Doutores ou Engenheiros
“É doutor ou engenheiro?” Do outro lado da linha telefónica, a assistente de um secretário de Estado dispara a pergunta com naturalidade. “É importante saber para não ofender”, justifica. Chamar um engenheiro de doutor é uma ofensa. Não chamar doutor a um doutor também. E, na redacção de um jornal, perdem-se cinco minutos de conversa a explicar que não há títulos, apenas nomes. Insistir em retirar o “Dr.” e o “Eng.” dá trabalho.
De um artigo no Público dedicado aos empresários de sucesso que não são doutores ou engenheiros, 16.8.2010
Eu sou do tempo em que o mundo académico ainda não tinha invadido as empresas e o Estado. Claro que havia nas empresas e nas repartições os “senhores doutores” e os “senhores engenheiros” mas isso eram títulos de prestígio, ninguém os confundia com a capacidade de saber fazer.
Hoje caiu-se no polo oposto; instalou-se a ideia absurda de que só com a validação académica existe acesso ao saber. É por isso que tantas vezes temos a sensação de que quem governa e legisla pode ser brilhante na academia mas conhece mal o mundo quotidiano.
A controvérsia acerca da licenciatura de José Sócrates é demonstrativa do que acaba de se referir.
Cresci profissionalmente, a partir de 1970, na filial portuguesa de uma empresa americana de tecnologia, uma das maiores do mundo, onde quase toda a gente se tratava por tu e onde a referência aos títulos académicos era raríssima. Lá se contratava indiferentemente, para as mesmas funções, tanto engenheiros químicos como licenciados em direito, história ou filosofia. E até se admitia muitos universitários a meio dos seus percursos escolares, como foi o meu caso.
A empresa sabia que os conhecimentos obtidos nas escolas de pouco valiam se não fossem complementados por uma longa formação específica em paralelo com a identificação e resolução dos problemas práticos que a vida ia colocando.
Fazia a selecção dos empregados principalmente com base na sua capacidade para aprender e não daquilo que já tinham aprendido.
Nessa altura, embora se soubesse que nas Universidades havia professores que estudavam todas as teorias publicadas sobre determinadas matérias, considerava-se que isso pertencia a outro universo. Um mundo de especulações e hipóteses a que apenas uma minoria se podia dedicar.
Eram pessoas olhadas com admiração por fazerem o sacrifício de viver retiradas do mundo, por vezes com sacrifício económico, mas não se percebia muito bem como obter delas qualquer resultado prático para as operações das empresas.
O mundo deu muitas voltas, o ensino “democratizou-se”, e a evolução da economia foi tornando a obtenção de empregos cada vez mais difícil. Uma das consequências foi a opção por carreiras académicas cada vez mais longas.
Em muitos casos, se no fim da licenciatura não se arranjava emprego, partia-se para o mestrado. E se no fim deste continuava a não haver emprego equacionava-se o doutoramento. Para muitos a bolsa de estudo era apesar de tudo uma forma de sobrevivência económica.
A educação superior, que entretanto se converteu num negócio privado, também precisava e incentivava estas carreiras escolares cada vez mais longas, mesmo que a qualidade da formação proporcionada fosse cada vez mais questionável.
Com tudo isto criou-se um “exército de reserva” de desempregados com formação superior, que nunca exerceram qualquer profissão, e que estão prontos para aceitar qualquer lugar, nem que seja a repor prateleiras ou num “help desk”. Ao mesmo tempo a retórica oficial da “qualificação da mão de obra” omite a diferença entre possuir um diploma e saber fazer coisas pelas quais um empregador esteja disposto a pagar um salário.
O Estado, onde hoje é difícil encontrar um alto responsável que não tenha pelo menos um pé no meio académico, é o empregador ideal para absorver “doutores e engenheiros”, independentemente das suas capacidades profissionais, pois ao contrário das empresas não tem o hábito de raciocinar em termos de “price-performance”. Como os vários “estatutos de carreira” na administração pública têm mostrado, o importante é mesmo ter o canudo.
Não me parece que tenhamos ganho muito com a proliferação de “doutores e engenheiros” na nossa sociedade. Só numa pequena percentagem eles encontram no mundo empresarial quem parta dessa formação de base para sobre ela construir verdadeiras competências que gerem riqueza.
A própria crise que o Estado está a viver, no plano financeiro e não só, mostra que a saturação de “professores doutores” nos ministérios não foi panaceia adequada.
