
Qualquer interpretação sobre a guerra da Ucrânia que não acompanhe a visão dominante dos meios de comunicação é recebida com intolerância, mas vamos lá tentar sair um bocadinho da lenda. A Ucrânia arrisca-se a ser um estado falhado ou um protectorado euro-americano que levará 40 anos a sair da pobreza. Em Abril do ano passado, houve uma hipótese de paz desigual, mas pressões ocidentais acabaram com o processo. Isto, por exemplo, ainda não está explicado. Entretanto, morreram pelo menos outras cem mil pessoas. O conflito terminará provavelmente num armistício segundo o modelo coreano, com uma fronteira mais ou menos igual à que se negociava há um ano, mas é difícil escrever estas coisas sem receber insultos.
A Rússia não pode abdicar da Crimeia nem retirar o apoio aos russófonos separatistas. Esta é uma questão histórica complexa, (há muita literatura, mas quem estiver interessado deve ler isto). A Crimeia está empapada de sangue russo derramado ao longo de três séculos. Não há nenhum líder do Kremlin que possa abdicar daquele território, sobretudo entregue de bandeja aos Estados Unidos. É como perguntar em Washington que interesses vitais da América podem ser cedidos à China (Florida, Porto Rico, o Panamá?).
Quando entramos nas subtilezas, o assunto torna-se ainda mais complicado. Antes da invasão russa, o exército ucraniano estava a ser armado e a intenção era expandir a NATO, colocando a fronteira da aliança a escassos 400 quilómetros de Moscovo. Em Março de 2021, o presidente Zelensky da Ucrânia assinou um decreto a ordenar ao seu exército que recuperasse os territórios perdidos (Crimeia e repúblicas separatistas); em Novembro de 2021, houve um acordo com os Estados Unidos de apoio militar, onde se dizia que a Crimeia “jamais” seria russa. Em 2014, ocorrera a chamada “revolução de Maidan” que foi, na realidade, o derrube de um governo eleito, no âmbito de um conflito antigo entre nacionalistas e pró-russos. Na argumentação a preto e branco, é geralmente omitido que existia uma guerra civil na Ucrânia desde essa data e que o governo bombardeava a sua própria população.
A ideia de um regime democrático exemplar é um mito: companhias ocidentais estavam num processo de compra de terras (as mais férteis da Europa), e havia na Ucrânia muitos nostálgicos do nacionalismo de Stepan Bandera, a Ucrânia para os ucranianos. Isto significa apenas metade da população de 1991 (agora talvez dois terços), o resto emigra ou aceita. Escrever estas coisas é hoje equivalente a ser comunista e merece imediata conotação com os reaccionários de Moscovo.
Não se pode escrever que em 2022 o maior partido da oposição foi proibido na Ucrânia, televisões russófonas foram encerradas, que a igreja ortodoxa tradicional (dependente do patriarcado de Moscovo) é perseguida sem luvas, como são destruídos os livros em russo. Também não se pode dizer que os serviços secretos ucranianos prendem meia dúzia de pessoas por dia (por dia!) acusadas de “colaboracionismo” ou de “espionagem”, para não falar do recrutamento forçado ou da desmoralização dos soldados enviados para o talho do Donbass.
Em Moscovo, este é um conflito existencial: em caso de derrota, o império será desmembrado, por isso a derrota não é um cenário. A Rússia vai separar-se do Ocidente e os europeus perdem acesso a energia, fertilizantes, comida e minerais baratos. O comércio será limitado. O gasoduto que levava gás natural a preços ultra-competitivos da Rússia para a Alemanha pelo Báltico foi destruído à bomba. A Europa sai de tudo isto dividida e humilhada e a Ucrânia é o campo de batalha entre dois impérios.

No início do conflito, o presidente Biden foi claro: o objectivo do Ocidente é mudar o regime do Kremlin.
Ele disse tal coisa?! Isso é linguagem própria dos neoconservadores, que me admira muito que Biden tenha adoptado. Por favor dê um linque comprovativo.
Ele não disse isso.
Ele não disse bem isso.
Ele disse:” este homem não pode permanecer no poder”.
Isto foi na sequência de Bucha,…
a Ucrânia para os ucranianos. Isto significa apenas metade da população
Quer dizer que somente metade da população da Ucrânia são ucranianos?!
Eu diria que, a priori, toda a população da Ucrânia é ucraniana.
Se o Luís Naves diz que não, então tem que definir o que é um ucraniano.
Repare que o próprio presidente da Ucrânia é um judeu cuja língua materna é o russo. No entanto, considera-se a si mesmo (creio eu) como ucraniano. O facto de uma pessoa ter como língua materna o russo, e de ser de etnia judaica, não impede que essa pessoa possa e deva ser considerada ucraniana.
‘ o freguês que se segue … ‘
os europeus perdem acesso a energia, comida e minerais baratos
Pois, isso é que é grave, do meu ponto de vista. Lá se quem manda na Crimeia e no Donbass é o estado russo ou o estado ucraniano, a mim tanto se me dá.
A Europa toda desde o princípio da guerra só dá tiros nos pés, defendendo os interesses de outrém em vez de defender os seus próprios.
No próximo ano vão-nos pedir que voltemos a votar neles. Eu não o farei. Votarei no pior adversário deles que conseguir encontrar.
