Convidado: RICARDO RIO


Pedro Correia,

 

A extinção de um Dinossauro

 

Com tanto sobre que escrever do que se vai passando neste jardim sem flor à beira-mar plantado, permito-me tomar este espaço para voltar às raízes, minhas e da Nação, falando-vos de Braga, da “Cidade dos Arcebispos”, da Braga do Bom Jesus e do Sameiro, da Braga do bacalhau e dos rojões, da Sé… de Braga e de muitas outras atracções recentes que, por bons e maus motivos, daqui foram projectadas para o país e para o mundo.

De há 34 anos a esta parte, e sem qualquer figura de estilo envolvida, esta é também a Braga de Mesquita Machado – o histórico autarca socialista, mais conhecido pelas suas incursões nos meandros futebolísticos e nas investigações da PJ do que pelos feitos de monta na gestão municipal -, mas que fica indelevelmente associado a um período de enorme (e desenfreado) crescimento urbanístico da terceira cidade do país.

[Passando a indelicadeza das palavras e a postura pouco amiga do ambiente com que agora vou entrar nesta história como protagonista ainda secundário] Em 2005 e 2009, eu próprio tentei “exterminar” o notável dinossauro e, por essa via, dar outro rumo ao desenvolvimento futuro de um pólo de revitalização com enorme potencial da Euro-Região Galiza / Norte de Portugal, assumindo novas prioridades, políticas e desafios.

Mas não consegui. Não consegui, mesmo conquistando 13.000 novos votantes nestes dois actos eleitorais e ainda que há cerca de um ano atrás apenas 2.500 votos tenham separado Braga de uma mudança vincada da sua gestão municipal, com claro prejuízo já visível para Braga, para os Bracarenses e para a região envolvente.

Em particular nessa última ocasião, supunha-se que o projecto que me orgulhei de liderar pudesse materializar a ruptura geracional que iria assegurar a renovação da espécie, bebendo dos atributos que caracterizam uma nova geração de autarcas de todos os quadrantes políticos que já dão cartas em vários pontos do País.

Senhor dos seus domínios e dotado de armas poderosas (financeiras e não só), Mesquita Machado lutou até à exaustão por um último prolongamento da sua existência, beneficiando até dos gestos condescendentes dos que se comovem perante o estertor do monstro.

Resta, pois, a via da extinção, não às mãos da lei da natureza mas ao destino traçado pela lei da limitação dos mandatos.

Todavia, se entre outros méritos se esperava que esta mudança coerciva induzisse a ascensão de autarcas com novas ambições, com estratégias e políticas inovadoras e com outra adesão às reais necessidades dos munícipes que ultrapassassem a lógica de pão e circo que outros cultivaram (com honrosas excepções), este e outros dinossauros tudo têm feito para impedir a regeneração da espécie que se seguirá ao degelo de 2013.

Com obras faraónicas sustentadas num crescendo de endividamento e com projectos panfletários alicerçados em parcerias público-privadas de duvidoso mérito, em muitas autarquias como no País, reduziram-se ao mínimo os requisitos e atributos necessários para o exercício do cargo para os futuros governantes.

Afinal, bastará saberem “assinar cheques”…

 

Ricardo Rio 

19 comentários em “Convidado: RICARDO RIO”

  1. Amigo Ricardo

    Os mesmos das campanhas anteriores, estão cá e muitos mais virão para a próxima Campanha.

    A VITÓRIA É NOSSA!!!

    FORÇA, RICARDO CONTA CONNOSCO…

  2. Estou certa que o Dr. Ricardo seria e será, depois de 2013, um óptimo Presidente de Câmara de Braga. Um dos melhores do país!
    Conte connosco!

  3. Porém… é ou não é verdade que Braga ten hoje os preços mais baixos da habitação, por entre todas as grandes cidades do país?

    Quero eu dizer, a política de Mesquita Machado, de construção civil a torto e a direito, produziu uma cidade onde comprar casa é muito barato.

    Eu mesmo tenho uma prima que, com um rendimento modesto, se permitiu comprar em Braga uma bela moradia com garagem e jardim, o que na maior parte das outras cidades seria impossível para qualquer cidadão.

  4. Braga deve ser o distrito por onde fiz mais campanhas eleitorais. Desde há muitos anos, ao lado do meu avô, percorri vários concelhos do distrito de Braga, apoiando os vários candidatos.

    Desde Cabeceiras de Basto até Barcelos, passando por Terras de Bouro ou Vieira do Minho. Penso que já percorri todos os concelhos. O mesmo não posso dizer no meu distrito, o Porto.

    Ainda há dias recordava como vi “nascer” politicamente José Manuel Fernandes, euro-deputado do PSD, aquando da sua primeira candidatura à CM Vila Verde. Era muito novo e inexperiente. Tornou-se um político de grande nível.

    A cidade sede do distrito é o motor do mesmo, e também da região minhota. Pena é que quem conduz esse “automóvel” não tenha capacidade para o mesmo. Mesquita Machado não tem só problemas com o futebol ou a justiça. Ele está esgotado politicamente.

    Braga precisa de alguém sem vícios, com coragem e ambição. Precisa de alguém inovador e empreendedor. Ricardo Rio já provou do que é capaz. É preciso dar-lhe (e ao PSD) uma oportunidade.

    Com uma Braga forte e influente, todo o distrito ganha, toda a região ganha, e até o país e a população ganham. Força Ricardo, à terceira é de vez!

    Luis Melo (Santo Tirso)

  5. Luís,
    Espero é que a sua prima não tenha um monte de silvas nas áreas reservadas a espaços verdes e equipamento dessa urbanização.
    E, se tiver acessos bem pavimentados e águas pluviais, desejo que as

    1. Nao sei se essa urbanizaçao está em perigo de invasao de silvas, mas na maior freguesia da cidade de Braga, posso falar! as duas cores politicas já cá passaram e no momento temos o PSD, oito anos de poder!!! e a minha rua Albano Belino a poente e Quinta da armada a nascente, é só cá passar, silvas e arbustros quase a entrar pelas janelas dos prédios, entrada para garagens em terra batida!!????, cada inverno k passa uma a duas inundaçoes , duas casas devolutas abrigo de marginais e tóxicodependentes , o k faz a CM E A JUNTA DE FREGUESIA nada para acabar com 12 anos de pouca vergonha destas entidades k comem os nossos impostos com taxas de ocupaçao de via aéria terrestre e espaço, pois é! os glutões têm de viver e os papalvos vão votar neles

  6. A terceira cidade do País é Coimbra, não Braga. Por outro lado, se está a falar de população acumulada num local, a terceira cidade será a Amadora 😉

      1. Pois, já tenho ouvido isso. Mas qual é o critério, João Carvalho? E Setubal, também? O critério é então mesmo o número de pessoas que vive num local? Então, a terceira cidade do país é mesmo Amadora e não Braga. E a Cidade de Agualva Cacém está, em termos de importância, bem acima de Aveiro e de Vila Nova de Gaia, o que constituirá uma surpresa para estas.

      2. Em quase todos os indicadores sociais, Coimbra está à frente de Braga. Serviços, educação, saúde, equipamentos, etc. Em relação a Setúbal, então, nem se fala. Coimbra só perderá em termos de produção industrial. Mas aí não perde só para Braga. Começa por perder logo para a Marinha Grande, para o Seixal, para Sines, por exemplo, etc. e sempre perdeu para o Barreiro 😉

  7. Pedro,
    Obrigado pelo convite. Foi um prazer.
    Obrigado aos demais pela leitura e participação.

    Pedro,
    Há-de mostrar-me esses indicadores. Como diria o João Carvalho não está a ver a RTP Memória? 😉

    Manuel,
    Essa questão é responsabilidade da Câmara. A Junta quando muito pode reivindicar a intervenção da CMB. Trata-se de um espaço público ou privado?

    Ricardo Rio

    1. Ricardo, os indicadores estão em todo o lado. A começar pelo INE e a terminar na observação a olho. Periodicamente, os jornais trazem esses rankings.
      – Número e dimensão de hospitais e todas as instituições ligadas à saúde e sua área de influência geográfica.
      – Dimensão da Universidade, incluindo número de alunos, centros de investigação, etc, e posição nos rankings internacionais (onde está Braga?), e ainda número e variedade de outras instituições de ensino superior.
      – Número e diversidade de prestadores de serviços de todo o tipo, e indústrias tecnológicas crescentes (v. a Critical Software, por ex.) (a grande indústria fumegante já lá vai, pois claro)
      – Número e dimensão de equipamentos desportivos.
      – Número e veriedade de instituições culturais, teatro, bibliotecas, livrarias, museus, património histórico.
      – Número de agênmcias bancárias e caixas multibanco, etc, etc.

      Na RTP memória vejo a gloriosa pujança industrial de Braga, com pleno emprego 😉
      Eu acho que Braga é sobretudo a maior cidade minhota. Isto, se Guimarães concordar, claro 😉 Qual é o critério do Ricardo para dizer que Braga é a terceira cidade do País? É que se é a população, já foi ultrapassada pela Amadora e, não tarda, é ultrapassado por Agualva-Cacém.

  8. O Mesquita em 34 anos alargou desordenadamente Braga, tornando-a uma cidade de betão de má-qualidade urbanística, inóspita e agreste, e sem espaços verdes. Só o Centro Histórico de Braga, com o seu Comércio Tradicional pujante e pedonal, se pode considerar positivo.

      1. Neste caso, apesar do Mesquita… que nunca quis alguém que lhe pudesse fazer sombra e quase nada ajudou a Universidade (ao contrário do vizinho Magalhães).
        Por falar em pouca colaboração do Mesquita e em resposta ao Pedro, Braga vai ter a partir de Maio um hospital que serve de referência a um milhão de pessoas e está na vanguarda das unidades de saúde nacionais.
        Mas em relação a essa disputa, eu gostava era de ver o Ricardo ou o Pedro a apresentarem números concretos, mais do que palpites.
        Em população, Braga e Coimbra devem estar para baixo do décimo lugar: ainda há Sintra, Gaia, Matosinhos, …

        1. Paulo Cesar, não são bem palpites. O único argumento, acho eu, que o Ricardo pode apresentar, é a população. E é evidente que aí, Braga e Coimbra não são a terceira. Números, vou procurá-los, não os sei de cor. Tenho tentado no INE, mas não me entendo com aquele site. Lembro-me que de vez em quando aparecem nos jornais esses indicadores de que falei e que colocam quase sempre Coimbra acima de Braga, incluindo no poder de compra, equipamentos desportivos, culturais, de ensino, etc. Mas há coisas que não precisam de grande demonstração:
          A educação. A U. Coimbra, como é sabido, é maior, tanto em equipamento, como em número de alunos. Para além disso, tem sempre aparecido nos rankings internacionais acima da do Minho. É fácil verificar. Para além disso, tem mais instituições de ensino superior (para além da Universidade) do que Braga. facilimo de verificar, também. Basta ir às listas. Braga terá, talvez, mais escolas do básico e do secundário.
          Quanto à saúde, Braga vai finalmente ter um grande hospital, ainda o não tem, portanto, ainda não conta para o “ranking” das cidades. Mas não será concerteza maior do que o de Coimbra, e nunca abrangerá uma área geográfica tão grande como o de Coimbra. Para além disso, a cidade de Coimbra ainda tem o hospital estatal dos Covões, tem o hospital pediátrico (vai ter agora um novo, bastante grande) E tem mais unidades de saúde privadas do que Braga. Quanto a mim, até demais. É um exagero de clinicas privadas e consultórios em Coimbra. Suponho que os de Braga ainda dependem em parte do Porto nesse campo.
          Tudo ponderado, estou convencido de que Coimbra será de facto a terceira cidade do País, não Braga, nem Setubal, nem Sintra.
          Mas gostava de saber qual o critério do Ricardo e outros comentadores para afirmarem que Braga é a terceira cidade.
          Há uma coisa que Braga tem mais que qualquer uma: orgulho no que tem e auto-estima. Aí sim, Braga é a primeira do país, acima do Porto e de Lisboa. É uma coisa que eu admiro nos minhotos.

          1. Ah, e na sequência do meu anterior comentário, uma coisa parece-me certa: não surgirá aqui mais nenhum outro coimbrinha a defender a posição da sua cidade…. Estou sozinho nisto 😉

            Vamos lá a isto:

            Coimbra, em saúde, educação e equipamentos desportivos:
            http://engenium.wordpress.com/2007/01/27/melhores-cidades-portuguesas-para-se-viver-em-2007/#more-419

            Poder de compra concelhio:
            http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=71447548&PUBLICACOEStema=00&PUBLICACOESmodo=2

            Mas há mais.

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