«Readquirimos a nossa credibilidade, quando examinamos a nossa consciência, mostramos sinais de arrependimento sincero, admitimos os nossos erros e tentamos compensar o mal por nós causado. Estes são os quatro elementos que validam uma confissão. Há anos que me ocupa a questão, porque exigimos tudo isto dos outros, mas não o aplicamos a nós próprios enquanto Igreja»*.
Hans Zollner, padre jesuita alemão, teólogo e psicólogo, professor na Universidade Gregoriana, presidente do Centro de Protecção de Menores, em entrevista ao Jornal Católico da diocese de Hildesheim, depois da reacção do papa emérito Bento XVI ao relatório sobre abusos sexuais na diocese de Munique/Freising (edição nr. 5, 6 de fevereiro de 2022).
*Tradução livre, de minha autoria

A Igreja é o povo de Deus, religiosos e acólitos. Andar sempre a bater no ceguinho é masoquista.
CREDIBILIDADE:
https://www.infocatolica.com/?t=noticia&cod=42502
https://www.infocatolica.com/?t=opinion&cod=42658
Lamento que um comentador com coragem de ir contra o “politicamente correcto” e mesmo contra o postal que obviamente traduz a própria autora que é recorrente nestes temas, se resguarde atrás de um “nick” aparentemente criado para o efeito.
Foi Ratzinger, ainda cardeal que previu que o futuro dos católicos na Europa seria de quase clandestinidade. Um caso horrível – é o único termo possível – ocorrido com pessoas que conheço bem, levou-me a concluir que a previsão estava certa. Mas católicos que escolhem o anonimato, também contribuem.
Não me impressiona muito que Zollner seja professor na Pontifícia Universidade Gregoriana. Afinal Louçã foi (ainda é?) professor na Universidade Católica.
Durante séculos a responsabilidade era exclusivamente pessoal. A mudança de paradigma na justiça ocorreu nos julgamentos de Nuremberga, como habitulamente em circunstâncias propícias à abertura de caixas de Pandora. O nazismo era horripilante, os americanos ignorantes e os vencedores comandam a narrativa e não gostam de perder tempo..
Em Portugal esse princípio de responsabilidade colectiva foi introduzido por Salgado Zenha com a figura da associação de malfeitores, criada para obstar aos inconvenientes de apurar culpas e julgar individualmente os PIDES. Acontecia que a a PIDE tinha também fumções de polícia de fronteiras (as do SEF) representava Portugal na Interpol e tinha competências em crimes transnacionais, terrorismo, tráfico de armas, drogas e pessoas, contrafacção de moeda e possivelmente outras. Tinha assim muitas dezenas, ou poucas centenas, de agentes, inspectores, motoristas, e administrativos que nunca exerceram funções de polícia política mas que foram tratados da mesma maneira e enviados para as mesmas prisões.
É isto que faz a “responsabilidade colectiva” e é isto que se pretende fazer à Igreja Católica, culpar colectivamente a instituição por crimes de alguns dos seus membros.
Apenas vejo culpa institucional na política de silêncio que durou demasiado mas dessa, já foram cumpridos os quatro requisitos enunciados por Zollner. Quatro requisitos que parecem bastar (na Igreja?, na Alemanha?, na cabeça de Zollner?) pois no catecismo do meu tempo ainda faltava o firme propósito de não reincidir. E não posso deixar de notar que, talvez por acaso, será o de mais difícil aplicação a uma instituição.
Você não perde uma ocasião de me atacar pessoalmente. O postal traduz-me???
Zollner é padre jesuíta. E o que é que a Pontifícia Universidade Gregoriana tem a ver com a Universidade Católica?
Nuremberga, PIDE, Interpol???
A Igreja Católica tem uma responsabilidade colectiva, sim, porque o silêncio existiu para proteger a instituição. Protegeram-se os prevaricadores e castigaram-se as vítimas. Quer mais espírito colectivo do que isto?
Ainda bem que é contra o silêncio nesta matéria. Mas então não entendo porque tanto desdenha o facto de eu insistir no assunto. É que não basta dizer uma ou duas vezes que se praticaram estes crimes, para logo esquecer, voltar a calar. Crimes destes continuam a ser praticados e, voltando ao silêncio, contribuímos para que nada mude na estrutura da Igreja.
