Convidada: ANA


Pedro Correia,

 

As crianças de hoje

 

Dei catequese durante anos numa paróquia muito dividida em termos de classes sociais. Crianças muito, muito pobres, e, no outro extremo crianças com muitas posses. O comum entre a maioria delas? A Hiperatividade diagnosticada e comprovada cientificamente.

Lidar com crianças hiperativas pode ser esgotante, desgastante, frustrante. Sabemos que não podemos ir a qualquer local público, pois não sabemos que comportamento elas poderão vir a demonstrar. Pode chegar mesmo a ser humilhante para os adultos que as acompanham, sendo pais ou não.

No início do ano de catequese, e com um grupo novo, coloquei-me à prova, tentei desvendar o que poderia estar por trás deste comportamento. Eu não acredito que as crianças nasçam hiperativas só porque sim, sempre acreditei que existem diversos motivos para que este comportamento se desencadeie. E não me enganei. Vou apenas enumerar alguns exemplos, infelizmente reais:
 

 

– Crianças que viveram na rua até aos 3 anos de idade – Não se recordam da maior parte das coisas, mas há três memórias fundamentais e que as irão acompanhar para a vida: a sensação de insegurança, a fome e o frio;

– Crianças que assistiram à morte de um dos familiares perpetrada por outros, ou seja, pessoas em quem confiavam;

– Crianças que apareciam com a marca do cinto no rosto, nos braços, e sempre que me arriscava a levantar um pouco a camisola a algum, as lágrimas tendiam a cair tal a crueldade, a violência a que tinham sido sujeitas;

– Crianças que destruíam os vidros ao murro por se sentirem presas, por não sentirem a liberdade tão desejada;

– Crianças que não tinham o mínimo acompanhamento em casa, uma palavra de carinho, força e confiança. A sua companhia eram os gadgets eletrónicos, os telemóveis topo de gama, as consolas de inúmeras formas e feitios;

– Crianças “depositadas” na catequese, como se de um ATL se tratasse;

– Crianças sem estrutura familiar;

– Crianças que à pergunta “O que queres ser quando fores grande?”, respondiam “Quero ser pai, quero ter muitas mulheres, que vou matando à medida que tenho filhos.”
  

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Todos estes exemplos indicados como hiperativos ou mesmo psicopatas (num dos casos). O acompanhamento que tinham a nível psicológico? Nenhum! Como é que a sociedade quer integrar estas crianças? Qual o papel da escola, das assistentes sociais no seu desenvolvimento?

Classificar as crianças como hiperativas é fácil, o difícil é mudar mentalidades, o difícil é fazer com que ultrapassem certas vivências, o difícil é fazer esquecer… No fundo, o difícil é agir e ajudar!

 

A catequese era assim uma hora semanal em que se falava da Igreja, de princípios e valores que lhes custava a interiorizar, mas acima de tudo era um espaço em que eles desabafavam, um espaço em que se sentiam seguros, um espaço onde podiam abraçar e beijar sem medo, um espaço onde podiam ser crianças e interagir com os outros, brincar sem maldade associada. Um espaço que ia deixando a teoria da Igreja cada vez mais para trás, um espaço que se tornou o espaço deles, o espaço em que deixei um pedacinho do meu coração a cada semana.

 

Quando conhecerem uma criança identificada / diagnosticada com alguns destes sintomas, tentem perceber a sua história de vida e não a classifiquem logo como irritante, provocadora, briguenta, intolerável. Pode ter suportado em poucos anos de vida aquilo que nenhum adulto suportaria. E estas crianças merecem ser ajudadas!

Numa semana em que se comemorou o Dia do Abraço, lembrem-se: este simples gesto pode curar meses de sofrimento.

 

 

Ana

(blogue CHIC’ ANA)

0 comentários em “Convidada: ANA”

  1. A Hiperatividade diagnosticada e comprovada cientificamente

    Mas quem foi o cientista que fez tal diagnóstico e o comprovou? Tinha mesmo havido, para essas crianças, algum cientista que tivesse feito qualquer diagnóstico? É que as crianças muito, muito pobres talvez não tivessem cientista disposto a diagnosticá-las…

    1. Não foram cientistas, mas sim médicos, psiquiatras e psicólogos que os identificaram como tal. As crianças pobres têm estes apoios através das escolas, através das juntas de freguesia. Sim, todos eles nos apresentaram um papel com o diagnóstico. (Como é óbvio não aprofundei se era válido ou não, também não fazia parte das minhas competências).