Não haverá verdadeira solução para o desemprego dos licenciados enquanto não surgirem, e se multiplicarem, unidades produtivas de novo tipo que encarem o conhecimento como a organização da informação à luz de propósitos socialmente relevantes. Mas que o faça sem esquecer a sustentabilidade das operações e a justa distribuição dos resultados por todos aqueles que criaram valor, independentemente de serem ou não “doutores e engenheiros”.


Muito bom texto. Diria mesmo mais: a universidade não só não prepara os alunos para “a vida cá fora”, como, pior ainda, tem vindo a perder a sua vertente teórica, de transmissão de conhecimentos, a favor de um esforço profissionalizante que não cumpre. Para além, claro, de haver imensos cursos que não deviam ter lugar numa universidade, mas num politécnico (outra tragédia: os politécnicos quererem ser universidades) ou numa escola técnica ou profissional. E ainda há cursos que não deviam ter lugar, passe a redundância, em lugar nenhum.
João Campos, admito ter interpretado mal o que escreveu, mas o entendimento que dele fiz, sugere-me a seguinte reacção:
1. Não espero que as Universidades se destinem a preparar os alunos para a “vida cá fora” no estrito sentido da frase que empregou. Acho que a vocação das Universidades é transmitir Saberes, e contribuir para a formação de atitude de “prazer contínuo de aprendizagem ao longo da vida”.
2. Entendo por Conhecimento o estado que se atinge quando, pela experimentação, se consolidam os Saberes aprendidos. Por isso não espero das Universidades que visem o Conhecimento pois não têm tempo para tal. Então com cursos encurtados por força de Bolonha, cada vez menos.
3. Também acho mal que os Politécnicos lutem por ser Universidades. São instituições diferentes com objectivos distintos. Tal não significa, contudo, que não lhes reconheça todo o direito à dignificação do ensino que praticam como Ensino Superior.
4. Quanto aos cursos que “não deviam ter lugar em lugar nenhum”, aí estou em completo discordo consigo. Frequentar e concluir um curso não é nada mais do que isso. Não pode ser interpretado com direito ao emprego. Isso não existe, a não ser nas carreiras que se regem por lobbies, ordens, ou que lhe quisermos chamar. Quem, pelo exclusivo prazer de aprender e saber, decidir frequentar um curso versando as matérias que lhe interessam tem todo o direito a fazê-lo. Obviamente que não estou aqui a endereçar questões de financiamento público das instituições envolvidas, pois isso conduzir-nos-ia para outra discussão.
4. Por último, acho que o País só tem a ganhar com uma população crescentemente formada, nos domínios académicos como atrás referi. Vide como estamos a ser ultrapassados pelos nossos concorrente (de leste, pe), e como as nossas empresas revelam uma tremenda incapacidade de gestão, particularmente para enfrentarem os desafios da globalização, por falta de conhecimento de quem tem de gerir. Não adianta continuarmos a “atirar culpas” para os trabalhadores e sua falta de produtividade. Estamos cheios de gestores incapazes, ponto! Acredite que sei do que estou a falar, e que me envolvo com frequência nos meios universitário e de negócios, exactamente tentando contribuir para colmatar esta e outras lacunas.
Obrigado, por me ter levado a produzir estas opiniões.
Ora essa, os blogues servem para isto mesmo.
1) O problema é que as Universidades por cá já não cumprem nenhuma dessas funções. Bolonha, na minha opinião, é a prova disso – a procura de “evoluir” o ensino superior de um modelo de “transmissão de conhecimentos” para outro, de “aquisição de competências”. Sei do que falo: participei activamente na transição de Bolonha na instituição onde estudei. Só que com Bolonha, o ensino superior ficou algo perdido no meio destas duas ideias.
2) Novamente Bolonha. Foi um processo complicado, que, como disse acima, acompanhei de perto durante o meu percurso académico. Podia falar durante horas sobre esse tema.
3) É evidente que as questões não estão relacionadas, como diz. As Universidades têm o seu espaço e a sua função; e o mesmo se aplica aos Politécnicos. A dignidade do seu ensino não está obviamente em causa; creio apenas que não se pode homogeneizar aquilo que por natureza, é diferente e tem funções diferentes. Mas o que tem acontecido é uma progressiva equiparação de ambos, e não creio que o resultado seja o mais positivo.
4) Admito que tem razão no que diz no ponto 4. É um (sub)tema que merecerá um pouco mais de reflexão.
