Deixo para trás a camada tenra da carne, à qual não adivinhava textura, enquanto mutilo a pele que me separa da ânsia do desprendimento. As unhas sujam-se e pressuponho que a agonia do estômago se prolongará até que a lavagem exacerbada me descasque das mãos as cutículas. Volto a focar a atenção, por momentos anestesiada.
Sinto o som ressoar por todo o corpo enquanto, em ausência de dor, me incomódo com o ocasional chiar do corte pouco certeiro. Suo devido à pujança embutida nos braços doridos e, impaciente, parto as últimas linhas de osso que ainda unem o membro ao meu corpo.
Enrolo um pano negro em torno do coto – os panos brancos manchados de sangue são o espelho da imaginação cinematográfica, que se serve dessa abundância da mensagem para se recordar constantemente do acontecimento-.
O telefone toca. Deito-me, aliviada por ter ceifado uma companheira permanente e desagradável. Tinha deixado a banheira a encher, mas já nada me retorcia a disposição.
*Corpo: conjunto de textos estapafúrdios sobre acontecimentos invulgares

As minhas reacções, pela ordem em que ocorreram:
1. Eh lá…
2. Eurgh…
3. Hmmmmm, uma rapariga com tendências mórbidas…
4. Evitar qualquer jantar do ‘Delito’ em que ela esteja presente.
5. E daí talvez não. Em vez da máquina fotográfica, levo é a faca de mato.
Eheheheheh. O próximo jantar vai ser em Istambul. É a prova de fogo, vamos ver quantos de nós voltam inteiros…
Ana, adorava ter um jantar do Delito cá e adoro o facto de teres sempre um comentário simpático para todos os textos (até mesmo os mais negros). Há poucos leitores assim! Um grande beijinho
Também eu adorava, Cláudia. E até sei de um restaurantezinho aí que era um primor para nós… enfim, fica para tempos de vacas mais gordas.
Um beijinho para ti, e aproveita bem essa cidade linda.
Eu juro que a pessoa não tem nada a ver com o texto 🙂
” E a banheira encheu… encheu. Extravasou. A casa mais parecia A Lagoa Negra…
Alguns dias depois:
“Ela” jazia no chão da cozinha. Sirenes.Inem.
– “Nadia si lo puede acer dr Ramon…
– “Estou viend Lolita”…
– “Caro inspector Moita Flores… nao vislumbro sinais de crime…
-Também me parece… só depois da autopsia é que…
–Meu senhor..
– Quem é você?
– Sou a mulher a dias… por vezes de noites..
– Que ha?
-Olhe um papel na mao da defunta…
– Hum… deixe vêr…
– Ó pá… isto é a factura dos SMAS…
– Será que?
“Elementar meu caro Moita…
-Olhe só para os números!!!
continua…
lol! agradeço a continuação 😉