Quer o postal quer os “links” são claramente alinhados. Aliás o autor do postal já mostrara em anterior postal, o que pensava. Está no seu direito.
1. É verdade que se derramou muito sangue russo na Crimeia mas falta o resto da informação.
A população da Crimeia – desde há muito tempo, não sei quanto – não eram russos mas tatars. Os soviéticos pura e simplesmente mataram muitos e expulsaram o resto. Quando – disparatadamente é certo – a Crimeia foi incluída administrativamente na República Socialista Soviética da Ucrânia, alguns começaram a regressar. Depois de 1991 muitos mais o fizeram. Desde que a Rússia retomou a Crimeia em 2014 que são recorrentes as notícias de prisões arbitrárias e perseguição política.
Os factos simples são:
– Os tatars da Crimeia, com língua e religião diferentes das russas, são quem tem direito histórico a aí residir e, preferencialmente, com alguma autonomia ou estatuto especial;
– Sob o governo autónomo consentido pela Ucrânia, viveram aparentemente sem problemas;
– Sob os governos russos, soviético e actual, foram perseguidos e negaram-lhes direitos básicos.
Por isso, respeitando embora o direito de cada um se alinhar como entende e publicar o que entende, eu entendo discordar e, mais do isso, denunciar.
Quer denunciar um texto que não percebeu bem. Os tártaros da Crimeia foram reprimidos por Estaline, sim, mas a população é russa e há uma base naval. Não há nenhum governo russo que possa ceder a Crimeia. O resto são histórias da carochinha. A queda de Sebastopol seria uma calamidade impensável para a Rússia e desencadeava o uso de bombas nucleares tácticas. Se a Rússia perder esta guerra, terá a terceira guerra civil da sua história: na primeira guerra civil, com polacos em Moscovo, morreu metade da população; na segunda guerra civil morreram 5 milhões. Passamos o tempo a discutir detalhes insignificantes. A Rússia só abandona a Crimeia com os pés para a frente e, antes disso, o nosso futuro será brilhante, no sentido literal do termo, com uma súbita explosão de luz.
Em relação aos links. Este conflito tem duas interpretações. A primeira é martelada todos os dias pela comunicação social e afirma que isto é uma guerra entre bons e maus. Prefiro a segunda tese, que olha para isto como o conflito entre dois impérios, Estados Unidos e Rússia, sendo a Crimeia o ponto mal resolvido no final da Guerra Fria. Não esquecer que a conferência de Ialta, em 1945, que lança a ordem mundial existente, foi realizada na Crimeia. Escrever sobre a guerra da Ucrânia tornou-se difícil devido ao clima de intolerância que rodeia quem se atreva a sair da linha maioritária. Lendo o seu comentário, eu tinha a obrigação de colocar aqui as duas teses, com o tempo de antena medido ao milímetro. Acontece que a minha opinião é diferente e posso defendê-la. Azar meu, habituei-me a pensar pela minha cabeça. A alternativa é escrever com pinças, não dizer o que penso. Posso escrever aqui coisas suavizadas, mas não vejo o interesse.
Caro Luís Naves,
Está guerra entre dois impérios foi iniciada por quem?
Foi os Estados Unidos da América ou a Rússia a invadirem a Ucrânia?
(concordo com alguns aspectos da sua tese mas depois parece-me que se espalha ao procurar explicar quem é o agressor e o agredido)
Se tirares a pala do olho talvez consigas perceber que esta guerra iniciou-se em 2014, altura em que os EUA patrocinaram um golpe de estado que levou à mudança de regime na Ucrânia.
Isso é muito rebuscado.
Os ucranianos sabem o que é melhor para o país deles e ao contrário de outros não optaram por um presidente fantoche da Rússia.
Se fosse só a pala do olho !? …… acrescente-lhe o deficiente funcionamento da massa cinzenta, provavelmente afectada pelo grafeno da vacina experimental, sei lá!
O discurso riscado dos coitadinhos foram invadidos pelos piratas, já enjoa. Pois se houvesse um pingo de seriedade e menos preconceitos, questionariam o PORQUÊ da invasão, analisariam as diversas causas que culminaram na invasão, que parte delas, o Luis Naves já sublinhou.
AF
Não sei se não percebi bem, se percebi bem demais. A Crimeia ucraniana tinha um estatuto de autonomia avançada. Sob a Rússia não tem.
Sevastopol estava arrendada por 20 anos renováveis e não vi o governo autónomo muito menos o de Kiev porem essa condição em risco.
Nada impede que a Crimeia, sob domínio político ucraniano e/ou patrocínio internacional, seja desmilitarizada. Como nada impede que o arrendamento de Sebastopol possa ser reforçado com garantias internacionais mas ao mesmo tempo, assegurando que a Rússia não utiliza Sevastopol para encerrar o estreito de Kerch e, muito menos, para bloquear Odessa.
Agora o domínio russo da Crimeia, anula uma autonomia que tudo aconselha e violenta um povo com direitos históricos.
O desmembramento da Rússia é possível e indesejável mas não pode servir para legitimar prepotências. É exactamente o mesmo que a ameaça nuclear. “Deixem-nos fazer o queremos se não será muito pior”. Há majores-generais que assim pensam. Eu não.
violenta um povo com direitos históricos
Estou a ver o Francisco Almeida muito preocupado com a história e com os povos.