5) Acredito no que diz, dado que está num meio que me é algo obscuro (e do qual o pouco que conheço não é o melhor, de facto). É evidente que considero de extrema importância a Educação, e é fundamental que o país tenha uma população com formação cada vez melhor. Isso, porém, não significa – no meu entender – que toda a gente tenha de ter um “canudo”. Há profissões para as quais isso poderá ser fundamental, mas não para todas. De resto, a Educação em Portugal falha desde a base, desde a escola primária. É um edifício com as fundações podres. Não me parece por isso sensato esperar que a Universidade seja brilhante, quando tudo o que está para trás – e que “desagua” precisamente ao ensino superior – é um desastre.
Obrigado pelo seu comentário. É um prazer tê-lo por cá.
Caro João Campos,
concordo com o que diz. para ser completamente franco, e sem retirar o que disse atrás, eu também estou descrente… mas não quero estar.
Por norma não gosto de desistir, e é isso que continuo a fazer nesta área. As coisas não estão bem, desde o ensino primário. Actualmente estou muito distante do primário e menos do secundário. Admito que você tenha razão. Eu só tenho um feeling , mas que coincide com o que diz.
Agora, parece-me que em relação às empresas os nossos entendimentos possam estar mais distantes. O que eu sinto é uma enorme falta de saberes básicos por parte de quem supostamente dirige. Não é verdade, meu caro, a maior parte dos gestores de PMEs que conheço, não têm o mínimo de preparação para as funções que as “suas” empresas exigem (como muito bem o amigo João André refere na sua experiência).
De acordo que o “canudo” não é preditor de nada. Mas ajuda com os saberes elementares que o possuidor detém Em princípio , claro. A minha ênfase neste ponto é no sentido de não se poder pedir a alguém que não tem carta de condução que possa conduzir um Ferrari (passe o ar brejeiro).
Sabe que eu habituei-me a “ensinar” aos vendedores que a mim se reportavam que quando deparassem com alguém que orgulhosamente (por vezes, arrogantemente) se intitulava de autodidacta , que o caminho estava facilitado – à primeira oportunidade trocavam o importante pelo supérfluo , o real valor pela aparência. Claro que caricaturei, mas tenho a certeza que percebeu onde queria chegar.
Normalmente este autodidactas ” tratam bastante mal os colaboradores: menosprezam a formação, desqualificam os êxitos, sobrevalorizam o erro, evitam a inovação, desdenham da frontalidade, desconfiam como atitude. Quase que demonstram que as pessoas são para eles uns fardos.
É a isto que me refiro com capacidades de gestão (de pessoas em particular). Estas coisas ganham-se de pequenino e optimizam-se à medida que se amadurece. Agora deixar amadurecer e envelhecer o que não tem valores de base, conduz ao que Drucker bem dizia: “Experiência não é a repetição sistemática de más práticas”.
Para mim também é um prazer estar neste debate.
Uma nota final: o meu nome é Vitor M. Trigo, daí o VMT que está a aparecer, não sei bem porquê.
Sou amigo e ex-colega do Fernando Penim Redondo que assina o post inicial.
Uma braço, Fernando. Tu é que és o culpado disto tudo 🙂
Como lhe disse, da área empresarial conheço pouco. Os nossos entendimentos nessa área estão por isso muito distantes – o Vítor terá certamente um conhecimento e um entendimento dessa área muito superior ao meu, daí acreditar no que me diz. Já tive porém a oportunidade de conhecer alguns desses autodidactas. Um deles em particular é de bradar aos céus e pedir um relâmpago.
Já a culpa do Fernando é apenas uma: a de ter escrito um post muito bom sobre um tema particularmente importante.
Curioso. Em Portugal vivi num mundo onde qualquer pessoa é doutor ou engenheiro (por acaso até tenho ambos os títulos) mas onde as qualificações profissionais não são consideradas importantes para as empresas. Na Holanda num mundo onde ninguém é tratado pelo título (toda a gente é “tu”, até os professores) e onde os doutores (por extenso, com doutoramento) são contratados sem problemas. Na Alemanha, onde trabalhei no passado e onde trabalho agora, há um equilíbrio. É dada alguma importância ao uso do grau académico mas sempre numa noção dar ao grau o respeito que merece e não mais que esse. Por outro lado, quem não tem o grau académico não é minimamente desprezado. Claro que as imensa facilidade de passar dos meios académicos para o meio empresarial (e vice versa) facilita esta vivência e a partilha de conhecimentos práticos e teóricos.
