Este texto de Paulo Gorjão toca no nervo. Não basta dizer que há ideias diferentes: as alternativas políticas têm de ser exequíveis e sensatas. Para demonstrar esta lógica, basta observar a agonia da Grécia, onde um partido da esquerda radical atingiu o poder prometendo um programa que se revela impossível de cumprir. Existe tensão entre democracia e interesse colectivo europeu? De facto, esse tem sido o caso ao longo da Grande Crise, mas será democrática uma promessa que não pode ser cumprida? Quando um governo sobe ao poder sabendo que são impraticáveis as medidas que propõe, estamos perante uma fraude, sendo hipócrita a afirmação de que as pressões externas atraiçoam a democracia. Enquanto a zona euro não estiver estabilizada, não haverá transferências directas sem união política ou ajudas a países sem planos de reformas estruturais (como se evita que o devedor volte a pedir emprestado se não acabar com as suas debilidades?). Os países credores não abdicam do princípio do controlo democrático sobre os impostos que usam para financiar outros membros da moeda única. Nesta Europa, não há países ou governos com mais legitimidade democrática do que os outros e não é possível à Grécia ou a Portugal forçar a alteração das regras colectivas (quem o disser está a enganar a opinião pública). Assim, se uma proposta política sobre o futuro do país não cumprir o Tratado Orçamental, estaremos perante um desafio à ordem europeia existente ou perante uma mistificação. A alternativa, só por si, não chega, tem de ser uma alternativa possível.


Autarcas gregos estão furiosos e admitem processar o Estado por causa do decreto-lei que na segunda-feira obrigou vários organismos públicos, incluindo entidades do poder local, a transferir todas as reservas de tesouraria das respetivas contas em bancos comerciais para a conta geral do Estado central grego no Banco da Grécia. A medida deve garantir ao Estado entre 1,5 e dois mil milhões de euros, o que permitirá aliviar o sufoco financeiro do Estado.
“Nenhuma autarquia deve depositar um euro que seja no Banco da Grécia”, afirmou Ioannis Lolos, presidente da Câmara de Igoumenitsa, no noroeste da Grécia. Citado pela agência Associated Press, o autarca diz que podem ser organizados protestos contra o governo e que será tomada “toda e qualquer ação legal e política” para lutar contra esta medida.
(Observador)
A sua reflexão trouxe-me à memória isto: 3yI
https://www.youtube.com/watch?v=EjGW68YV
Parece-me que Passos Coelho em matéria de PEC´s e de cumprimento de promessas superou Sócrates.
Claro, a troika. E para fugir a ela era necessário andar além dela.
Parece-me que as regras da prudência foram aplicadas actualmente por Costa. Pediu a elaboração de um estudo e submete-o à consideração dos parceiros e da opinião pública antes de apresentar uma proposta de governação.
É óbvio, e estamos de acordo, que afinal quem pretende romper com a tradição de aldrabar e apelar somente aos clubismos sujeita-se a não ser bem aceite. Em particular pelas contrapartes.