Seria bom que usasse a mesma bitola noutros casos, sei lá, o povo palestiniano que tem direitos históricos à Palestina, o povo judeu que também os tem, o povo saarauí (será que ele existe?) que tem direitos históricos ao Saara Ocidental, o povo cabila que tem direitos históricos a uma parte da Argélia, e etc.
Os conceitos da história e de povo são muito manipuláveis, como o Francisco Almeida sabe. Há quem negue que o povo palestiniano exista (são somente sírios do sul, dizem), também se pode dizer que o povo judeu não existe (não se sabe quem é judeu e quem deixa de ser), etc. E quanto à história, é melhor nem falar dela.
A Rússia é uma federação de muitas repúblicas, com variados graus de autonomia. Essas repúblicas protegem, em grau variado, os diversos povos da Rússia. Nada impede que o povo tatar da Crimeia seja protegido no interior de mais uma república da Rússia.
“Nada impede que o povo tatar da Crimeia seja protegido no interior de mais uma república da Rússia.”
Nada impede mais foi brutalmente agredido por Stalin e não tão brutalmente mas agredido por Putín após 2014. Nada impede é uma constatação lógica. Para ver se corresponde à verdade, há que observar a realidade (verdade, por definição é a adequação do conceito à realidade). Já aconteceu duas vezes e, se não for corrigido, vai continuar a acontecer. Juridicamente, recorre-se a presunções quando não se conhece directamente um facto. Neste caso, russos atacaram os tártaros da Crimeia, anos depois, voltaram a fazê-lo. A presunção é que assim continuarão.
Mas o sr Balio, parece que nem aprecia direito nem filosofia. Vamos então ao paralelo da física. Um corpo não altera o seu movimento sem acção de uma força exterior. Fora dos ISCTEs aceita-se que fenómenos políticos replicam muitas leis naturais, neste caso a da inércia. Isto é, se ninguém para Putín os tártaros da Crimeia, continuarão a ser lixados.
Por último “the last but not the least” eu não tenho nem obrigação nem satisfações a dar a si ou a quem quer que seja quanto às minhas preocupações ou não com os direitos de povos minoritários. Mencionei os tártaros da Crimeia como argumento menor face ao maior da utilização pela Rússia da Crimeia como base para inviabilizar a Ucrânia. Nem sequer defendi a saída da Rússia de Sebastopol, nem vedar o seu acesso ao Mar Negro por um porto em que as águas não gelam.
E quanto aos povos oprimidos, deixo-lhe uma confissão gratuita. Quando Trump tomou a medida – desumana quanto a mim – de retirar as tropas americanas e deixar os curdos sujeitos à agressão turca, quase que chorei. Mas não espero nem que compreenda nem sequer que acredite.
Eu leio na wikipedia que a Crimeia tem uma população de 2,5 milhões, e que no censo ucraniano de 2001 (já muito destualizado, mas é o melhor que há) cerca de 250 mil habitantes de Crimeia se declararam tátaros.
Ou seja, 10% da população da Crimeia é tátara. Para o Francisco Almeida, porém, a história concede a essa pequena minoria direitos sobre a península. É um uso curioso da história…
Não há uma wikipedia mas várias. No mesmo tópico, umas têm informação mais desenvolvida, outras são mais fiáveis, outras têm a informação mais recente.
A população tártara da Crimeia é de muito difícil compilação quer total quer localmente. Os activistas apontam para 6 milhões, provavelmente muito exagerado, mas estimativas de 2,5 a 3 milhões parecem razoáveis. As últimas estimativas apontavam para 15% população da Crimeia há pouco tempo, já incluindo algum de dois movimentos: russos que se estabeleceram depois de 2014 e tártaros que saíram. Algum mas não todo pois é um processo em curso.
Mas também é razoável admitir que com garantias e estabilidade regressem muitos mais, sobretudo da Turquia onde não se têm integrado bem. Podem assim vir a atingir ou ultrapassar 50% da população da Crimeia.
É, que me lembre, a segunda vez que tenho de o advertir para leviandade (na melhor hipótese) de interpretação do que eu escrevi. Nunca atribuiria direitos a nenhuma minoria SOBRE a península mas NA península. Esta, a península, deveria ter alguma autonomia e, dentro desta, os tártaros deveriam ter um estatuto próprio (essencialmente para protecção de língua, cultura e religião). Aliás exactamente o mesmo que preconizo para o Donbass onde o problema, antes da invasão, era muito menor, por serem menores as diferenças de língua, cultura e religião.
Foi preciso mais de um ano para que alguém tivesse a coragem de escrever isto, no blogue mais destacado no SAPO.
Contudo, este tipo de opinião nunca será destacada, ao contrário daquelas que o SAPO preferiu destacar muitas vezes, incluindo hoje.
Como começou por dizer – e bem – quem não acompanhar a visão dominante é recebido com intolerância e é automaticamente “silenciado”.
Quando o realismo se equipara a subordinação ao poder, ele há quem se indigne?
Que coisa estranha!
