Tenho visto por aí algum brado a propósito das declarações deste senhor GNR. Que é insensível, que não respeita os mortos e suas famílias, etc., etc., e dá-me vontade de perguntar: mas a sério que vivemos no mesmo país? A sério que vivemos todos num mesmo país onde gente com bem mais de um copito em excesso pega no volante, onde o limite de velocidade é uma coisa para totós, onde os piscas a assinalar ultrapassagem são uma coisa que se usava no dia do exame de condução?
Em Portugal, andar na estrada é um desafio constante à vontade de querer ver nascer o dia seguinte. Mas ninguém o diria, a avaliar pela certeza de que há um Senna em cada um de nós. Os sacanas dos polícias é que andam à caça da multa, uns palhaços. Depois a curva estava no sítio errado, começou a chover, os pneus ou os travões falharam. Inevitavelmente, depois de fins-de-semana de festa, temos as listas de mortos e feridos graves, a mostrar que entrar num carro é causa de morte. Mas a fantástica lógica destes Schumachers de trazer por casa consegue sempre distorcer qualquer noção de responsabilidade individual. E os trágicos números não são mudados por esta distorção.

Sei que os tempos não estão para grandes optimismos mas o futuro pode estar nas nossas mãos se soubermos exercer os poucos direitos que ainda nos restam. Aqui deixo o meu desejo de um 2012 tão bom quanto o possível.
Kaos
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“A maioria dos mortos nas estradas, em Portugal, nada fez para morrer. Estavam simplesmente no local errado à hora errada.
Ou são ocupantes das viaturas, ou são peões, ou vão numa outra viatura que não a causadora do acidente.
Quase sempre e só, há um único culpado. UM condutor. Uma única pessoa, portanto.
E é sabido que muitas vezes, o condutor que provoca o acidente, que envolve duas ou mais viaturas, nem sequer morre. Mesmo nos despistes, é frequente morrerem os ocupantes e o motorista fica vivo. Morrem muitos penduras de mota, que não tiveram de certeza culpa nenhuma do que lhes aconteceu. Também é sabido que muitos dos acidentes de mota, são causados por terceiros, que normalmente saem impávidos e serenos.
Este senhor desconhece estes factos? É estranho, porque se há tantos anos aparece nas tv’s, é porque supostamente teria a competência para o fazer… não tem, como se confirma.
A cobertura dos meios de comunicação às “saídas em massa” para as estradas, é ridícula. Há mais congestionamentos no IC 19 todos os dias, que num fim de semana de natal, ou páscoa, ou férias em agosto.
Comparar numeros, de uns anos para os outros, é a coisa mais parva e absurda.
Estas grandes operações mediáticas, têm outro objectivo e não são aquilo que nos impingem.
Faço milhares de kms por ano por todo o país, e raras vezes vejo viaturas da gnr. Minto. Nas AE’s costumam estar muitas, paradas em locáis estratégicos (leia-se grandes rectas) a tirar fotografias, para mais tarde facturar.
Isso sim é prevenção a sério.
Pergunto-lhe Ana, se um seu familiar fosse na sua faixa de rodagem, a cumprir o código da estrada, e de repente, numa curva, um carro aparecesse em contra mão, porque o condutor lembrou-se de ultrapassar um semi-reboque sem o poder fazer, e que esse seu familiar, ao tentar evitar a colisão, entra em despiste, indo embater no semi-reboque que também tudo fez para evitar o acidente, e que no meio deste aparato, o causador do acidente, foge, sem quasisquer consequências.
Esse seu familiar morre.
Pois bem, pelas palavras deste senhor, o seu familiar era um sacana sem excrúpulos, que teve sorte em morrer, porque senão pelo menos da multa, não se livrava.
Isto é o que acontece em grande parte dos acidentes.
E este senhor sabe disso.