Promessas e realidades
“A am in politics because of the conflict between good and evil, and I believe that in the end good will triumph” (Margaret Thatcher)
Fui, desde o início, muito crítico relativamente a Sócrates e ao seu Governo. Reporto-me, naturalmente, a 2005, aquando da sua primeira eleição.
Muitos, porventura escaldados com a penosa experiência AD (Durão Barroso/Paulo Portas), que terminou com a fuga de Durão para Bruxelas num momento em que o país clamava por decisões difíceis e reformas estruturais, deram o benefício da dúvida a quem apareceu com uma imagem austera e convicções firmes.
Sócrates, para os mais ingénuos, prometia: sobranceiro na forma como tratava a comunicação social e implacável a afrontar o corporativismo (farmácias, classe médica, professores, etc.). Não foram poucos os que nele viram a coragem necessária para equiparar Portugal aos parceiros europeus.
Na oposição, descontando os partidos – PCP e BE – que insistem em estar fora do sistema e, por conseguinte, da solução, perante um Governo forte e com uma comunicação profissional e eficaz, constatámos a incapacidade do PSD em encontrar um líder à altura de Sócrates, susceptível de convencer os portugueses do logro que o primeiro-ministro já então corporizava. O CDS, por outro lado, estava mais preocupado em reabilitar Portas, após a reconquista de poder ocorrida em 2007.
À medida que nos fomos aproximando do termo da legislatura, o cenário, porém, alterou-se radicalmente. No país real, tornaram-se visíveis os sinais da crise, apesar das tentativas do Governo em esconder os seus efeitos. Os números teimam em contrariar o optimismo dos ministros. O desemprego aumenta, a Justiça definha, o investimento estrangeiro decresce e os mercados começam a desconfiar.
Ao mesmo tempo, os escândalos em redor de José Sócrates avolumavam-se, nunca tendo este conseguido esclarecer cabalmente as suspeitas que sobre si recaíram em casos como os do Freeport, Face Oculta, licenciatura, projectos da Câmara da Guarda, falsificação de um documento na AR, compra da casa na Rua Castilho, etc.
Na oposição, as coisas começavam a compor-se, com um CDS mais forte e um PSD com uma líder que assumia a imagem de seriedade e credibilidade que o eleitorado parecia exigir. O clima era propício a uma derrota nas urnas e foi assim que entrámos na campanha para as legislativas de 2009.
Ao contrário das expectativas, no entanto, rapidamente se percebeu que as coisas nem sempre são o que parecem e, mercê de circunstâncias muito especiais, a verdade é que Sócrates demonstrou que estava ainda longe da sua morte política.
Perante uma comunicação socialista impecável e a falta de jeito e surpreendente amadorismo do PSD, a imagem de Ferreira Leite rapidamente se degrada, incapaz de convencer os portugueses da bondade do seu discurso.
O PS, por seu turno, clama de peito aberto que a crise já lá vai e, em final de mandato, o Governo aumenta pensões e funcionários públicos, avançando a todo o vapor com as grandes obras e promessas de um futuro risonho para todos.
Não foi, assim, com surpresa que Sócrates, apesar de tudo, voltou a ganhar as eleições, apesar de não conseguir reeditar uma nova maioria absoluta.
Poucas semanas após as eleições, percebe-se a farsa montada pelo PS: os números avançados pela máquina socialista estavam longe de corresponder à realidade. O país começa, então, a ser confrontado com a dura realidade das contas públicas e da profunda crise em que se encontra.
Como de costume, o Governo assobia para o ar e responsabiliza a crise internacional e a recusa da oposição em negociar pelo estado a que o país chegou. O que se passou, então, até hoje está ainda bem fresco na memória de todos.
O país, entretanto, entrou em bancarrota, está em recessão, o desemprego aumentou exponencialmente e, incapaz de solver as suas dívidas, Portugal teve que recorrer à ajuda externa.
Vamos, por isso, viver nos próximos anos reféns de quem aceitou emprestar-nos dinheiro, com a nossa soberania suspensa e o futuro dos nossos filhos sem passar de uma incógnita. Tudo por causa de uma governação incompetente, mentirosa e desligada daquilo que era a realidade do país.
Perante este cenário dantesco, o primeiro-ministro atreveu-se recentemente, a balbuciar duas frases que revelam a desonestidade com que sempre encarou os destinatários dos seus discursos e das suas políticas:
“Pergunto-me como foi possível fazerem isto ao país”
e
“Eu tenho orgulho naquilo que fizemos por este país”
Estas duas frases são demonstrativas daquilo que Paulo Portas disse no debate da semana passada com José Sócrates: “O primeiro-ministro não vive neste mundo.” Eu diria mais: José Sócrates toma-nos a todos por parvos.
Considero, por isso, que os portugueses têm uma oportunidade única, no próximo dia 5 de Junho, para mostrarem aos senhores que nos governam que não vale tudo.
Tenho para mim que o CDS pode – e deve – assumir a alternativa de que o país necessita. Quanto aos demais, seja no CDS seja noutro partido qualquer, importa é que não fiquem em casa. Para evitar que a História se repita. Não se esqueçam que as sequelas são sempre piores do que o original.



Clap, clap, clap.
Gostei de te ver por cá, Rui. Obrigado pela visita. Um grande abraço.
Eu é que agradeço o convite, Pedro (a resposta vem já tarde, pois estive fora do país e só regressei no Domingo). Abraço.
Sim, é necessário que Sócrates perca as eleições. Pior que ele, é difícil. E, além de uma mudança de governo, promoveria uma remodelação do próprio PS.