Toda a herança da União Soviética é um pântano, produto desse cancro a que chamam comunismo e que muito justamente dizem ser utopia pela boa razão de ser lugar impróprio para humanos.
Conhecer a Rússia ou Ucrânia pós-soviética é um mesmo pântano de oportunismo e de oligarcas.
O que foi a política do Putin?
Institucionalizar um poder político arregimentando esses novos boiardos sob vigilância de uma polícia que controla envenenamentos e quedas de janelas.
O que permanece é a noção de império, e esta tanto se serve do comunismo como da oligarquia para estruturar o poder imperial. E os oligarcas ucranianos foram chamados a essa missão e alguns deles alimentados com riqueza originada na Rússia.
Que em 2013 e 2014 essa corrupção foi denunciada na Ucrânia e ameaçou o Império, é um facto.
E o Império reage sob qualquer pretexto e nada lhe basta; e se hoje o pretexto é histórico e linguístico, já se quer fazer ideológico, porque imperium nunca basta.
Este post de Luís Naves é o seu ponto de vista bem argumentado.
E terá as suas razões, com o estudo que apresenta. E haverá “qualquer coisa esquisita” com o atraso/protelamento da promessa da Ucrânia entrar na NATO e UE por dificuldades de ordem democrática da governação ucraniana.
Só faltava, agora, com a publicação do post, Luís Naves ser chamado de putinista a soldo do Kremelin e outros apupos disparatados pelo pretenso provedor de serviço.
José da Silva
claro que é disparatado. E o José levanta um problema interessante: vamos imaginar que há um cessar-fogo esta semana; se a Ucrânia entrasse na UE, uma parte do seu território estava sob ocupação externa, como no caso de Chipre (portanto, podemos admitir); mas na NATO, era difícil, pois isso implicava a adesão de uma país tecnicamente em guerra.
2. Uma mentira repetida, em política tende a tornar-se verdade. E é um facto que a Rússia, a soviética e esta de Putín, têm batido aos pontos o Ocidente na guerra da propaganda.
Hoje já ninguém duvida que a Ucrânia é culpada do incumprimento de Minsk 2; e muito poucos recordam que em 1994, a troco da Ucrânia devolver as armas nucleares no seu território, a Rússia garantiu a inviolabilidade das fronteiras da Ucrânia o que incluía a Crimeia. Repito, que incluía a Cimeia. Note-se que estavam na Ucrânia cerca de um terço das ogivas da ex-Rússia soviética e, mais do que isso, a Ucrânia tinha capacidade de desenvolver armas nucleares, a que renunciou.
É verdade, como diz Luís Naves, que o “Maidan” apeou um presidente eleito mas o que não diz são várias coisas. Que esse presidente foi eleito após a morte por assassínio do seu opositor. Que esse presidente eleito, pró-russo, tomou decisões fora das suas competências constitucionais e estava em conflito aberto com o parlamento, com todos os partidos menos um. Que com conflitos nas ruas há dois ou três meses anunciou na televisão que tinha chegado a acordo com os partidos, para, no dia seguinte, fugir de helicóptero para a Rússia.
Também é de salientar que, após o Maidan, efectuaram-se eleições presidenciais que legitimaram o regime.
É verdade, como diz Luís Naves, que a Ucrânia estava em guerra civil e, não disse mas podia ter dito que existiam nazis a combater pelo nacionalismo ucraniano. Mas o curioso é que também haviam judeus a fazer o mesmo, o que só faz sentido se os separatistas do Donbass conseguissem ser inimigos de ambos. Não faço a menor ideia de quantos ucranianos de origem russa no Donbass são efectivamente comunistas e saudosistas do império soviético mas que são eles que dominam a cena, disso não tenho dúvidas. Apenas chamo a atenção para o facto de em 2022, quando declararam as independências, terem adoptado os nomes de Repúblicas Populares e incluído nas bandeiras vermelhas, a foice e martelo soviéticos. Significativo também que na Duma (câmara baixa russa) foi o partido comunista que propôs uma moção a pedir a Putín para reconhecer as independências.
Como não tenho qualquer dúvida que Putín desde 2014 infiltrou o Donbass com soldados descaracterizados das Forças Especiais – indectáveis entre uma população de origem e língua russa – e que sustenta o conflito com armas e munições. Seria absurdo admitir que separatistas civis, mesmo que organizados em milícias, pudessem resistir 8 anos ao exército ucraniano.
É o próprio Luís Naves que diz que havia uma guerra civil e eu estou de acordo. Já considero ou lapso ou desonestidade intelectual, acusar o governo ucraniano de bombardear o seu povo, num quadro de guerra civil. Pergunto se Luís Naves também considera que o governo de Madrid entre 1936 e 1939, também bombardeava o seu povo. E outros exemplos não faltam, até na Guerra da Secessão americana.
Só não estou de acordo com a sua afirmação de que foi a Ucrânia a violar os Acordos de Minsk 2 de 2015-
O Acordo de Minsk 1, proposto pelo Presidente da Ucrânia na altura, Petro Poroshenko, além dos 12 pontos nele estabelecidos, previa um cessar-fogo entre o exército ucraniano e os separatistas russos, que não foi respeitado por ambas as partes, e que depois de pesadas baixas nas tropas da Ucrânia, levou à adopção do Acordo de Minsk 2 de 2015 que entre os seus 13 pontos, previam a descentralização de Donetsk e Lugansk, o direito à “autodeterminação linguística” (restritivo à autodeterminação linguística e nunca à qualquer outro tipo de autodeterminação) à nomeação de procuradores e juízes, e eleições locais.
Em contrapartida, e como elemento decisivo dos acordos, porque se tratava à luz do direito internacional do respeito pela integridade territorial da Ucrânia, esta tinha de retomar o controlo da fronteira com a Rússia, que esta nunca respeitou e, de certo modo, impeditiva da plena realização por parte da Ucrânia dos outros pontos do Acordo, como aliás o demonstrou a persistência do conflito entre as forças ucranianas e as forças separatistas apoiadas pela Rússia.
Ou seja, mais uma vez a violação do Acordo de Minsk 2 de 2015, foi de ambas as partes, e parece-me que a mais flagrante violação do mesmo, foi a do Presidente russo ao reconhecer a independência, nela não prevista, dos territórios separatistas pró-Rússia, de Donetsk e Lugansk.
Vou mesmo mais longe, com ou sem violação do Acordo de Minsk 2 de 2015 por parte da Ucrânia, esta seria na mesma invadida pela Rússia de Putin.
A minha afirmação foi exactamente no sentido de ser mais uma mentira repetida e que hoje toda a gente acredita. Desculpe não ter sido claro mas se reler percebe a ideia.
Vou muito mais longe. Minsk 2 tinha condições gravosas para a Ucrânia que teve de assinar por estar sob pressão financeira e o empréstimo de que necessitava estar dependente dessa assinatura. Factos simples, o cessar-fogo e a troca de prisioneiros ocorreram sem problema, o primeiro com pequenas violações sistemáticas de ambos os lados. Mas a linha de demarcação ao longo do rio colocava em risco a possibilidade da exportação de cereais por essa via. E ainda a proibição numa faixa de 15 km para cada lado de armas de calibre superior a 110mm, significava na prática que o exército ucraniano jamais teria capacidade de garantir o trânsito fluvial, muito menos de transpor o rio.
Como muito bem disse, o que fez a Ucrânia assinar foi o reconhecimento do seu direito a guarnecer as fronteiras com a Rússia o que nunca foi aceite pelos separatistas, que exigiam primeiro a definição da autonomia. Ora isto é e sempre foi uma falsa questão pois bastava replicar o modelo da autonomia da Crimeia com ligeiros ajustes na questão linguística e pouco ou nada mais. Ora o que aconteceu foi que quando se iniciaram os contactos, os separatistas adiavam sempre dizendo terem necessidade de consultar (quem?) e exigiam sempre mais, chegando a reclamar o direito à independência.
Como terá lido num meu comentário anterior, os separatistas dependiam efectivamente do suporte militar do exército russo e a única conclusão a tirar é que Moscovo nunca quis o cumprimento dos acordos. Encarando por outro prisma, se de facto existiram problemas de diálogo nos primeiros contactos, digamos que por falta de confiança mútua, quem melhor do que Lukashenko (os acordos até tinham sido assinados em Minsk) para mediar as conversações?
É uma vitória da propaganda russa, dizer-se despudoradamente que EUA, Alemanha, Inglaterra, etc. é que não impuseram o cumprimento do acordo.
É por demais evidente que a Ucrânia queria guarnecer a fronteira e, dada a experiência anterior na Crimeia, certamente aceitaria uma autonomia alargada. A Rússia e o seu aliado local nunca tentaram mediar o cumprimento do acordo. Só posso concluir que foi exactamente a Rússia que nunca quis o seu cumprimento porque, como bem diz, a ocupação do Donbass e o domínio directo ou por um seu partidário de toda a Ucrânia sempre foi o seu desígnio.
Depois da Chechénia em 2002, da Geórgia em 2088, da Crimeia e parte do Donbass em 2014 e da invasão de 2022 ninguém minimamente conhecedor da história passada, poderia duvidar que se seguiriam a Moldávia e (se necessário) a Bielorrússia, o corredor báltico e a planície polaca.. Como bem sabem polacos, moldavos e finlandeses.
É verdade que a derrota de Putín pode levar ao desmembramento da Federação Russa (tártaros e quase todos os muçulmanos não adoram russos) e que isso poderia ser calamitoso. Não como diz Luís Naves pelo fim da energia barata – isso já ocorreu com ajuda dos erros de Biden – mas sobretudo pela instabilidade em toda a zona e pelo assalto às fontes de metais e terras raras.
O que muitos se esquecem é que a China pode reclamar mais de um milhão de kms á volta de Vladivostock que a Rússia ocupou militarmente. E que a Sibéria é a maior reserva mineral do mundo.
Que esse presidente foi eleito após a morte por assassínio do seu opositor” Se se refere a Yushenko, ele foi envenenado mas não morto. ficou desfigurado em plena campanha, isso sim.
Mas a legitimidade da destituição de Yanukovitch vai para lá disso: ela passou e recebeu ractificação na Rada ucraniana, aprovada pela grande maioria dos deputados. Mesmo que se considere que antes houve “golpe de estado” golpe de estado, esta decisão do parlamento tornou.a legal.
Contracorrente, vitalidade do direito e dever de exercer o contraditório.
Estado falhado ou protectorado americano. A pôrra é que os ucranianos não querem ser uma colonia russa. Tal como a Finlandia e a Suécia. Aliás praticamente todos os países de leste colonizados pelos comunistas russos durante 40 anos odeiam o comunismo e o imperialismo russo . Eles lá saberão porquê. A Rússia tem um problema maior com a fronteira asiatica com a China e os territorios de etnias muçulmana. A China é paciente. A seu tempo essa fronteira mudará de cor.
Jorge, que grande confusão.
Alguma vez a Finlândia e a Suécia quereriam ser colónias russas. A questão de, agora, quererem entrar para a NATO é outra conversa, aproveitado por causa desta guerra na Ucrânia.
A NATO tem actuado noutros palcos de guerra longe do seu “Atlântico Norte”. Não tardará temos a adesão de Marrocos e até de Israel ou a Mangólia.
José da Silva
E no meio disto tudo….. o Putin é um santo. Só falta dizer isto.
Foi dito que foi o ocidente que obrigou o Putin a invadir…. enfim(para não insultar ninguém e ser um tipo cordato)
A ideia de que a «Crimeia sempre fez parte da Rússia e que a população da Crimeia era russa há mais de um século e continuou a ser russa», não passa de mais um mito histórico do Kremlin.
Na verdade, os tártaros crimeanos – população nativa da região, falante da língua túrquica (ou turcomana) e de religião islâmica – formaram o seu próprio Estado independente, o chamado “Canato da Crimeia”, no século 15, que foi anexado mais de três séculos depois pela imperatriz russa Catarina.
A população da Crimeia manteve-se etnicamente de maioria “tártara” até 1944 em que durante o regime de Estaline a maioria dos tártaros crimeanos foi deportada para a Ásia Central, calculando-se que quase metade morreu de fome e doenças durante a expulsão forçada, conhecida entre os tártaros como Sürgünlik (“exílio”), tendo logo após começado a transferência em massa de pessoas de origem eslava, que alteraram a matriz étnica e cultural da Crimeia e a transformou numa região de maioria étnica russa.
Só com a declaração em 1989 do Conselho Supremo da URSS que declarou a deportação como ilegal e criminosa, é que foi possível aos tártaros regressarem à sua Pátria, repatriação em massa que apenas se deu já depois da independência da Ucrânia em 1991 (até 2013, tinham regressado cerca de 260 mil tártaros, 13,7% da população da Crimeia, transformada numa minoria étnica), mas com direito a representação política através do chamado “Mejlis – Parlamento do Povo Tártaro da Crimeia”.
Infelizmente, a ocupação russa da Crimeia em 2014, tornou-se para os tártaros um novo desastre – eles tinham-se libertado do Gulag, mas o Gulag chegou de novo à sua terra natal, sendo de novo vítimas de perseguição e forçados a deixar novamente a Crimeia e a emigrar para a Ucrânia continental, a eliminação do “Mejlis” e a proibição da educação, cultura e religião dos tártaros.
Estes são os factos históricos, depois cada um constrói a sua verdade histórica! Já o ensaísta francês Paul Valéry afirmava que “A história justifica tudo quando se quer.”
Por alguma razão a Turquia diz e insiste que a Crimeia pertence à Ucrânia. É porque reconhece que os tártaros da Crimeia – com quem os turcos têm grande afinidade – são melhor tratados pelo poder ucraniano do que o poder russo/ soviético.
Portanto segundo o articulista, nada a fazer. Deixar a Russia permanecer na Crimeia, esquecer os crimes de guerra, permitir que um ditador nada sofra pelos crimes que cometeu contra a Humanidade. Vai-se ver a culpa ainda é dos USA, que fomentaram isto tudo. Já vimos de tudo, faltava este!
Portanto, na sua tese, a guerra continua eternamente, apesar do perigo de se tornar uma calamidade nuclear. Já agora, os países da NATO podem enviar tropas. Veja de outra maneira: não seria melhor acabar com isto rapidamente, fazer um cessar-fogo e negociar a paz? Acha que vamos ter a rendição incondicional da Rússia, a entrega dos territórios e o julgamento de Putin num tribunal internacional? É evidente que não.
Não concordo, pode levar mais algum tempo mas a Russia de Putin vai cair !
Voltamos ao mesmo: O Ocidente democrático dá ao Putin aquilo que ele quer e fica a coisa assim. O Neville Chamberlain antes da II Guerra Mundial também pensava dessa maneira. Depois foi o que se viu. O Putin e o Hitler têm poucas diferenças, ambos são ditadores, ambos matam sem escrúpulos, ambos querem restaurar um antigo império, ambos utilizam a propaganda e propalam mentiras, ambos têm ambição sem limites. É com esta gente que se vai negociar? Já em tempos, se negociou com o Putin a retirada das armas nucleares da Ucrânia, contra a salvaguarda territorial desta. Por acaso resultou bem, por isso a grande probabilidade é que os possíveis acordos seriam igualmente tão bem sucedidos como esse…..
