
A escolha do filme de abertura do Festival de Cannes (UP) está carregada de simbolismo. Pela primeira vez, na história do Festival, é dada essa honra a um filme de animação.
A história gira em volta de um velho vendedor de balões que, viúvo e prestes a perder a casa devido à especulação imobiliária, decide realizar a aventura que ele e a mulher sonharam toda a vida.
Para isso, prende milhares de balões à casa e parte com destino à América do Sul.
Contrariando as previsões, afirmo há mais de uma década que o futuro está “a sul do Equador”, nesse continente fantástico que lentamente se vai libertando do jugo americano e dos ditadores abençoados pela Casa Branca, descobrindo as suas próprias riquezas e potencialidades.
Encaro por isso, como boas, as notícias que nos aproximam dos sul-americanos aqui trazidas ontem pela Ana Margarida Craveiro e que confirmam o que escrevi aqui.
Depois de 10 anos consecutivos presente em Cannes, terei falhado um dos filmes que melhor se coadunam com o meu projecto de futuro. Não penso ir de balão, claro, e espero abancar pelo Parque Nacional de Los Alerces, antes dos 78 anos…

Não existe pecado ao Sul do Equador, Carlos?
Não vejo a coisa tão idílica como isso, mas o Sul é sempre também o meu destino de eleição. Para viver, então, não me imagino nunca nos países do Norte.
Claro que há pecados Ana, mas como acontece com os adolescentes, a sul do Equador estão-se a formar países jovens com uma consciência diferente.~
É óbvio que o sangue que me corre nas veias e as profundíssimas ligações afectivas e profissionais que tenho a países como a Argentina. me ajudam a dourar a pílula.
Convicções? Isso é bom.
Não são convicções, João… é a experiência dos tempos que vivi na Argentina.
Percebo perfeitamente o seu fascínio pela América latina, que não conheço bem mas partilho consigo. E identifico-me facilmente com o ambiente caloroso e vivo de alguns desses países, para já não falar nas semelhanças que temos com alguns desses povos. Os chilenos, por exemplo, são parecidíssimos com os portugueses em muitas coisas.
Os chilenos são realmente os mais parecidos connosco, Ana. São os “nuestros hermanos ” do Pacífico. Os venezuelanos fazem-me lembrar os emigrantes portugueses que foram para França em massa nos anos 60
Por razões óbvias, os meus preferidos são os argentinos, mas também gosto dos brasileiros, dos peruanos (embora não aprecie o Alan Garcia…) e dos bolivianos. Fico-me por aqui, por agora…
Ficamos à espera de um belo texto (ou mais) sobre o tema, Carlos!
Nem que seja no meio do Atlântico Norte, Ana? Hehehe…
Ah, essa é outra conversa. Estava a falar de países reais, não de territórios do domínio da magia… 🙂
E a magia do Atlântico Sul?
Essa é bem real e fortíssima, Carlos. As ilhas dos Açores é que eu não tenho bem a certeza de existirem, para além da nossa imaginação… 🙂