    2. Ele refere-se a ser muito agitada. Mas esta criança teve foi uma infância até aos 8 anos muito complicada, muito mesmo. Fome, falta de higiene, falta de regras, falta de atenção, falta de comparecia da mãe na escola. Tudo isso fez com que hoje, com 9 ainda seja um pouco agitada. Estamos a tentar que acalme.

      Beijos
      Se pretender visite-me lol

  2. Que experiencia… 🙁 Aquela resposta do ultimo miudo sobre quando crescer deu-me calafrios 🙁
    Os que crescem com pouco sao os que dao mais valor…
    Obrigada, querida Ana pela partilha. Gosto mesmo muito de ti.
    Bjinhosss

    1. Acredita Matilde que fiquei ali uns segundos sem reação… Não sabia mesmo o que lhe havia de responder.. Depois tentei chamar a criança à razão.. mas não é com uma hora que se consegue…
      Beijinhos

  3. Bom dia
    Li atentamente o teu texto e dou-te os parabéns! Lidar com crianças não é fácil.

    Tenho uma criança comigo ( resultado de uma traição, que correu mal)…que, “tirei” da mãe por maus tratos. Até aos 8 anos foi uma menina sem regras. tem sido difícil domar, porque é irrequieta. Está comigo quase há um ano. Está melhor, mas ainda há muito trabalho a fazer.

    O meu marido questiona-me se ela não será hiperactiva, onde respondo que o que ela tem ou tinha era falta de regras e boa educação. Acredito que, se os miúdos fazem tudo o que querem e têm tudo o que querem, tornam-se mais “mal comportados, salvo excepções.

    Não concordo nada com os brinquedos electrónicos, tipo telemóveis e tablets, só para os calar. Mas claro cada qual é que sabe. Já não se brinca “na rua”…

    Por falares nas as crianças precisam de ajuda,sim, concordo. Mas é difícil chegar. Pedi na escola uma psicologia para a minha menina no inicio do ano lectivo, foi enviado o recrimento e até hoje, NADA.

    Não sei se está em contexto.Mas gostei de te ler.

    Beijinhos

    1. Olá Cidália!

      Lidar com crianças nos dias de hoje não é nada fácil e muitos são aqueles que desistem. Lá está, se até aos 8 anos foi uma criança sem regras, não é de um momento para o outro que as vai assimilar e sequer compreender porque é que tem de alterar o comportamento. Acredito que seja uma tarefa árdua, difícil, os meus parabéns Cidália, sinceros, pela atitude e força!

      Muita da hiperatividade tem sem dúvida a ver com a falta de regras existentes, com a liberdade que têm desde pequenos.

      É muito difícil, quanta ajuda nós pedimos, não só individualmente, mas também como instituição, contando ter maior peso, não, infelizmente não a obtivémos.
      Obrigada!
      Um beijinho

      1. Muita da hiperatividade tem sem dúvida a ver com a falta de regras existentes

        Acha? Eu diria antes que tem a ver com o excesso de regras.
        Se a criança passa os dias sentada no carro dos pais, e em catequese, e a ver televisão, e etc e tal, sempre em espaços fechados, sempre sentada, sempre aprisionada, pois é normal que se revolte, que queira atividade, que queira correr e brincar!

        1. Acho que neste caso tanto pode estar relacionado com o excesso de regras, como com a falta destas. Tudo depende de um bom equilíbrio, e este não é fácil de alcançar…

    2. O meu marido questiona-me se ela não será hiperactiva

      Hoje em dia usa-se um diagnóstico de hiperatividade a torto e a direito.

      Experimente duas coisas. Um, cortar-lhe o açúcar na alimentação (e nas bebidas). Dois, deixá-la brincar no exterior (jardim, campo de jogos público, etc) com outras crianças, pelo menos uma hora por dia.

      1. Uma das regras cá em casa é que a bebida é água.
        Também açucares só se forem das frutas …Tenho 54 anos, já não caio na “asneira” das doçarias para os garotos. Só em casos especais, claro. Lol

        Um beijo

      2. Por vezes estas duas medidas podem não ser suficientes. Ajudam, mas podem não chegar…
        Muito carinho, compreensão, conversas, acompanhamento psicológico e sorrisos também são aconselháveis.

      3. Espantoso como o Luís Lavoura sabe tanto sobre o que se passa na casa da senhora.
        Corte-lhe no açúcar, nas bebidas e na alimentação, deixe-o brincar no jardim com outras crianças, etc, etc e tal.
        Como sabe que a criança não desfruta disso tudo? Consultou o doutor Caramba, foi?