A parte que mais me salta à vista no texto é: «Só numa pequena percentagem eles [os “doutores e engenheiros”] encontram no mundo empresarial quem parta dessa formação de base para sobre ela construir verdadeiras competências que gerem riqueza». Não é tanto uma questão de termos doutores e engenheiros com pouco conhecimento prático: o primeiro que soubesse desempenhar a sua profissão no espaço de dois dias depois de terminar o curso que levante a mão. É antes uma questão de o capital de conhecimento obtido na universidade acaba por ser desbaratado porque não se compreende que aquilo que é ensinado (a teoria) é extremamente valioso, mas apenas se for dado tempo à pessoa para que a teoria seja colocada ao serviço da prática.
Infelizmente, como costumo dizer muitas vezes, o problema de Portugal nesta questão dos “doutores e engenheiros” e daquilo que estes têm que fazer para sobreviver é mais o conservadorismo [aceita a palavra Pedro?] dos patrões. Estes, com formação frequentemente inferior à dos seus empregados mas bem sucedidos, acabam por desprezar as contribuições de inovação destes, considerando-as quase como contribuições de diletantes (quantas vezes ouvi as palavras «Ó engenheiro, deixe estar isso, sempre fizemos assim…».
Como resolver o problema? Não sei. Sei que, ao contrário do que pretendi no passado, coloquei o “Doutor” nos meus cartões bancários portugueses. É parolo, mas infelizmente ainda há muita gente que, ao ver o título, muda a atitude.
PS – o comentário está completamente sem estrutura e confuso. Lamento. Saiu-me assim ao fim de um longo dia a escrever relatórios. Coisas do cansaço.
Caro João André, acho que o seu comentário junta opiniões que podiam estar no que acabo de produzir. Enriquecem-no portanto.
“A controvérsia acerca da licenciatura de José Sócrates…”
Controvérsia? Que controvérsia?
Dois pontos:
1. É incontestável que a “licenciatura” em causa foi obtida de forma irregular. Alguém ainda tem dúvidas quanto a isso?
2. Claro que, para se ser primeiro-ministro, não é necessário ser-se doutor ou engenheiro. No caso em apreço, o que se censura, e muito bem, é a invocação de um título académico que não se tinha (ver ficha inicial de deputado) e os artifícios ilegitimamente utilizados para o obter e dele fazer uso (ver documentos oficiais no Diário da República, por exemplo).
A controvérsia foi precisamente no que diz respeito a uma necessidade de muitos opositores de o atacarem por aparentemente não ter licenciatura (algo a que se agarraram quando ficou mais ou menos claro que a haver irregularidades não seria por parte dele) e por causa dos defensores que pareceram achar fundamental defender a licenciatura de Sócrates como se fosse algo imprescindível para se governar o país.
Demonstrou essencialmente uma mentalidade tacanha de parte a parte.
“a haver irregularidades não seria por parte dele”
Como assim? Essa é boa!
Então não foi ele que enviou, apenso ao cartão de secretário de Estado, um fax com a “prova” de Inglês Técnico que lhe permitiu a “licenciatura”?
Não foi ele que preencheu a fica de deputado como “engenheiro civil” – coisa que nunca foi nem é -, numa altura em que nem sequer ainda tinha “obtido” a tal “licenciatura”?
Quer que continue?
Caro Fernando:
Prazer em recebê-lo por cá, ainda por cima com um tema tão importante e sempre tão actual. Um tema que continua a proporcionar discussão, como se vê.
Abraço
Há muitos anos não havia pontõs na Doca de Belém (nem em nenhuma outra, de resto); quando íamos para bordo chamávamos um senhor chamado Zé da Viola, que manobrava uma chata e nos levava de, ou trazia para terra.
O Zé era uma personagem: enorme, ex-pescador no bacalhau, bruto como uma placa de betão armado; e bêbedo. Muito bêbedo: ao almoço o Zé arrefinfava-lhe valentemente.
O que de uma forma geral não era grave: demorava um bocadinho mais a chegar quando o chamávamos, e dizia mais um palavrão ou dois do que o costume – mas eles já eram tantos que, neste ponto, a distinção era difícil.
Um dia o armador do barco no qual eu costumava navegar (engenheiro de profissão) resolveu vendê-lo; e como era uma pessoa de uma boa educação extrema resolveu apresentar o novo armador ao Zé da Viola.
– Zé, olhe, apresento-lhe o senhor Fulano de Sicrano e Beltrano.
– Boa tarde, senhor Zé, como está?
– Boa tarde. Vocemecê é doutor ou engenheiro?
– Senhor, Zé, pode tratar-me só por Senhor Fulano; não sou doutor nem engenheiro.
– Ó homem, vá pró c…; eles aqui são todos doutores ou engenheiros, e vem você agora armar-se em diferente?
Foi à tarde…
Eis um tema de grande actualidade que nem sempre é alvo do debate amplo que merece. Está de parabéns, o Fernando Penim Redondo.
Estou obviamente muito satisfeito com o interesse manifestado por tantos leitores.
Os comentários feitos ao meu texto abrem novas abordagens que, em geral, o enriquecem. Tenho consciência dos limites de um texto curto que se atreve em terreno tão complexo.
Na minha experiência de vida, como profissional, tenho 2 anos de professor do secundário, 2 anos de comando de fuzileiros na Guiné em plena guerra, 23 anos quase sempre como gestor de projectos com aplicações de gestão e 7 anos como “General Manager” de uma empresa tecnológica povoada por 50 jovens engenheiros e licenciados em gestão.
Trata-se de um conjunto variado de situações, em vários lados da barricada. Aprendi umas quantas coisas acerca do velho problema da chefia e da liderança.
Finalmente quero deixar claro que, como é óbvio, nada tenho contra os doutores e os engenheiros.
O que escrevi tem subjacente a minha mania de distinguir sempre a informação do conhecimento.
Todos nós temos mais ou menos informação “residente” no cérebro. Mas só produzimos conhecimento quando manipulamos e transformamos essa informação para servir adequadamente um propósito (seja ele qual for).
Esta é uma questão que, como é óbvio, não vou desenvolver aqui, agora.
Subscrevo a preocupação e as conclusões.
O problema não está na massificação dos cursos e dos títulos, mas na proliferação de maus cursos, na formação de maus académicos e de maus profissionais. E na total ausência de preocupações sociais na formação. O título tornou-se um fim em si mesmo, não uma marca distintiva da qualificação e da competência.
Caro Sérgio,
Não posso deixar de estar de acordo com o que diz. Contudo, tenho pena que não seja mais concreto. Obviamente que ninguém pode aplaudir maus cursos, maus professores, e maus profissionais.
Tenho-me batido, com as poucas armas de que disponho, por aquilo que penso que o amigo considera como preocupações sociais. Por isso vou aproveitar o seu comentário.
Porque vejo vantagens na focalização da atenção tenho-me centrado na ética e no que se costuma designar por Soft Skills (competências relacionais em complemento – não em competição com os Hard Skills , vulgo competências técnicas).
Este espaço é restrito para explicar o que penso sobre o assunto, por isso o convido a visitar o meu recente blogue, onde coloca as minhas reflexões sobre o que vou estudando e ensinando. O endereço é
Eu e os meus compaheiros estamos convencidos de estarmos a contribuir, modestamente claro mas com grande empenho, para melhores cursos, melhores professores, melhores alunos, melhores profissionais.
Utopia? Se calhar. Mas a vidas sem utopias faz sentido?
Caro Vítor,
Agradeço o seu comentário interessado.
Os maus exemplos estão aí, à vista de todos, no nosso quotidiano. Em particular, e naquilo que me diz respeito, na área onde trabalho.
Vai interessante a conversa, caro Sérgio.
Não estamos nada em desacordo quanto à questão da ética. Estamos mesmo perfeitamente sintonizados.
Quando me referi ao 1º semestre do 1º ano, o que eu queria dizer era “desde o início”. Só que o meu referencial era o ensino superior. Mas concordo que é assunto para toda a vida, claro.
Devo confessar-lhe que tenho grande apreço por todos os níveis de ensino, mas eu estou mais focalizado no ensino superior por uma razão: o que faço é sem quaisquer encargos para as escolas, e, como adoro aprender, penso que o ensino superior me pode retribuir melhor do que as outras alternativas.
O meu “blog” não é exemplo para ninguém. Uso-o para que as ideias que vou produzindo, não se percam – é uma forma de falar comigo.
Sob o aspecto de imagem é muito fraco, mas não sou expert na matéria e dei prioridade ao conteúdo. Mas estou muito interessado nos seus comentários, por esta via ou outra qualquer.
Não sei o problema é meu, mas estou a afixar e a ler os comentários neste blog com indicação de erros e num aspecto muito semelhante a script .
Conversa interessante, esta. Obrigado.