Do
INQUÉRITO ÀS PRÁTICAS CULTURAIS DOS PORTUGUESES 2020
(https://www.ics.ulisboa.pt/…/brochura_online_pt…)
“Digno de registo é também outro aspeto: apesar de os dados mostrarem que quanto mais jovem se é, e quanto mais elevadas as qualificações académicas dos pais, maior será a probabilidade de se ter usufruído, na infância e adolescência, de experiências de aproximação ao mundo do livro e da leitura espoletadas pelos pais ou por outros familiares, importa destacar que a maioria dos portugueses raramente ou nunca desfrutou, até aos 15 anos de idade, da leitura de histórias e da oferta de livros por parte da família ou, inclusivamente, de um conjunto de práticas exodomiciliares como idas a feiras do livro, livrarias ou bibliotecas.
Sublinhe-se, porém, que no escalão etário 15-24 são em maior número os que tiveram pais ou outros familiares lendo-lhes histórias frequentemente ou algumas vezes do que raramente ou nunca. O mesmo é válido quanto à oferta de livros, com idêntica manifestação no escalão dos 25-34 anos. Entre outras razões, estes resultados, permitindo entrever um potencial sinal de mudança, podem explicar-se pelo facto de os jovens de hoje terem pais mais escolarizados do que os de gerações mais velhas e, por consequência, mais sensíveis ao valor cultural da leitura.
No que toca à frequência de bibliotecas ou arquivos (gráfico 4.6), e tendo por referência os 12 meses anteriores ao início da pandemia, assinale-se que 80% dos portugueses nunca os visitaram nesse período.”
Conclusões:
1. O parágrafo do meio mostra que, apesar de tudo, há um caminho a desenhar-se. São políticas de longo prazo, que não apresentam resultados imediatos e que só políticos com visão conseguem desenvolver, implementar. Comparar isto com políticozinhos com responsabilidades na área da cultura que dizem que não percebem para que serve uma Biblioteca aberta, é anedota. Mas que os há… há.
2. Há muito trabalho por fazer para os profissionais nesta área. Não podemos perder um só dia, porque há um mundo do tamanho do nosso país, ou vá, da terrinha de cada um, para mudar.

dividem-seem 2:
cul turais
colt urais
Se essas sondagens forem como as sondagens das eleições, não há dúvida que estamos no caminho certo.
O mundo mudou, as novas tecnologias proporcionaram aos jovens um desenvolvimento muito mais rápido que aos adultos. Essa diferença ficou muito mais acentuada na escola, em que os professores, salvo raras excepções, têm dificuldade em acompanhar.
Não é admissível que em pleno século XXI as aulas de português sejam dadas da mesma maneira de há 50 anos, com os mesmos autores, com os mesmos dois testes por período e com o mesmo processo avaliativo.
Como é que querem motivar os jovens para a leitura, se as aulas são dadas para cumprir calendário e não para facilitar o saber.
Há muito que tem de ser feito, mas a responsabilidade maior passa pela formação dos agentes educativos para esta nova realidade.
O ensino está ultrapassado, não motiva e os apelos à distracção são cada vez maiores.
Penso que em vez de se meter a cabeça na areia e fazer como sempre se fez, devia de haver uma discussão séria e coragem para mudar o que tem de ser mudado.
Também acho que não podemos adiar essa crítica e autocrítica. Assobiar para o lado já está demonstrado, à exaustão, que não serve.
E concordo com a necessidade de mudar estruturalmente a educação. O problema destas mudanças estruturais é que precisam de ser seriamente pensadas, longe das políticas e ciclos partidários e não é isso que tem sucedido. Será possível, em Portugal, criar uma comissão estratégica, com pessoas de áreas diferentes – em termos políticos, sociais, disciplinares, geográficos, etc. – que possa pensar a educação e delinear uma estratégia a longo prazo, com metas intercalares de monitorização e reorientação?
Pior ainda é alguém ter escrito “espoletadas”. Não percebem nada de como funciona uma língua.
É o que temos
Cara pessoa que assina V.,
Podem não perceber da língua mas percebem de granadas.
Espoletar é sinónimo de desencadear.
Em caso de dúvida ou persistência dos sintomas consultar o poema de Fernando Assis Pacheco, “Catalabanza, Quilolo e volta” , p.37, Centelha, 1976.”
Deixo um pequeno extracto:
“Dentro da bota uma granada espoletada
Ou seja
Pronta a mandar hein?
Tudo para as malvas”
Desculpa mas não, e nem é esse o sentido do grande Assis Pacheco. Uma granada com espoleta é uma granada à disposição, nada mais do que isso…
Sobre esta nova polémica – pois dantes toda a gente dizia (o que metaforicamente até não estava errado, ainda que tecnicamente não fosse completamente correcto) “despoletar” para iniciar algo, e agora virou moda dizer “espoletar”, o que só tem sentido como “armar uma granada” mas mais nada do que isso, pois não se enceta nada com isso – há este artigo que responde detalhadamente à flausinice que para aqui anda com este termo: https://certaspalavras.pt/despoleta r-ou-espoletar/
Dito isto, fazer um inquérito às práticas culturais dos portugueses (e abordar as questões da [i]leitura compatriota) e escrever “espoletar” é uma bimbalhice ridícula. E, como bem sabemos, o ridículo mata tanto ou mais do que as granadas neste nosso rincão tão pacífico…
Ainda mais técnico (na língua, que não no armamento) tinha já vindo Vasco da Graça Moura: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artig os/rubricas/controversias/despoletar-etc/8 87
Estamos de acordo quanto à bimbalhice ridícula da utilização da palavra espoletar no contexto em que foi utilizada.
Quanto ao significado da palavra a explicação Fernando Gomes não me convenceu.
Penso que fizemos a nossa formação militar no mesmo local (Escola Prática de Infantaria) em Mafra, nessa altura uma granada despoletada era uma granada sem espoleta, inactiva, portanto. A granada espoletada seria a granada pronta a ser utilizada (como no poema de Assis).
Reitero o que disse inicialmente são palavras ridículas para serem utilizadas no contexto de um inquérito cultural.
Cultura não é só ler livros.
Claro que não.
O relatório tem praticamente 100 páginas, eu só retire três parágrafos que me interessavam, sobre um assunto específico. Deixei o link para quem quiser ver o documento completo.
“espoletadas pelos pais”
A quem escreve “espoletadas” espero que nunca lhes caia uma granada já despoletada no prato. É pela ignição da espoleta – ficando a granada sem ela e por isso se diz despoletada – que se inicia a reação que leva à subsequente explosão daí a uns segundos.
De uma granada a que se retirou a espoleta – para efeitos de instrução militar, por exemplo – ninguém dentro do universo castrense diz que foi despoletada. Diz-se que está sem espoleta ou inactiva.
Mas isto sou eu, que não percebo nada do assunto.
Pois não.