Crise de liquidez na banca angolana


José Maria Gui Pimentel,

Tem sido pouco noticiada a restrição à transferência de capitais para fora de Angola. Não se trata de uma restrição oficial, mas é o que acaba por acontecer efectivamente: é hoje virtualmente impossível para um particular transferir dinheiro para fora de Angola pelas vias oficiais.

Tudo começou com a recente crise económica, provocada pela queda do preço do petróleo, e que se repercutiu na taxa de câmbio do kwanza, que já está perto dos 110 kwanzas/dólar. Sucede que esta é apenas a taxa oficial, fixada pelo banco central. No mercado paralelo, o dólar é vendido a 170-180 kwanzas, um valor muito superior. Ora, os bancos comerciais são obrigados a converter kwanzas em dólar a uma taxa em torno da oficial, e porventura será este o motivo para recusarem a transferência aos clientes: estariam a perder dinheiro. Por outro lado, a própria liquidez deverá estar bastante apertada, numa altura em que os mercados internacionais se fecham e o banco central deverá dosear a cedência de reservas, elas próprias depauperadas pela crise do petróleo.

Os próximos tempos serão, tudo indica, difíceis para quem confiou no ‘sonho angolano’.

0 comentários em “Crise de liquidez na banca angolana”

  1. Em África existem dois países que podem ser considerados de referência para um investimento seguro e com equilíbrio. São eles a África do Sul e o Quénia.

    Nos restantes só pode existir negócio oportunista, de oportunidade. Porquê? Porque não vejo que as prerrogativas que determinam tal equilíbrio e segurança tenham vindo a ser implementadas:
    Saúde, educação e diversificação económica que determinem uma sã alternância governativa.

  2. Bem avisei o Salgado para não levar tantos milhões para Angola.

    Ali nem tudo o que brilha é feijão branco.

    Ali o dinheiro é como manteiga em focinho de cão.

    Mas há 40 anos, ninguém acredita em mim.

    Muitos ainda pensam que tenho inveja dos que vão para lá agora substituir-me.

    Os retornados eramos insubstituíveis, ninguem sabia como nós como «explorar os pretos»

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *