Delito de Opinião: o country club da blogosfera nacional
As surpresas blogosféricas dão nisto: um sorriso quase infantil a iluminar-nos todo o dia. Depois, a pergunta fica no ar: o que posso eu dizer aqui, neste espaço colectivo, sempre acolhedor, do Delito de Opinião? Que eu visualizo como um country club entre árvores, a que se chega por uma alameda de tílias?
A minha aventura blogosférica começou num rio, magnífica metáfora da vida, há precisamente três anos. Descobri de novo o rio na melhor década do cinema do Pedro, ainda no Corta-fitas, onde me lembrou que também o rio é dessa década… Afinal, também eu sou dessa década (risos), embora dê por mim a interagir com bloggers das décadas posteriores à minha: dos anos 60, 70, 80…
Sim, a blogosfera trouxe-me gratas surpresas. A possibilidade de falar da vida e do cinema, dos dilemas e dos paradoxos. Mas também me abriu a possibilidade de debater ideias noutros blogues, os desafios, a comunicação.
Mas chegada aqui, ao country club (Delito de Opinião), nesta magnífica tarde de um verão ameno, com um leve vento a agitar as folhas das árvores, vou encontrar os meus anfitriões muito entretidos: o Pedro a escolher os filmes da sua vida… a Ana Vidal a declamar poemas na varanda da frente, intervalados por uma limonada fresca… o João Carvalho, na garagem, a puxar o lustro ao seu bólide do tempo dos filmes do Humphrey Bogart… a Teresa a preparar mais um teste cinematográfico, daqueles que só os cinéfilos descodificam… a Leonor a passar os homens giros e talentosos em revista… o João Campos a escolher mais uma série de ficção científica… o Luís M. Jorge a chegar ao portão e a empurrar, pela alameda de tílias, a sua pesada mala de viagem… uf!, são muitos os sócios do clube, uns chegam de férias, outros partem… quando se juntam, fala-se de política nacional ou das novidades do dia, mas geralmente de forma descontraída e bem-humorada, afinal a vida é breve e são amenos os dias aqui… só perturbados de vez em quando por uma chuvada de verão.
Hoje já não poderia conceber a minha existência sem os blogues, sobretudo os colectivos, e sem este espaço amável entre árvores. Não é propriamente uma relação de dependência, embora tenha estado perto disso… Mas no tempo sincopado das ligações virtuais, em que tudo se passa de forma vertiginosa, sempre no eterno presente, a blogosfera ainda é um espaço onde é possível parar e recuperar o fôlego. Não sabemos por quanto tempo, mas até lá espero ainda acompanhar ideias, desafios e provocações nos posts mais diversos.
E como o rio (a vida) é por vezes calmo, por vezes bravio e livre, deixem-me filosofar numa das suas paragens à sombra, tal como as suas personagens (o homem, a mulher e o rapazinho):
A vida revela-nos, a partir de uma certa altura e para quem goste de reflectir, o valor dos acontecimentos passados, das pessoas que connosco se cruzaram, de tal forma que as personagens que julgávamos principais podem de repente tornar-se secundárias e as secundárias podem passar a principais. É um processo muito estranho mas que nos coloca na verdadeira dimensão da nossa realidade.
Tornamo-nos menos permeáveis à ficção e a influências nefastas, que só nos fazem perder tempo e energias. Passamos a valorizar o tempo. Tornamo-nos mais selectivos. As nossas prioridades mudam.
Afinal, começamos a vislumbrar um prazo para o nosso filme: o the end lá está e queremos que o filme melhore, da série por vezes inclassificável em que se transformou, para série B ou, com um pouco de sorte, para um filme memorável. Digamos que mudamos o guião, as personagens, as cenas, os cenários.
Como antecipar esta sabedoria que só a idade nos traz? É simples: treinem o vosso próprio olhar, a vossa própria voz. É certo que antes de conseguir descobrir a nossa autenticidade tivemos de ver e ouvir através de outros olhares e de outras vozes. Mas o que nos irá orientar nesse rio é o nosso próprio olhar e a nossa própria voz.


Sábios conselhos, Ana.
E estraga-nos com mimos, ainda por cima. Seja muito bem-vinda a este country club que é também a sua casa.
Obrigada, Ana!
Se me estragam com mimos retribuo na mesma moeda! E ficam já a saber que, apesar de chata, adoro dar miminhos!
Ana
E têm-me dado um trabalhão os giros e talentosos…
Bem-vinda e obrigada pela gentileza.
Obrigada, Leonor!
Sim, acredito que dêem muito trabalho, não é à toa que se é giro e talentoso…
Depois deste último giro e talentoso, o Peter Gabriel, a lista compôs-se ainda mais! (Mas esta
é a minha opinião muito pessoal…)
Ana
Como sempre, é um prazer lê-la, Ana.
Obrigada, John!
Também tenho acompanhado religiosamente os teus magníficos posts sobre ficção científica!
Ana
Lembram-se de mim, olham duas vezes para o meu carro de estimação, não me puxam as orelhas por não gostar do governo e ainda deixam um pingo de nostalgia? Então estão a estragar-me com mimos.
Parabéns pelo texto, Ana Gabriela. E obrigado.
Obrigada, João!
Claro que o facto de sabermos que é mauzinho, não pesa nada na hora de lhe dar mimo! E sabe porquê?
Porque nos anima os dias com as suas descobertas bem-humoradas. Traz-nos o melhor (e às vezes o pior) do mundo para dentro de casa e ainda se fica a rir da piada. E dá-nos aulas de borla de português (ah, a gramática…)
Ana
Mauzinho!? Eu???
:o)
Sim, João, mas só às vezes…
… e com muito estilo, o que faz toda a diferença!
Ana
Ana, há muito que desejava vê-la por aqui. Ainda bem que isso aconteceu hoje. É a primeira vez e tenho o pressentimento de que não será a última.
Obrigado pelo carinho que nos dispensou. Sabe que é retribuído.
Obrigada, Pedro!
Sempre me receberam com tanto carinho neste lugar mágico e divertido… Cá passei serões de inverno (os mais difíceis de passar) e antecipei a primavera… E vim ver livros e filmes, viagens e poemas… E debater um ou outro tema actual… E inspirar, surpreender e rir (a melhor terapia possível)… E recordar o melhor de outros tempos (nostalgia)…
Sim, o carinho com carinho se paga. O Pedro foi o primeiro a acarinhar um rio… e a lembrar-me que era da década de 50… e agora este convite…
Um grande abraço a todos e obrigada pela surpresa de que não me vou recuperar tão cedo!
Ana
Ups! Tão atarantada fiquei que me esqueci de agradecer à Teresa!
Obrigada, Teresa, pela amabilidade de me ter colocado aqui a navegar.
Eu sei que ainda não acertei uma única vez no seu questionário de cinema (e a única vez cheguei atrasada), mas é com muito prazer que tento acertar…
Ana