Não gosto da Merkel e também sou, em geral, contra o primo alemão.
É por isso que fico estupefacta ao ver quanto a memória é um bem escasso entre os portugueses.
Parece, portanto, que os Hércules de sofá continuam a abundar (só não muda o assento). E que o sentido crítico continua, década após década, a ser um bem tão mal distribuído: ora nenhum, ora excessivo.
Já na cama em que eles próprios se deitaram, estão semprea jeito para rapidinhas: orgasmos apressados ou ejaculações precoces. Não conseguem aguentar uma coisa mais difícil, estruturada e desafiante.
Coitados de nós: somos um povo pouco dado a melhorar de vida… Não passamos do básico adolescente, verdes e afogueados como se não houvesse amanhã.
Cada um tem aquilo que merece.
Eu cá é que não me revejo nisto.


onde é que posso assinar?
Aqui não é um mau sítio. Somos contra o engodo.
…
agora que Pedro Passos Coelho é Primeiro-Ministro de Portugal é responsavel pela 88 parcerias publico privadas… o Primeiro-Ministro de Portugal diz que os acordos estão bindados!!?? quando é que Passos Coelho se demite !! está a lesar os portugueses em muitos milhares de milhões de euros…ainda por cima, quando se sabe que os acordos foram estabelecidos com base em projecções saidas do filme harry potter…
Diz?
Espantoso.
Nos últimos meses tem-se assistido a um jogo de ping pong. De um lado, os partidos do governo, através dos bloggers contratados para o efeito, acusando o anterior pelo descalabro do país. Do outro, a oposição, apontando o falhanço colossal do ministro das finanças e da actual política. Uns e outros teem razão. A culpa tem de ser distribuída por todos e não se resume aos dois últimos governos. O problema vem de trás e todos são culpados. Uns um pouco mais do que os outros, mas todos foram e são responsáveis pelo estado do país. Trocarem culpas mais parece dois putos, “és parvo”, “não, tu é que és”, “não, tu é que és parvo” e por aí fora…
Sucede, porém, que este tem uma particular diferença em relação aos anteriores. Se por um lado, tem a desvantagem de sofrer uma enorme frustação acumulado ao longo de anos (já lá irei), por outro consubstancia uma viragem radical, que nunca um governo tinha ousado sequer tentar. É que se os outros falharam e cometeram erros, este erra mais e de forma mais penosa. Se os outros roubaram e favoreceram amigos, este tem roubado ainda mais (poderia ficar o resto do fim-de-semana a dar exemplos concretos e estão lá apenas há 14 meses…) Se os outros mentiram, estes teem mentido ainda mais e ainda por cima sem ter a experiência de encobrir os sucessivos logros.
Quanto à frustação acumulado… quando vamos a eleições ambicionamos uma mudança para melhor. Seja nos mesmos que já lá estão, sejam noutros, queremos mais e melhor. Ora, sucede que os últimos governos teem atingido um feito extraordinário: conseguem ser ainda piores que o anterior. Santana ainda conseguiu ser pior que Barroso e este já tinha conseguido ser pior que Guteres. Sócrates, apesar de um começo positivo, com bons resultados, conseguiu, em muitos aspectos, ser pior que Santana. E, quando ninguém pensava que alguém pudesse ser pior que o ora emigrante em Paris, eis que aparece o coelhinho, acompanhado do pequeno Goebbels e do gasparzinho. É por isto que os portugueses estão a tomar uma inciativa inédita e é por isso que, pela primeira vez para muita gente, o povo se uniu, da direita à esquerda. Ninguém se recorda de haver esta unanimidade desde o 25 de Abril em torno de uma questão política. Porque quando toda a gente esperava, na altura em que chegámos ao fim da linha e isto mudasse, de uma vez por todas, para melhor, eis que ainda conseguem piorar o estado do país e a vida das pessoas, enquanto beneficiam amigos e os grandes interesses (mais uma vez, poderia ficar aqui mutias horas a dar exemplos concretos). Não têm culpa que os portugueses tenham tanta frustação acumulado, mas são unicamente responsáveis pela revolta que praticamente toda a gente revela e sente no seu íntímo.
Cumprimentos.
Eh pá, que azedume…
Eu cá, relativamente ao “sentido crítico”, tanto “casco” no PS como no PSD. E não “casco” nos outros, porque não vão para “lá”. Há que aproveitar a liberdade de criticar de que, por enquanto, usufruímos…
Quanto ao nosso povo, não me parece que sejamos assim tão diferentes dos outros. Andámos entretidos a consumir, porque nos incentivaram a isso. Quem é que não gosta de gastar? Os políticos disseram-nos que tínhamos passado a ser uma “democracia de sucesso”, um “oásis” cheio de electrodomésticos. Os bancos, por sua vez, quase nos “obrigaram” a contrair empréstimos. E nós acreditámos. Fomos parvos? Claro que sim. Mas as pessoas têm tendência para acreditar naquilo que lhes convém. O exercício de acreditar não é assim tão racional como pode parecer à primeira vista. Por exemplo, muitas pessoas acreditam em Deus, porque a alternativa as angustia.
Quanto às PPP, são como, por exemplo, uma barragem, na qual se abre uma ligeira fenda. Está o “caldo entornado”, a partir daí é certo e sabido que essa fenda se vai alargando até à ruptura total da barragem.
O modelo das PPP é, contrariamente ao que alguns dizem, errado. Deu maus resultados em todo o lado, nomeadamente na Inglaterra, onde o inventaram.
O nosso problema foi o crédito exagerado concedido pelos bancos ao consumo, a política de grandes obras públicas de TODOS os governos desde Cavaco e a destruição (e não reconstituição) do nosso tecido produtivo. Sem esquecer, obviamente, o aproveitamento, a corrupção e o compadrio da classe política.
Um país em que um magistrado se permite dar um parecer a considerar que o facto de um político possuir habitação própria em Lisboa não é impeditivo de receber o subsídio de alojamento, não é um país de gente séria.
E esse problema é transversal aos partidos, quer gostemos mais de uns ou de outros…
“O nosso problema foi o crédito exagerado concedido pelos bancos ao consumo, a política de grandes obras públicas de TODOS os governos desde Cavaco e a destruição (e não reconstituição) do nosso tecido produtivo. Sem esquecer, obviamente, o aproveitamento, a corrupção e o compadrio da classe política.”
É impressionante o esforço que faz para não dizer que o Estado está na falência por causa dos gastos sociais.
O grosso da despesa publica é ordenados pensões e outros gastos sociais que atingem mais de 80% do Orçamento.
Não foram obras publicas apesar de boa parte destas terem sido desperdício. E se não tivessem acontecido provavelmente teria criticado a falta de estímulo… não é por acaso que o TGV foi votado favorávelmente pelos partidos da esquerda já no fim do governo Sócrates.
No fim do período Sócrates o Défice foi mais de 20% do Orçamento…ou seja nem fechando os ministérios e mandando os funcionários para casa mas recebendo o ordenado teria défice zero.
Para esse exercício de auto engano eleva o crédito privado para primeiro lugar que é irrelevante, e as PPP que serão sim um problema daqui mas daqui anos mas que o peso nas contas não foi importante. Fala da destruição do tecido produtivo – só se foi no 25 de Abril e as nacionalizações… hoje Portugal produz mais que há 20 ou 30 anos. Seja na agricultura ou na industria.
Não aumentou a produção é para um nível que lhe permita viver como vive hoje.
Se alguém é promovido não pode começar a gastar como se fosse o CEO…