![21539717_1hz45[1].jpg 21539717_1hz45[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2019/21539888_dmklB.jpeg)
Meia hora de voo num teco-teco e outros 20 minutos em barca de pescador. Uma vez instalado na aldeia, percebo que a electricidade é episódica. O aldeão que me acolheu na sua casa sugere-me que não adoeça: não só é desagradável, como o hospital mais próximo está a quase duas horas de distância. Pela mesma razão, avisa que o melhor é não entrar no mar nem no rio: os tubarões-touro gostarão da companhia, mas o sentimento não será mútuo. Banho só no chuveiro. Pede desculpa por iniciar a conversa com avisos, mas esta parte da América Central é pouco meiga com europeus de cidade – não me quis chamar flor de estufa, foi amável.
Neste pedaço de natureza bruta ninguém quer saber de Trump, de Boris, da Comissão Europeia ou de bichos semelhantes. A única geringonça de interesse é a que permite sacar água doce do poço. O ritmo do dia e os afazeres são ditados pela altura do sol e pelas marés. Tudo o resto são realidades longínquas – ou até completamente ignoradas.
Estive caído do planeta e acho que nunca fui tão feliz.
![21539723_inapP[1].jpg 21539723_inapP[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2019/21539890_uI79F.jpeg)

O campo, a floresta, o isolamento, são para mim como escolas de reabilitação, onde redescubro, no meio de um quase nada, na ausência de quase tudo, o fundamental. Porque tornamos a vida tão complicada, tão dolorosa? Se a vida não tem caminho, porque razão nos damos tantos lamentos? É na solitude, entre-montes, que reaprendo a respirar, inspirando e não suspirando.
Belo texto, Diogo. Abraço
“I am an old man and have known a great many troubles, but most of them never happened.”
O típico local bom para visitar e péssimo para viver.
Boa estadia com muitos momentos assim, felizes!