Dá vontade de vomitar


Pedro Correia,

Foi caricato o troféu entregue pela FIFA a Lionel Messi, como melhor jogador de campo do Mundial de 2014. Logo ele, que na final contra a Alemanha se revelou um dos mais apagados intervenientes.

Em termos individuais, não tenho a menor dúvida: o holandês Robben foi o melhor jogador deste Campeonato do Mundo (acabou por ficar em terceiro na escolha da FIFA, após Messi e Müller). Mas na própria Argentina não era nada difícil encontrar quem mais merecesse ser distinguido do que o capitão alvicesleste. O excelente médio defensivo Javier Mascherano, por exemplo.

Decisões destas só desvalorizam futuros prémios e desacreditam ainda mais o organismo presidido pelo senhor Blatter. Por uma vez Maradona acertou em cheio ao protestar: “Querem que Messi ganhe algo que não ganhou.”

No decisivo confronto contra a selecção germânica, Messi voltou a vomitar. Como se já previsse que lhe dariam o mais imerecido troféu da sua carreira. Apetece seguir-lhe o exemplo.

14 comentários em “Dá vontade de vomitar”

    1. Em alta competição, Dulce, o futebol tem pouco a ver com desporto. É indústria, é comércio, é turismo, é finança.
      Que um organismo como a FIFA, que tem como objectivo, entre outros desígnios, promover a equidade como valor cimeiro do desporto seja o primeiro a violar esse nobre propósito já não surpreende ninguém.

    1. Deu a ideia que sim olhando para ele, Sérgio. Messi tinha perfeita consciência de não merecer este galardão. Cheirava quase a prémio de fim de carreira, o que é manifestamente injusto para o próprio jogador.

  1. Também estou de acordo.
    Do que vi, Robben destacou-se dos restantes.

    Parece-me de mau gosto colocarem essas imagens de Messi… deveria assinalar-se o problema – que, no mínimo, é muito estranho!
    Mas uma coisa é assinalar o problema, outra coisa é destacar as imagens… para a compreensão da sociedade actual, é despudorado, e viola o conceito de privacidade subjacente.

    1. Meu caro, não me parece que viole a privacidade do jogador porque não há local mais público que aquele: mais de mil milhões de pessoas acompanharam em directo a final.
      Eu jamais publicaria aquelas imagens, mas apenas por uma questão de bom gosto. Nada mais.
      Isso deve significar apenas que o sistema nervoso de Messi é muito mais frágil do que o argentino procura aparentar. Os grandes ídolos, em larga medida, são iguais a qualquer de nós.

      1. Não estou de acordo, Pedro.
        Uma coisa são as imagens a que se tem acesso, como qualquer espectador no estádio, à distância.
        Outra coisa são estes grandes zooms, que as televisões insistem em ir buscar.

        O avanço técnico levanta problemas éticos relativamente aos eventos vistos.
        Por exemplo, antigamente uma multidão era um conjunto de rostos anónimos.
        Hoje um câmara pode ir buscar qualquer um e destacá-lo.
        Isso é uma invasão ao anonimato natural.
        O espectador pode estar a tirar um macaco do nariz… a câmara tem direito de ir buscá-lo a meio do estádio e fazer um largo plano público disso?
        Enquanto a sociedade for sarcástica e incompreensiva com atitudes privadas, essas atitudes devem manter-se no foro privado.

        1. Meu caro, toca num ponto fundamental: todo o avanço técnico coloca novos problemas éticos.
          Em pausas do jogo é natural que a câmara procure Messi, um jogador que se destaca pela sua notoriedade ao nível planetário. Não é possível adivinhar, no entanto, que o jogador quando se afasta pela linha lateral vai vomitar (neste caso julgo que ele nem se deu ao incómodo de abandonar o campo).
          O exemplo que escolhe – do dedo no nariz – é ainda mais relevante. Acontece que o seleccionador alemão tem esse mau hábito. Várias vezes a câmara, indiscreta, o captou nisso em grandes planos; como é óbvio, o realizador não podia adivinhar que aquilo iria suceder.
          Várias vezes tenho visto também a câmara afastar-se pudicamente do homem nesse contexto. O problema, essencialmente, é dele – não da realização televisiva.

  2. Fora quaisquer considerações sobre quem foi o melhor, pareceu-me de extremo mau gosto atribuir os troféus logo a seguir à final. Mesmo que Messi tivesse sido de longe o melhor ao longo do mundial, dar-lhe um prémio quando acabou de perder aquele que mais queria só pode ser de mau gosto. ou se tivesse sido ao contrário, darem o prémio de melhor guarda-redes a Neuer caso a Argentina tivesse ganho a final. Ainda pior porque o melhor marcador nem sequer por ali andava (provavelmente estava numa praia qualquer a gozar um merecido descanso).

    Uma vergonha autêntica.

    1. Foi de um mau gosto inacreditável. Ainda por cima – ficámos agora a saber – esse prémio resultou de um patrocínio directo de uma marca de sapatilhas. Nada a ver com critérios desportivos. Pura manobra comercial.

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