  4. Penso que é bastante complicado diagnosticar, correctamente, hiperatividade. Por acaso, o que mais vejo, nas supostas crianças irrequietas, ou hiperativas, ou com déficits de atenção, é uma falta de chá tília que deveriam ter bebido em casa. Outra coisa que noto nestas hiperatividades é elas terem origem significante em famílias “catequistas e azuis ” que não previligiam muito as vantagens associadas à espera e à frustração que esta acarreta , preferindo-se o dar das coisas, de mão beijada, para que a criança não desenvolva traumas causadas pelo pouco tempo para o afecto. Afinal o papá esteve a trabalhar até tarde para que nada falte ao menino – a roupinha gira e o jogo que saiu.

    1. Sr.Einzturzende da Comporta
      Também li algures que a falta de educação se confunde
      inúmeras vezes com a hiperatividade.
      O mais dramático é que começam logo a tomar medicação
      para essa ” patologia “. Assim os pais ficam mais descansados
      e as crianças um pouco apáticas.

        1. Não é a solução e altera consideravelmente a saúde
          dos ” putos”. Não tendo filhos a minha experiência nesta
          matéria é bastante limitada.

          1. Eu também ainda não os tenho, já trabalhei diretamente com crianças e apenas abordei a minha experiência. Espero sinceramente ser capaz de fazer o melhor pelos meus filhos.
            Beijinhos

    2. Boa tarde, realmente o que é focado neste comentário é muito importante. É a sociedade do facilitismo associado ao consumismo exarcebado. Enquanto os valores forem substituídos por bens materiais, não vamos longe…
      Beijinhos

  5. O problema é que hoje em dia a PHDA é diagnosticada muito “facilmente”. Não estou a dizer que estas crianças com quem lidaste não tivessem esse diagnóstico, mas a verdade é que muitas vezes estes diagnósticos são mal feitos. Como sabes, eu estudei Psicologia e frequentei o Mestrado em Psicologia Educacional, e aquele tempo em que estive nessa área fez-me compreender isso mesmo. Há muitos diagnósticos errados. Há muitas crianças que carecem de regras ou de acompanhamento (ou, nalguns casos, são apenas diferentes) e são depois diagnosticadas como hiperativas e medicadas. Problema disto? Acompanhamento e intervenção errados destas crianças – quando existe, porque muitas vezes, após o diagnóstico, “trata-se” a criança com ritalina e mais ninguém quer saber -, e desvalorização de todas as crianças, mesmo as que efetivamente apresentam PHDA, porque são é “mal educadas e um par de açoites resolvia o problema”.

    A verdade é que existe falta de acompanhamento psicológico nas escolas. Se calhar, uma intervenção comportamental era o mais importante. Mas não existem m€ios. Ou vontade para esses meios.

    E o facto é que o trabalho feito pela Comunidade (como, por exemplo, os catequistas) acaba por ser fundamental. Independentemente das crenças de cada um, o que tu fizeste com os meninos tem que ser valorizado 🙂

    Agora… A última resposta é verdadeiramente assustadora.

    1. Vivemos na era do facilitismo, e tu, melhor que ninguém, pode dar uma opinião válida e construtiva. Eu também penso que hoje em dia é tudo muito fácil, é fácil atribuir “rótulos”, o difícil é tentar corrigir a situação em si. Algumas destas crianças, acredito que pelas vivências estivessem corretamente identificadas (muitas delas não poderiam ser sãs depois daquilo a que foram sujeitas), outras, nem por isso..

      Tudo depende muito de uma boa estrutura familiar, de uma boa educação, de um bom acompanhamento. Tantas e tantas vezes que nós pedimos esses apoios, que as escolas o fizeram, mas não houve qualquer resposta positiva.

      Admito que muito do meu trabalho não era o de catequista, foram raras as vezes em que o fui, era mais uma amiga que outra coisa. Estas respostas desarmavam-nos, estamos a falar de crianças dos 5 aos 8 anos…. Era inacreditável!

  6. Ana,

    fantástica análise que traduz uma cruel realidade. Infelizmente.
    Todavia tenho que fazer um breve reparo. Há hiperactividade genética. Isto quer dizer o quê? O chamado deficite de atenção pode não ter a ver a com a família, mas a tal coisa dos genes.
    O problema destas pessoas não é enquanto crianças mas já como adultos. A insegurança e o desconforto psicológico percebidos numa criança quando plasmados na idade adulta tornam-se bem piores. Não sabem decidir, temem o peso da decisão e guardam esta para a última hora.
    As relações pessoais são quase sempre fugazes ou truculentas.
    Parabéns pelo texto.

    1. Olá José, estou absolutamente de acordo.
      Há realmente casos em que a hiperatividade é genética, e aqui, por vezes a resolução é mesmo o recurso a comprimidos. Mas a maior parte dos casos tem a ver com aprendizagens e vivências. E é nestes casos que penso existir um longo trabalho pela frente, que não seja somente o recurso a químicos..

      Obrigada.
      Um beijinho

  7. Parabéns Ana, excelente texto.
    Há muita coisa que não se vê que dá origem a desvios comportamentais, o problema maior é que essas crianças serão adultos que não saberão integrar-se corretamente na sociedade.

    1. Obrigada Gata. Infelizmente assim é, fica muitas vezes por investigar o porquê de determinados comportamentos.. Eu tenho muito receio dos jovens e adultos em que estas crianças se virão a transformar… Não têm o mínimo acompanhamento, é muito triste..
      Beijinhos

  8. Olá Ana, excelente texto e arrepiantes histórias de vida que descreveste. Os casos que mencionaste são verdadeiramente traumáticos numa vida tão curta mas que, infelizmente, serão recordações que durarão para sempre, só lhes desejo o melhor. Beijinhos!

    1. Olá Kikas, obrigada! Realmente são histórias que arrepiam qualquer um, e quando contadas por um olhar inocente, ainda mais… É uma sensação de impotência avassaladora..
      Espero que consigam ter um futuro o mais brilhante possível!
      Beijinhos

  9. Mais um texto que adoro da Chic’Ana!
    Desta vez de uma realidade mais triste, mas é verdade e o que há mais é crianças hiperativas. Em vez de trabalharem o psicológico da criança e tentarem resolver as situações, atualmente muitos médicos passam um diagnóstico de hiperatividade e toca a dar Ritalina às crianças… Só alerto uma coisa, vejam bem os efeitos secundários dessa tal Ritalina…
    A mim assusta-me, tenho conhecimento de vários casos que têm que tomar, simplesmente porque o médico diz, e o meu conselho é que esses pais arranjem outra alternativa, procurem arranjar tempo para os filhos, para dar carinho, para terem uma conversa, estejam alerta que tipo de jogos jogam, que tipo de situações as crianças assistem na TV ou em ambiente familiar, é que tudo mexe com o psicológico das crianças…
    Tenho que ver este blog com mais pormenor, gostei muito!
    Beijinhos

    1. Muito obrigada! Não poderia estar mais de acordo com o que dizes. Temos de fugir ao facilitismo a que esta sociedade se acostumou.
      Confesso que nunca vi ou investiguei os efeitos da Ritalina, mas admito que não devem ser os melhores, afinal, estamos a sedar crianças que deveriam ter a liberdade de brincar…
      Parte dos pais fazerem um acompanhamento rigoroso aos filhos, serem cúmplices e amigos…
      Beijinhos e mais uma vez, obrigada!

  10. Trabalho à muitos anos com crianças hiperactivas, ou supostamente hiperactivas. Chegam-me várias com diagnósticos errados e incompletos. Rotuladas e medicadas . Concordo com muito do que foi dito e discordo de outra tanta parte mas o essencial é essas crianças serem acompanhadas para conseguirmos os melhores resultados possíveis. Utopia? Talvez… compete-nos a nós adultos e profissionais de saúde chegarmos até elas.
    http://asreceitasdamaegalinha.blogspot.pt/…/pota-panada.html

    1. Olá Joana, obrigada pelo teu comentário.
      Sim, eu penso que o fundamental é mesmo existir um acompanhamento psicológico que vá além da simples utilização de químicos..
      Vamos fazer de algo que parece uma utopia, a realidade.
      Beijinhos

  11. Excelente texto , Ana. Concordo que hoje em dia os bens materiais são mais acessíveis e rápidos de dar do que um simples gesto de carinho . Os pais querem dar tudo aos filhos e esquecem-se do seu papel de educadores. Depois quem manda? É a criança. Mas isto são outros quinhentos.
    O déficit de atenção e hiperatividade é muito utilizado para “desculpar” outros problemas que existem (como os que referiste no post) mas que não são PHDA.
    O PHDA tem de ser diagnosticado por um psicólogo e está associado ao não desenvolvimento normal do lobo frontal do cérebro. Numa situação destas, a criança é imatura e não se consegue concentrar ou comportar-se normalmente. Se diagnosticados tardiamente podem vir a tornar-se adolescentes ou adultos depressivos ou com outros problemas psicológicos.
    O meu filho tem PHDA (subtipo impulsividade-hiperatividade), a sua inteligência é acima da média, mas é muito imaturo, não reage bem à frustração e na escola é um problema para acabar tarefas que ele ache aborrecidas. As professoras acham-no mal educado e castigam-no. Os colegas chamam-lhe bebé e deficiente. Os outros pais tratam o assunto como tabu (embora já compreendam melhor). Eu acho que é um menino igual a todos os outros meninos mas mais imaturo. Tenho de dizer mais vezes sem conta não e não é assim. Tenho de ter muita paciência para que acabe os trabalhos de casa. Mais paciência ainda quando fica obcecado com determinada brincadeira (ultimamente a vítima é a gata).
    Em suma, é preciso ter tempo, paciência, disciplina e amor.