Pires Borges, não venha com este argumento do Neville e de Munique. Isto é um equívoco que nos impede de compreender a questão. Ou há um cessar-fogo ou a guerra continua. Se houver cessar-fogo, tem de haver negociação. Ponto final. Se a guerra continua, morrem milhares de pessoas, sobretudo ucranianos, que são as vítimas (não me refiro aos dirigentes, mas aos soldados e os civis). É a favor da continuação da guerra? Evidente que não é. Eu, como Ocidental, também não sou. Logo, o Ocidente terá de negociar com Putin. Pensar que isto é Munique impede-o de defender a paragem de uma guerra injusta.
Luis, vamos ver se consigo explicar: O caso Chamberlain, não é um argumento, é um facto: Negociar com ditadores não adianta. Foi assim com Hitler, foi assim com Estaline, será a mesma coisa com Putin. Aliás, o actual ditador russo, já tinha antes feito um acordo com a Ucrânia de respeitar a integridade territorial, mediante a retirada das armas nucleares de lá e, o resultado está à vista. A ideia do Luís seria boa, se estivéssemos perante gente minimamente normal e credível. Não estamos! Não sou a favor da continuação da guerra, desde logo porque nunca estive de acordo com o início dela…Mas não depende de mim nem do Ocidente democrático, parar a guerra, para dar ao Putin aquilo que ele sempre quis e que dezenas de milhares de ucranianos já perderam a vida para defender. Entregar ao Putin aquilo que custou a vida a tanta gente defender, seria uma ofensa à Humanidade. Parar a guerra sim, se a Russia retirar. Todos sabemos que se o Putin não for parado agora, não vai parar nunca até ter aquilo que quer, a restauração do Império Soviético e até ampliar a sua influência. Os ucranianos não estão a morrer só pela terra deles, estão também, a morrer pela nossa. Não há a mínima duvida que, um Putin vitorioso hoje, custará a vida de muitos mais em outros países e outros territórios amanhã. A menos que se considere admissível viver numa ditadura estalinista, sanguinária, sem o mínimo respeito pelos Direito Humanos e pela vida humana, muito menos pela Liberdade, é que se pode pensar em negociar com Putin nesta fase. Tudo o mais, como dizem os brasileiros, “é conversa para boi dormir”, o Putin conta precisamente com isso, com a fraqueza ocidental. Não foi assim que se conquistou a Liberdade!
A história de Neville Chamberlain dá pano para mangas e acho que não vem ao caso, mas vamos admitir que sim. A sua posição, a ser adoptada pelas partes deste conflito, implicava uma guerra eterna, pois Putin igual a Hitler. A Ucrânia só pode derrotar a Rússia se a NATO intervier (o que estará a acontecer em doses que ainda não compreendemos, dando razão a Putin quando afirma que luta contra a NATO). Se a Rússia perder a guerra, tem duas opções, perde gentilmente (incompatível com a ideia do ditador) ou usa as suas armas nucleares. Em conclusão, estamos na III Guerra Mundial e é escusada a preocupação com o assunto, já que vamos todos morrer. Não há saída nem paz. Não podemos negociar, por Putin ser ditador; há tropas especiais de países da NATO no terreno e caso esses contingentes sejam decisivos, os russos usam as armas nucleares. Não há saída diplomática, só a opção militar, temos garantida a nossa liberdade no cemitério. Isso já não ofende a humanidade.
Pense de outra maneira: e se Putin não for igual a Hitler? O exército russo não consegue vencer esta guerra, mas vai por ali fora e ataca países da NATO. Faz imenso sentido.
Luís, tenho várias discordâncias em relação ao texto, mas deixo a pergunta: a opção é entre a guerra nuclear e a vitória da Rússia? Sim, porque negociações no imediato dariam a vitória de Putin.
É que não me parece que sejam as únicas – também se dizia isso nos anos 70/80 e que a URSS era invencível, e depois viu-se – mas entre o fim do Mundo ocidental como o conhecemos (porque é isso que uma vitória de Putin significa, e não simplesmente um “mundo multilateral) e a ameaça nuclear não é assim tão fácil de escolher. Veremos se o sr. Putin prefere abdicar da Ucrânia como estado fantoche ou partir para a guerra nuclear…
Você pode ter a opinião que quiser — mas sujeite-se às opiniões com que os outros depois ficam de si. Não se faça de vitima.
E no meio dessa arengada toda e de teorias ao contrário sobre papões com links para sites revisionistas de origem duvidosa, sai-se com esta:
Não há nenhum líder do Kremlin que possa abdicar daquele território, sobretudo entregue de bandeja aos Estados Unidos.
O que é que é suposto alguém pensar? Este post está ao nível do Lavrov. Parabéns. Se continua assim ainda lhe arranjam um emprego fixe em Setúbal.
Vá chamar Lavrov à sua prima. Não tenho pachorra para aturar um comentário como este, sobretudo vindo de alguém que não sabe ler. Se não tem nível para este blogue, procure outro sítio para destilar o veneno e a ignorância.
Não quis ofender, sorry. Quanto a mim… veneno tenho algum, confesso. Ignorância acho que não. Não me prendo é com detalhes. Cumpts.
“Vá chamar Lavrov à sua prima.”
Senhor Luís Naves: é muito frequente ouvir chamar nomes em vez de argumentar. Não precisará dos meus conselhos mas eu penso que a estes simplesmente não se deve responder. Até porque é tentador cair no mesmo nível de quem chama nomes como já está a fazer com a frase que cito.
E felicito-o por apresentar argumentos racionais e que poucos têm coragem de dizer em público porque sofrem logo as consequências.
Desculpe o desabafo mas sou leitora habitual de blogues sérios e começo a ficar cansada de ler insultos vez de razões.
Eu não chamei Lavrov ao Luís, que por sua vez me chamou de ignorante, sem rebater os meus argumentos. Eu apenas disse que o que ele escreveu poderia ter sido dito por Lavrov. É mau, sem dúvida, mas não é a mesma coisa e prova precisamente que o meu intuito não era insultar o emissor mas apenas qualificar aquele argumento específico.
Finalmente a ficha começar a cair.
No século XIX correram com os europeus das Américas.
No século XX correram com os europeus de África.
No século XXI amputam à Europa a parte asiática, e empurram-na para a China e India.
Uma vez é acidente, duas é coincidência, três é acção inimiga.
Mais uma vez felicito o Luis Naves pela coragem de ir contra a narrativa única das televisões e jornais que mais não fazem senão cumprir a voz do dono (bilionários judeus sionistas americanos e ingleses detentores das maiores agências de informação), pois está em causa a subsistência financeira de uma actividade habitualmente indigente.
Só em blogues internacionais de jornalismo independente é que é possível encontrar artigos bem fundamentados de diversas correntes de opinião. Estou-me a recordar dos sites: The Unz Review – An Alternative Media Selection, do editor Ron Unz; Global Research; lew rockwell; DatabaseItalia, VisioneTV; .byoblu – La TV dei Cittadini, etc etc etc.
Na verdade, tanto na imprensa como nas redes sociais, a euforia em torno da guerra da Ucrânia abrandou e o Zelecas já não é tão apaparicado como antes.
Entretanto, no outro lado do mundo constrói-se (para desgosto dos good boys e da tonta loura dos casaquinhos da UE). Até Macron, na China, encontrou convergências com Xi .. O New York Times apressadamente assinala a “traição” hahahahaha.
Ainda do outro lado do mundo promovem-se relações politicas interessantes, nomeadamente entre a Arábia Saudita e os antigos adversários, Irão e Síria. Um acordo mediado pela China fez restabelecer relações diplomáticas plenas, com os ministros das Relações Exteriores de ambos os países reunidos em Pequim na semana passada. É o encontro de mais alto nível entre os dois países em sete anos.
Acrescente-se os BRICS, que a maioria das pessoas não sabe o que é, mas são de extrema importância para o desenvolvimento e crescimento económico de diversos países soberanos,(Brasil; Rússia;India; China e África do Sul). O dólar foi totalmente banido das transacções comerciais. Há vários países a querer entrar para os BRICS.
Aqui: https://www.globalresearch.ca/india-mala ysia-trade-rupees-bypassing-us-dollar/58 15100 th-gold-backed-currencies-replace-us-dol lar/5805251
https://www.globalresearch.ca/global-sou
“Bilionários sionistas”. A linguagem e as escolhas editoriais deste patético anonimozinho dizemtudo. Isso e a indisfarçável admiração por regimes repugnantes. Ainda se admiram de fazer comparações entre Putin e Hitler e dele patrocinar partidos de extrema direita e de fazer tudo para dividir o ocidente (como o apoio ao Brexit). Quanto ao “jornalismo independente” cada vez mais se confunde com extremistas e propagadores de mentiras e teorias da conspiração que tanto são do agrado destes indivíduos.
Estou a ver que afinal também não publica comentários que não são ofensivos — e que dizem respeito ao texto apenas. Faz sentido.
Não sei a que se refere, nem me interessa. Publico os comentários relevantes, não ofensivos, que comentam os textos, escritos por leitores capazes de interpretar o post. Não publico aquilo que é insultuoso, provocatório ou tolo. Também publico os comentários que discordam das ideias do autor, mas que o fazem de forma civilizada. No fundo é simples: ponha aqui a sua opinião, o comentário será aprovado. Pode discordar, pode concordar. O critério é seu. Chama-me Lavrov, vai de carrinho.
Referia-me ao outro comentário que ainda não tinha sido publicado quando fiz este. Peço desculpa se o ofendi, não era a minha intenção. Mas tentar meter a América como a beneficiária de uma vitória da Ucrânia (estou a ler do texto: a Uk vai ser um estado falhado, entregar a Crimeia de bandeja à América, etc) parece-me uma coisa que o Lavrov era capaz de dizer. Infelizmente o Sr. Macron, ontem, também se saiu com uma destas (vassalos dos EUA, ou lá o que foi..), entre duas garfadas com pauzinhos no arroz chau-chau. Não sei se se acha em melhor companhia nas opiniões, agora… eu não acho. Lamento. Um povo que vive de subsídios europeus não tem moral para fazer germinar comentários destes. Cumpts.
Teria sido possívela a União Europeia/Alemanha sentar-se à mesa com Putin e decidir energia e Ucrânia, sem os EUA a controlar?. Não.
Quem foi para a mesa de jogo sem trunfos (poder militar)?.
A dita União Europeia/Alemanha -A. Merkel, o seu antecessor e o Sr. que se seguiu- e V. Zelenskyy.
E agora?.