Da rua


Adolfo Mesquita Nunes,

Não estou, nem de perto, entre aqueles que evitam a esperança do que se passa no mundo árabe nos dias que correm. Mas se há caminho que não percorro, nem aqui nem noutros casos, é na leitura unívoca da rua. As manifestações espontâneas de rua abarcam milhares ou milhões de vontades, muitas delas incompatíveis e não é possível dar-lhes uma única orientação. Aliás, momentos como este, se acaso se eternizam, derivam sempre em ditadura, porque um Estado não consegue cristalizar permanentemente essas reivindicações, e estas quando se colam a um regime, morrem, confundindo-se com ele perdendo a sua razão de ser. 

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