    1. Olá Edite,
      Antes de mais muito obrigada.
      Hoje em dia os pais optam pelo facilitismo, aplaudo a tua atitude e perseverança. Vais ver que com o amor, disciplina, carinho e paciência que referes o teu filhote vai tendo sempre mais e melhores resultados, um dia melhor, outro dia pior, mas o balanço deverá ser positivo.
      Estou a torcer por ti, e a fazer figas para que essa força nunca te abandone. Houvessem mais pais como tu..
      Um grande beijinho.

      1. Obrigada pelo apoio, Ana. Nem sempre é fácil, mas tenho esperança que as coisas melhorem.
        Engraçado, não cheguei a contar que o meu filho ainda não foi para a catequese (e já tem 8 anos), porque tive pena das catequistas e porque tive receio que ele fosse expulso de lá. Acho vou arriscar este ano. Era bom se fosses tu a catequista! Abraços e beijinhos são a sua especialidade!, e perguntas, e conversas inventadas, e curiosidades,…
        Beijinhos

        1. Não podemos deixar de ter essa esperança!
          Arrisca, vais ver que será muito bem recebido.. Nós nunca expulsámos ninguém da catequese, pelo contrário, acho que damos mais apoio a crianças que precisam dele…
          Acredita que teria muito gosto, mas com o bebé a caminho este ano não me quis comprometer e abandonar as coisas a meio..
          Beijinhos

  12. Não conhecia este espaço, mas gostei muito do teu contributo Chic

    No entanto o assunto que abordaste é realmente muito importante, mas acho que não se dá a devida Importância!!!

  13. Que testemunho tão lindo e que dá muito que pensar! Agora que sou mãe, dou ainda mais valor e fico ainda mais sensibilizada com todas estas questões. Sempre achei, e continuo a achar que o comportamento da maioria das crianças é sempre consequência das suas vivências! Mas claro, estou consciente que muitas vezes os problemas podem ser genéticos.

    Nos dias que correm, em que cada vez temos menos tempo para comunicar e para brincar com os nossos filhos, um abraço é um ótimo estímulo de amor, de presença e que pode transmitir muita segurança à criança.

    Parabéns a quem teve a iniciativa de convidar a Ana e parabéns à Ana pela partilha 😉
    Beijinhos

    1. Olá Fia, sim, eu acho que têm uma forte componente genética, mas não só, a própria vivência influencia imensas coisas…

      Ora lá está, eu acredito muito no poder dos afectos, embora não seja a pessoa mais exuberante nessa matéria, por vezes custa-me, mas acredito no seu poder.

      Obrigada, um grande beijinho!

  14. Parabéns, Ana.
    Concordo em grande parte com este texto e da vivência como catequista em lidar com estas crianças.
    Custa-me compreender por que hoje se rotula as crianças de hiperativas quando a maioria delas tem falta de afectos.
    Os comentários que aqui foram registados têm todos o seu fundamento e valem muito, mesmo que de acordo ou não com o conteúdo do post.
    Penso que a sociedade precisa de mudar os seus hábitos, urgem regras e valores essenciais ao crescimento das crianças e à harmonia da família.
    Os professores e educadores, no caso da Ana , catequista, têm um papel importante no crescimento e formação delas, mas quando os pais fazem o contrário, reflete-se no comportamento fora do lar e então lá vem a dita hiperatividade.
    Temo o futuro da maior parte delas.
    Enquanto for possível, na escola, no infantário, na catequese, todos os agentes educativos deverão dar e fazer o que melhor têm para evitar isto:

    “Quero ser pai, quero ter muitas mulheres, que vou matando à medida que tenho filhos.”

    Beijinho

    1. Olá Maria,

      É verdade, a maior parte das crianças tem falta de afecto, carinho, atenção.
      Nós temos um papel fundamental, disso não há dúvida, mas o papel dos pais é crucial, afinal, são eles o primeiro exemplo que as crianças seguem, são eles os seus primeiros heróis.
      Eu também fico muito preocupada com o futuro.. E há respostas que são assustadoras!
      beijinhos e obrigada!

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