Conversas em família (5)


Maria Dulce Fernandes,

21894221_j0ZM5.jpeg

 

Estou, mãe? Diz. A tua neta quer falar contigo. Tem uma aventura para te contar. Ah sim? Deve ser uma grande aventura, pois se saiu daqui faz pouco tempo, mas que venha de lá a aventura. Estou, avó? Então neta, conta lá as tuas façanhas. Não é azenhas, avó, é mesmo uma peripécia. Não consigo deixar de sorrir quando ela joga estes ases vocabulares. Estou à espera, podes começar. Então… conheces aquele parque ao pé da minha casa, aquele que tem muitos espaços com água? Conheço. Então,  hoje fomos até lá para distrair o mano e sentámo-nos na beira da água. A água estava morninha e eu disse à minha mãe que me apetecia mesmo dar um mergulho. Então comecei a borrifar o meu pai e cheguei mais para dentro para alcançar mais água. Silêncio. E então? Então, não sei como, splash! Caí dentro de água! Com a minha roupa e os meus sapatos e tudo. Não acredito! É verdade, avó. Tive que voltar para casa embrulhada naquele cobertor branco com um ursinho que costuma estar por baixo, no carro do mano. Que maluquice, neta! Isso é que foi uma aventura, mas só prova que foste pouco cuidadosa e que tens que ter mais atenção durante as brincadeiras. Estás enganada, avó. Prova é que os nossos desejos se podem realizar!
Pois é… será que ver o copo meio vazio é sinal de maturidade ou apenas pessimismo?

 

Foto de Paulo Oliveira retirada do Google

7 comentários em “Conversas em família (5)”

  1. Embate lateral, cabeçal ou barrigal interessa é que o espírito de aventura se afirme e sempre em forte progressão.
    Que vivam as crianças, já que nós, adultos, chamar-se viver ao que este vale de lágrimas nos proporciona é falácia maior do que o Varandas prometer o campeonato ao Sporting…nesta década.
    Deus a proteja e guarde. A ela, neta, que pelos grandes se não formos nós a guardarmos-nos bem f… isso! fritos estamos.

    1. Nos meus piores momentos, nos mais revoltados e desesperados, consola-me a ideia que só temos aquilo que merecemos. O fruto das nossas escolhas nem sempre ou muito raramente mesmo, é o mais apetitoso e frequentemente se revela podre e até envenenado. Sendo as crianças o nosso futuro, temos que rever as nossas propensões em boa vitalidade e punjança , para que as próprias possam vir a ter um futuro a que possam chamar seu, Cunhado.
      Obrigada e beijinho.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *