1. Um dos textos mais interessantes e estimulantes que li, no rescaldo das eleições europeias, é este de Ana Paula Fitas. Mesmo sem concordar com tudo quanto escreve, considero que abre excelentes pistas de reflexão a justificar uma análise ponderada, à esquerda e à direita. Além de que constitui a melhor interpelação a Francisco Louçã que tenho lido na blogosfera, longe dos habituais lugares-comuns sobre o Bloco de Esquerda debitados por quem sofre de uma irreprimível preguiça na hora de pensar.
2. Pacheco Pereira, no estilo muito próprio a que já nos habituou, transforma o seu primeiro artigo de ‘análise’ do pós-europeias num lamentável estendal de ajustes de contas em que não se vislumbra uma só frase sobre a derrota do PS mas sobram parágrafos sobre as questiúnculas intestinas do PSD. Um revelador quadro – admito que a contre-coeur – do que é realmente hoje este partido que aspira a tornar-se governo daqui a poucos meses.
Pacheco investe contra os habituais ódios de estimação, nomeadamente aquilo a que chama ‘jornalismo de rebanho’´. Mas investe sobretudo contra os ex-adversários internos de Manuela Ferreira Leite, escamoteando um relevante pormenor: a escassíssima margem de progressão do PSD nestas europeias exige um partido unido, sem fracturas, nos dois próximos actos eleitorais. Exige um partido com o discurso oposto ao de Pacheco.
Será talvez lamentável, pelo menos na óptica de Pacheco Pereira, mas Ferreira Leite não poderá prescindir de Pedro Passos Coelho na lista de candidatos a deputados (talvez até como cabeça de lista num distrito, quem sabe?) nem de Pedro Santana Lopes à frente da corrida para a mais emblemática autarquia do País. Por um motivo simples: no próximo Outono cada voto conta. O de Pacheco conta tanto como o de outro social-democrata qualquer. A menos que prefira levar mais quatro anos com José Sócrates em São Bento, o que lhe deve dar matéria para trinta e sete novos artigos contra o ‘jornalismo de rebanho’.



Não é preciso combater ninguém e JPP sabe isso. Passos Coelhos e muitos outros são meras infecções oportunísticas que a mera recuperação da saúde reduz à categoria do que são: flora intestinal habitual.
Ah, Santana Lopes nada tem a ver com isto. Portou-se dignamente e além do mais vai ganhar ao Costa.
Ora bem, vejo aqui o primeiro pedido público de um lugar para Passos Coelho na lista para o Parlamento!
Mas não se preocupe o Pedro Correia, aposto em como o pedido já deve estar a ser feito pelos canais próprios e o lugarzinho está assegurado. (sim, a leitura da famosa Fenomenologia do Ser mais umas gentilezas do Diário de Noticias podem perfeitamente eleger um deputado).
E, na verdade, a campanha “PPC ao Parlamento” teve um grande avanço quando se assistiu a uma pouco discreta migração dos passocoelhistas para um blogue de nome Papa Myzena.
Penso que é exactamente contra isso (e mais meia dúzia de coisas menos óbvias mas não menos sujas)que JPP escreve e bem.
Pedido, qual pedido? Trata-se de mera constatação de facto. Alguém que vale um terço do partido, numa altura em que o PSD precisa mais que nunca de unidade interna, só pode figurar nas listas de deputados. Santana Lopes, outro ex-adversário interno de MFL, será importante na estratégia interna do partido. Bem sei que no PSD há quem prefira sentar-se ao lado de António Costa, mas lá terá que engolir este ‘sapo’. E o outro também.
concordo consigo em parte na analise que faz a Pacheco Pereira, é tempo de o PSD se unir, mas ha uma coisa que ninguem se pode esquecer, Pacheco Pereira esteve ao lado da lider social democrata, nas horas mais dificeis, quando tudo e todos a criticavam e chegando mesmo ao ponto de a ridicularizar…
eu espero sinceramente que o PSD se una, alias a Direita, mas que nunca perca a memoria…
Neste momento MFL precisa de todos os apoios internos – o de PPC, o de PSL, o de MM, o de RR e o de JPP. Mesmo assim, o combate nas legislativas será bem difícil. Pensar que o PS já está derrotado de antemão e chegou a hora de fazer ajustes de contas intramuros é um erro profundo. Que só serve os socialistas.
Caro Pedro Correia,
O “auto-elogio” do Pacheco Pereira (na versão estão-a-ver-agora-embrulhem) fica-lhe mal, mas no fundo ele tem alguma razão, e Santana Lopes (e Luís Filipe Menezes, mais tardiamente) perceberam-no bem.
Acho muito bem que o PSD se una – e deve-o fazer – mas o primeiro passo quem o tem que dar são as “facções” internas, ao darem – sem reservas – o apoio à direcção.
Pedro Santana Lopes fê-lo há uns tempos, Luís Filipe Menezes demonstrou-o durante a campanha às Europeias. Já Pedro Passos Coelho manteve aquela posição ambígua – que no nosso país se classifica de chico-espertice – de não se opor frontalmente, mas vivendo dos recados e não se compromentendo (“commiting”) com nada.
Pessoas como essas NÃO fazem falta e a Presidente do PSD, à falta de demonstração de humildade por parte das ditas cujas, deve afastá-las o mais possível.
Logo, não concordo que deve ser oferecido um lugar a Pedro Passos Coelho. Quando muito, um lugar de vereação. Quando ele demonstrar a devida humildade e se colocar à disposição da direcção (o que NÃO implica concordância cega), aí sim deve ser equacionado para ocupar um cargo que lhe seja adequado.
Meu caro,
Veremos – já não falta muito – se PPC terá ou não um lugar de candidato a deputado, em posição de destaque, nas listas sociais-democratas. Por mim, não hesito em vaticinar que sim.
A primeira análise de Pacheco Pereira a que te referes é exactamente de sentido oposto ao que a ele e ao PSD era suposto interessar: só se explica pelas «questiúnculas intestinas do PSD» que ele não consegue ultrapasswar, pelos vistos.
Creio que fui a primeira pessoa a reconhecer aqui que Pacheco Pereira tinha arriscado a sua notoriedade num apoio difícil e aparentemente incómodo a Menuela Ferreira Leite e que isso fez dele uma espécie de vencedor também das europeias. Mas parece que não lhe chega esta evidência: precisa de lembrá-la à exaustão, agudizando hostilidades internas que são gratuitas e contrariam o ciclo agora aberto.
Isso pode ter custos nas próximas eleições e pode até vir a ser a morte do artista. Ele lá saberá o que lhe convém.
Compadre, apreciei o esforço de contenção verbal de JPP nestas duas semanas. Mas ao fim deste tempo não resistiu: o silêncio era de mais para ele. Ei-lo de novo a espadeirar contra companheiros de partido e os jornalistas, como sempre tem feito, sem qualquer outra posição analítica que ultrapasse estas obsessões. Como bem dizes, isto só “agudiza hostilidades internas que são gratuitas e contrariam o ciclo agora aberto”. Não posso estar mais de acordo.
É uma pena. Esperava mais dele e, sobretudo, outra clarividência.
Pacheco Pereira não sabe viver sem a questiúncula matreira e a politiquice de vão de escada. Penso que já percebeu, há muito, que não tinha espaço para rentabilizar o seu apoio a MFL e por isso se entrteém agora com estas picardias a que MFL ( surpreendentemente, mas demonstrando bom senso) se mostra totalmente alheia.
Carlos, acho que MFL faz muito bem em não dar guita a estas picardias e estes mexericos que nem a meia dúzia de pessoas do próprio PSD podem interessar.
Pois eu, que estou de fora, vejo a mexiriqueirice a a tentativa de politica de bastidores é por aqui.
Por aqui? Olhe que não, olhe que não.
Caro Pedro Correia,
Agradeço, sinceramente!, as estimulantes, generosas e efectivamente gratificantes palavras dirigidas ao meu texto neste seu post… pela inteligência que lhe reconheço e pelo merecido prestígio do Delito de Opinião. Receba, com estima e consideração, o meu abraço amigo.
Ana Paula Fitas
Recebido, com todo o gosto. E aproveito para reiterar o meu aplauso ao seu texto.