Tem sido pouco noticiada a restrição à transferência de capitais para fora de Angola. Não se trata de uma restrição oficial, mas é o que acaba por acontecer efectivamente: é hoje virtualmente impossível para um particular transferir dinheiro para fora de Angola pelas vias oficiais.
Tudo começou com a recente crise económica, provocada pela queda do preço do petróleo, e que se repercutiu na taxa de câmbio do kwanza, que já está perto dos 110 kwanzas/dólar. Sucede que esta é apenas a taxa oficial, fixada pelo banco central. No mercado paralelo, o dólar é vendido a 170-180 kwanzas, um valor muito superior. Ora, os bancos comerciais são obrigados a converter kwanzas em dólar a uma taxa em torno da oficial, e porventura será este o motivo para recusarem a transferência aos clientes: estariam a perder dinheiro. Por outro lado, a própria liquidez deverá estar bastante apertada, numa altura em que os mercados internacionais se fecham e o banco central deverá dosear a cedência de reservas, elas próprias depauperadas pela crise do petróleo.
Os próximos tempos serão, tudo indica, difíceis para quem confiou no ‘sonho angolano’.

Em África existem dois países que podem ser considerados de referência para um investimento seguro e com equilíbrio. São eles a África do Sul e o Quénia.
Nos restantes só pode existir negócio oportunista, de oportunidade. Porquê? Porque não vejo que as prerrogativas que determinam tal equilíbrio e segurança tenham vindo a ser implementadas:
Saúde, educação e diversificação económica que determinem uma sã alternância governativa.
Bem avisei o Salgado para não levar tantos milhões para Angola.
Ali nem tudo o que brilha é feijão branco.
Ali o dinheiro é como manteiga em focinho de cão.
Mas há 40 anos, ninguém acredita em mim.
Muitos ainda pensam que tenho inveja dos que vão para lá agora substituir-me.
Os retornados eramos insubstituíveis, ninguem sabia como nós como «explorar os pretos»