
Primeiro, não havia crise. Depois havia crise, mas Portugal estava imune aos seus efeitos. Em seguida, Portugal já não estava imune, mas estava preparado para enfrentá-la. Depois já não estava assim tão preparado, mas foi o primeiro país a sair da crise. Em seguida aceitou-se que a crise continuava, mas logo se afirmou que era igual em todo o lado. Depois já não era igual em todo o lado e Portugal estava muito mal, mas a culpa era do ataque especulativo.
A próxima frase desta rábula está por escrever, mas há uma constante manifesta em todo o processo: as autoridades políticas (e a esmagadora maioria dos “analistas”) preferiram negar sistematicamente a realidade do que reconhecer a sua indiscutível evidência. Enxovalharam os críticos com epítetos que variaram entre “negativistas”, “velhos do Restelo” ou o elevado “xéxés”, mas nunca se dispuseram a avaliar as suas próprias incongruências. Diz-se por aí que um dia destes batem com a cabeça na parede. O problema é que já bateram e estão com um hematoma tão grande que não há curativos à vista.

Tens toda a razão. E abunda material histórico por aí onde nos podemos documentar abundantemente em abono da tua tese. Nomeadamente o blogue pró-governamental Simplex e o blogue de Sócrates, Câmara Corporativa.
Uma das pessoas que mereceu esses epítetos de que fala foi a Manuela Ferreira Leite. Foi, ao contrário da banda socretina, uma péssima comunicadora, mas estava cheia de razão. Os factos agora falam por ela.
Por mim mandava-os todos para o insuportável Dr. Phil, que adora botar sentenças sobre “denial” e era um castigo bem merecido. E podiam ficar por lá depois de curados. Nunca fiando.