos da direita porque estes o que queriam era substituir o PS. Já os primeiros, não sei o que queriam. Talvez “mudar as moscas”, uma vez que todas têm o direito de mexer na/fazer caca…
    Para mim, a questão não pode, ou não deve ser colocada nestes termos. Obviamente que a ruptura com a troika não seria possível sem uma ruptura do próprio regime político português. Mas entre isso e aceitar, de cócoras, que a dita troika continue a fazer de nós um laboratório e/ou um exemplo para esfregar na cara (ia dizer nas trombas…) dos gregos e (o tempo o dirá) dos espanhóis vai uma grande distância.
    Utilizando o meio termo, que é onde normalmente está a virtude, talvez não fosse disparate, por exemplo, reduzir um bocadinho as taxas de juro, bem como começar a fazer alguma coisa no sentido de recuperar a economia. Mal comparando, não nos limitarmos a dar doses industriais de medicamentos ao doente, que podem acabar por matá-lo, mas também iniciar alguma fisioterapia ao seu corpo enfraquecido…
    Todos sabemos que, para além dos cortes nas prestações sociais, isto não vai lá sem cortes substanciais nos salários (sobretudo dos funcionários públicos, quer o TC queira, quer não) e nas pensões (sobretudo nas mais altas). Porquê então demorar tanto tempo? E porquê não só não cortar como dar mais benefícios às grandes empresas?
    Não havia necessidade…

  3. Ouça, eu penso que a Troika pode continuar a auxiliar Portugal, mas emprestar dinheiro com um total de 44% de juros é insustentável. Esses juros obrigam-nos a impôr terríveis medidas de austeridade e a agravar ainda mais a situação económica portuguesa.
    Por outro lado, defendo que Portugal renegoceie a dívida, dizendo que não tem condições para a pagar já. No fim, Portugal não pagaria na primeira década, sendo que aproveitaríamos esse tempo para recapitalizar a economia e angariar capitais para podermos pagar o que devemos com menos austeridade. Este processo seria obviamente liderado por organizações externas à curropção instaurada no país e supervisionado por todas as agências da Troika. De outro modo, duvido muito que Portugal seja capaz de pagar a dívida.
    Para terminar, acho que na situação hipotética que eu referi, Portugal só poderia pedir dinheiro emprestado ao FMI e ao BCE, mas nuca poderia pedir dinheiro nos mercados a outros credores. Essa proibição não seria relativa apenas ao período em que estívessemos sob o controlo direto da Troika, mas também nos cinquenta anos seguintes, o que nos faria repensar as nossas despesas a longo prazo e obrigar-nos-ia a reorganizar todo o sistema económico e financeiro português de modo a que ele se tornasse autossuficiente (em vez de ainda mais deficitário e problemático).
    Evidentemente, essas medidas implicariam controlo a longo prazo que ninguém quer fazer. Os portugueses porque tal implicaria a diminuição dos rendimentos e da corrupção, os estrangeiros porque deixariam de ter uma economia deficitária para explorar de vez em quando.

  4. Nunca se pode analisar um simples slogan como se de um programa político inteiro se tratasse.
    É claro que, se a troica se fosse empora de um dia para o outro, o Estado deixaria de ter euros.
    Mas não é isso que se pretende. O que se pretende (da parte do PCP e do BE) é que o Estado renegoceie a dívida, ou seja, que force os credores a aceitar perderem parte do dinheiro e/ou juros. E isso parece-me a mim que será uma inevitabilidade, mais tarde ou mais cedo, porque pura e simplesmente Portugal será incapaz de pagar tudo aquilo que deve.

  5. Troika para a rua, ou melhor expulsa do país.
    E políticos e os manda chuvas dos bancos para a cadeia e os seus respectivos bens confiscados para pagar a divida que não é nada menos o que eles todos roubaram ao país e aos portugueses.
    Isso é que era bom, assim haveria justiça em Portugal.

    ISSO NÃO ERA UM SIMPLES DESEJO, ERA JUSTIÇA.

  6. “O máximo responsável da ONU pelo combate ao crime e ao tráfico de droga, o italiano Antonio Maria Costa, acusou o sistema financeiro de ter recebido dinheiro sujo como forma de resolver os problemas de liquidez que enfrentava. “Os empréstimos interbancários foram financiados por dinheiro vindo do tráfico de droga e outras actividades ilegais”, acusou ontem em declarações ao “Observer”. Ao todo, calcula em 352 mil milhões de dólares (240 mil milhões de euros) o capital ilícito que terá entrado no sistema financeiro durante a crise.

    Segundo o mesmo responsável, a ONU já viu provas de que o único “investimento líquido de capital” que foi disponibilizado a alguns bancos veio de gangues de crime organizado, algo para o qual foi alertado por agências de combate ao crime há cerca de 18 meses. “Em muitos casos, o dinheiro da droga era a única liquidez disponível. Na segunda metade de 2008, a falta de liquidez era o maior problema do sistema bancário, logo ter liquidez em capital tornou-se um factor muito importante”, salientou ao jornal britânico. Antonio Maria Costa revelou que algumas das provas a que o seu departamento teve acesso mostram que muito deste dinheiro sujo foi mesmo aproveitado para salvar algumas instituições financeiras em risco devido ao congelamento dos empréstimos interbancários. “Há alguns sinais que alguns bancos foram assim salvos”, acusa sem pruridos, negando-se porém a nomear bancos ou países que possam estar envolvidos. “O dinheiro faz agora parte do sistema e já foi lavado”, aponta mesmo.

    “Houve um momento, no ano passado, quando o sistema paralisou devido à falta de vontade dos bancos em emprestar dinheiro ao resto do sector. A progressiva reliquidação do sistema, e consequente melhoria de alguns bancos, veio tornar o problema menos sério do que chegou a ser”, referiu o Czar anticrime da ONU, conforme o “Observer” chama Antonio Maria Costa. Segundo estudos da ONU, Grã-Bretanha, Suíça, Itália e Estados Unidos são ser os mercados mais utilizados para lavagens de dinheiro.”

    Dos jornais.

  7. “O Diário de Notícias fez as contas e escreve hoje que o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, só precisa de cortar 850 milhões de euros mas está a pedir seis vezes mais. De acordo com o jornal, o Governo pediu aos portugueses um esforço de redução do défice “na ordem dos 4,9 mil milhões de euros”, um valor quase seis vezes superior à redução necessária combinada com a troika para cumprir a meta de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do défice no próximo ano.
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    Este ano, o ‘buraco’ das contas públicas deve ficar nos 5% do PIB e, como terá de cair para 4,5% em 2013, é necessária uma redução de cerca de 850 milhões de euros, bem abaixo do esforço de 4,9 mil milhões pedido por Gaspar.

    O objectivo do Executivo é evitar desvios orçamentais no próximo ano, conseguir margem para enfrentar uma recessão mais acentuada e, ainda assim, conseguir o défice de 4,5% ou até inferior, explica o jornal.”

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