Mantendo o credível e credibilidade, anuncie-se ainda mais e mais completo para contrariar o doutor gregoriano e sua porta-palavra: rio-de-munique-bento-xvi-corrige-seu-dep oimento/
https://pt.aleteia.org/2022/01/24/relato
O cancro são também os supostos católicos, alguns ditos consagrados, do “zeitgeist”, como bem assinala o protestante Roger Koppel.
Eu já sabia que ele tinha corrigido o seu depoimento. Mas a correcção pouco difere da primeira versão. Ele admitiu ter participado da reunião, mas continua a descartar-se de qualquer responsabilidade.
Compreendo Bento XVI, mas não aceito esta sua posição. Fica-se pelas boas intenções e isso não chega.
“O Papa emérito, em sua retificação, feita por meio de seu secretário, monsenhor Georg Gänswein, afirma que durante a reunião mencionada não foi decidido sobre a vinculação do padre em questão às atividades pastorais da arquidiocese”.
Em vez disso, foi aceito o pedido do padre “para ser acomodado em Munique durante seu tratamento terapêutico”. O padre recebeu tratamento médico na época.”
“O Papa emérito deve divulgar uma declaração detalhada em uma data posterior, disse seu secretário. Na ocasião, ele explicará detalhadamente o que foi dito na reunião de janeiro de 1980.
Segundo o secretário de Bento XVI, a revisão completa das quase 1.900 páginas do relatório leva tempo, principalmente devido à idade e saúde do Papa emérito.”
Roger Koppel, para a porta-palavra, deixou de ser protestante para ser um extremista-direita. Justifica-se, por isto, que os extremistas-esquerdistas da suposta igreja alemã e outros mundo fora possam transformá-la num antro de mentira e falsidade e preservar a corrupção que propagam em nome do zeitgeist. Para estes, os ditos consagrados homossexuais e lésbicas e ainda outros deverão casar na igreja e manter a adulteração e propagação de princípios, incluindo o feminismo perverso que apadrinham.
Eu não disse que ele deixou de ser protestante.
Que coincidência: Roger Köppel está ligado ao partido suíço de extrema-direita SVP (Schweizerische Volkspartei).
o estado, qualquer que seja, é pessoa de bens dos contribuintes
o estado nunca é pessoa de bem porque não zela pela população que vive dentro ou fora do território que dirige.
por isso transporto comigo a minha Pátria
Vivemos numa época estranha em que a par da normalização de umas anomalias se exacerbam as condenações de outras,
Numa e noutra das acções pouca relevância se dá a causas e a detalhes, num comum projecto de tudo tratar ao nível do superficial e do emocional, construindo convenções .
No caso da Igreja impressiona-me em particular a coincidência de, tendo acolhido tantos anormais então rejeitados e agora em processo de normalização social, lhe estejam a cobrar, em espantosos prazos de 70 anos, algumas das consequências desse acolhimento.
Oh, sim, tudo não passa de danos colaterais. Uns anormaizitos, que foram rejeitados e que serviram de escravos sexuais.
Parabéns pela sua postura moral!
Uns anormaizitos, que foram rejeitados e que serviram de escravos sexuais.
Nunca desesperei de ver a Cristina Torrão a falar na Casa Pia! Mas já desesperei que deixase de tratar pessoas por “você”.
Retribuo, na mesma medida, o respeito com que me tratam. Quem me oferece pouco, recebe também pouco.
«…que foram rejeitados e que serviram de escravos sexuais.»!
Talvez lendo mais devagar…
“a reacção do papa emérito Bento XVI ao relatório sobre abusos sexuais na diocese de Munique/Freising”.
Pode indicar concretamente aquilo a que se refere? Será ao facto de haver um erro no dossier de respostas às questões colocadas pela comissão, sobre a presença ou ausência do Papa numa reunião em 1980, em que se terá falado de um clérigo que iria receber tratamento em Munique? Ou será à carta que o Papa escreveu a reconhecer ter havido um erro, renovando o seu pedido de perdão todas as vítimas?