Convidado: MIGUEL FÉLIX ANTÓNIO


Pedro Correia,

 

A falta de memória no jornalismo

 

Ser convidado para escrever no Delito de Opinião é uma honra e uma responsabilidade que espero não defraudar, já que muito gostaria de repetir. Conheço o Pedro Correia, o autor do convite amigo, há mais de uma dúzia de anos e habituei-me a apreciar nele o símbolo do jornalismo isento (na medida em que é possível o sermos no tratamentos dos factos) e com memória, aspecto que cada vez mais é muito deficitário nas redacções, mas exemplo também do comentário desassombrado, pertinente e certeiro.

A propósito desta memória, ou pior da falta dela, não resisto a contar um episódio que se passou recentemente na festa de aniversário de um “tórrido” semanário que ilustra bem a pobreza – infelizmente esta não se confina exclusivamente aos aspectos monetários, porque se assim fosse melhor estaríamos – com que somos confrontados.  

Uma fotógrafa de uma conhecida revista do “social”, depois de ter tirado o retrato a um pequeno grupo de convidados – onde pontificavam um muito prestigiado jornalista e um ex-líder partidário muito conhecido na década de 90 (eu sei que do milénio passado, mas caramba…) – perguntou aos próprios os seus nomes, evidenciando uma ignorância indesculpável.

Talvez por ter caído nela, por ter tido vergonha, quando o ex-líder partidário lhe perguntou se não reconhecia o dito jornalista, acabou por dizer que conhecia a cara do político que a havia interpelado, mas não o nome. 

Provavelmente, disse eu, pensou tratar-se de um actor de novela ou de um desses personagens que são conhecidos por aparecerem nas revistas…

Lamentável, digo também eu, o estado a que muitos órgãos de comunicação social se deixaram chegar, com os prejuízos muitos assinaláveis que causam, não apenas aos leitores mas igualmente na imagem de jornalistas prestigiados e autênticos como o Fernando, o Pedro e tantos outros.   

É que não existe apenas deficit orçamental: existem muitos outros e, porventura, igualmente graves, que urge combater com determinação e sem complexos.

 

Miguel Félix António

11 comentários em “Convidado: MIGUEL FÉLIX ANTÓNIO”

  1. Meu caro João Carvalho

    Muito obrigado pelo seu simpático comentário.

    Miguel Félix António

  2. não partilho da sua opinião acerca do Jornalista Pedro Correia, quando afirma que é um Jornalista isento e com memória…aliás, não acredito em Jornalistas isentos e quanto á memória dos Jornalistas ela é sempre selectiva ou condicionada…basta ver o Estado a que Portugal chegou, para ficar demonstrado que o Jornalismo e jornalistas, em termos gerais, falharam em toda a linha…

    1. Como disse acima, sou suspeito a falar do Pedro Correia, mas isso não me impede de falar, porque tem o valor de uma declaração de interesses. Vamos, pois, a isso.

      A sua deselegância é clara, porque tem o desplante de partir da opinião que entende ter formado sobre a pessoa singular para classificar os jornalistas colectivamente.

      A sua grosseria é óbvia, porque decidiu ignorar que o Autor refere explicitamente que o jornalismo isento é o da isenção possível e que a memória anda deficitária (linhas 4 a 6 do texto), para largar uma atoarda generalista sobre o jornalista em causa.

      Eduque-se e civilize-se, que aqui não se rejeitam opiniões, mas avisa-se que não recebemos más-criações e não temos paciência para ensinar boas maneiras.

      1. não fui mal educado, fui sincero…se a sinceridade já é má educação…o que é que quer que lhe diga!? a questão é, pode-se confiar nos jornalistas com tudo o que está a acontecer em Portugal!!?? a minha opinião, é não!!! o jornalismo português só sabe promover tricas politicas, ser manipulado e servir como meio de propaganda politica…em termos gerais é isto o que é o jornalismo português, em minha opinião!

        1. Foi grosseiro, sim, pela razão óbvia que apontei. Vejo que o seu discurso mudou cautelosamente: já não refere o Pedro Correia do modo abusivo que usou antes, mas da sua opinião sobre os jornalistas «em termos gerais». Está no seu direito e fez bem em corrigir-se. Faltou-lhe pedir desculpa, como devia, mas fez-lhe bem o aviso.

          Pela parte que me toca, fica a saber: não tenho qualquer peso, mas com ou sem peso declaro já que não sou isento. Sabe porquê? Por uma razão antiga de sempre: sou incapaz de ser isento quando se trata de amigos; aprendi a hierarquizar valores. Portanto, V. e quaisquer outros já sabem com o que contam de mim: falta de isenção desabrida se tocarem em quem não devem.

          Não se atreva a repetir a graça e passe a só opinar civilizadamente. E aprenda a pedir desculpa, que só lhe fica bem.

          1. “Não se atreva a repetir a graça e passe a só opinar civilizadamente. E aprenda a pedir desculpa, que só lhe fica bem.”

            não peço desculpa a nenhum jornalista português!! aliás eles é que me deviam pedir desculpas, a mim e a todos os portugueses que confiaram no jornalismo…e deu no que deu…Portugal está no estado em que está, muito por culpa deles…

            Marcelinos, Cãncios, Baldaias, Costas, etc – os Guardiões do Jornalismo em Portugal !

          2. Compadre,
            Agradeço a tua prova de amizade – mais uma – mas este sujeito, de facto, não reúne requisitos mínimos para ser nosso interlocutor.

    2. Caro tric

      Tem todo o direito de não partilhar da minha opinião acerca do Pedro Correia.

      Todavia, não sabendo eu se o conhece e, designadamente, se acompanha o que ele vem escrevendo há muitos anos, o que lhe posso garantir é que, conhecendo eu muitos jornalistas, posso, sem quaisquer dúvidas, personificar no Pedro, aquilo que é bom jornalismo: boa utilização da língua portuguesa, assente em fontes fidedignas, ouvindo todas as partes envolvidas na notícia e enquadramento dos factos com recurso à memória…

      Com os melhores cumprimentos,

      Miguel Félix António

      1. Caro Miguel,
        Obrigado pelas suas palavras, que só agora tenho oportunidade de agradecer. Como sabe, e já tive ocasião de o escrever publicamente, o apreço é mútuo – razão suficiente para ver com muito agrado o seu nome aqui no Delito.
        Um abraço.

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