Consultório Jonet


cronicasnofeminino,

Querida Isabelinha, estou a pensar fazer bifes para o almoço mas não sei se não estarei a viver acima das possibilidades. Deverei fazer antes umas bifanas fora do prazo ou será preferível contentar-me com os couratos do suíno? Grata pela atenção. 

74 comentários em “Consultório Jonet”

  1. Já comentei outra publicação a repudiar a crucificação em curso de Isabel Jonet. Mas este comentário está feito com classe e muita graça. Parabéns, fartei-me de rir!

    1. Obrigada 🙂
      Há que não perder o humor. Sou contra nivelar por baixo e acho que é ofensivo no actual contexto que se continue a exigir que se desça ainda mais. Mas ainda há quem viva acima das suas possibilidades? E aquela distinção entre miséria e pobreza é absolutamente lamentável.

  2. Oh Leonor, mas é claro, qualquer um pode compreender pelas suas palavras que está a viver acima do limiar da pobreza e isso não é aceitável de forma alguma.
    Portanto vamos lá arranjar uns couratozinhos secos ou aquelas perninhas de polvo que se vendem nas feiras populares.
    Assim não vamos lá…e nada de lavar dentinhos….a pasta dos dentes pode servir como molho por cima dos couratos. (embora já seja um luxo).
    E para terminar vamos ensaiar uma canção de Natal:
    …somos pobres, somos pobres e mais pobres vamos ser….lá lá lá…é bem feita, é bem feita… é castigo…lá lá lá… noite de paz, noite de paz….

    1. E eu estou chocada com tanto esbanjamento! Bifes? Que luxo!…
      Cuidado com a dona Jonet que ainda faz queixa ao ministro Gaspar de sinais exteriores de riqueza.
      Não se desgrace, menina Leonor, um arrozinho com os cotos do frango é bem bom! Ou um empadão com aroma de bacaclhau.

      Ó cr, essa da pasta dos dentes a servir de molho aos coiratos parece-me muito bem. Eu até sugeria que à falta de pasta sempre podíamos fazer um refresco de menta com o elixir, ou até mesmo um chá para as visitas.

      Não tem do quê, ora essa!, disponha!

  3. Está a viver acima das suas possibilidades.
    Em casa dos meus pais, quando eu era criança, só se comia bifes para aí uma vez por mês. Era dia de festa, ter carne tão boa à mesa.
    Coma antes uma feijoada, mão de vaca, dobrada, língua de vaca, tripas, ou iscas. Tudo pratos tradicionais portugueses que foram eliminados das ementas devido à obsessão da carne.

  4. Poemúsculo que dedico a todas as madamas caritativas e quejandas e que podem fazer sermões sem ser aos domingos para conversão e penitência das outras que ainda não aprenderam qual é o seu lugar:

    a teia, minhas senhoras,
    graças ao deus!

  5. CADAFALSO JONET
    A Senhora do pecado, de todos os pecados por palavras ditas. É tudo uma questão de roupagem. Tal como alguém mal lavado mas bem vestido passa por limpo e importante, quem não se perde na escolha de discurso rebuscado e moldável, é desde logo alvo preferencial a abater, independente da obra realizada e da nobreza de carácter patenteada. Os autocolantes de esquerda que se alimentam mais de discursos inflamados que de actos que mereçam o rótulo, tudo aproveitam para desferir ataque feroz a vítimas inocentes e desprevenidas que lhe vão caindo nas garras. É disso que fazem vida, mas a impunidade de que sempre gozam é culpa inteira de uma sociedade que os os tolera, os imita e até os aplaude enfurecida. E enquanto proliferarem por aí jornalistas que escrevem como cavadores de enxada e fazem desta caneta, e repórteres de pulverizador às costas que não passam de carregadores de microfones dando-lhes complexada cobertura nada irá mudar. Está a apetecer-me um cigarro.

    1. O que seria a vida de alguns comentadores anónimos sem as caixas de comentários? Anda por aí uma grande polémica, é verdade, mas não vale a pena vir para aqui destilar todo esse ácido. A Isabel Jonet tem mérito pelo que fez mas se bem percebi ela acha que as pessoas que ajuda com o que NÓS doamos são uma camada (cambada?) que andou a viver acima das suas possibilidades e que não soube gerir o seu dinheiro. Fantástico. E ainda: somos pobres mas não miseráveis como os gregos e enquanto formos pobres menos mal. Reduzir tudo isto a esquerda e direita é passar ao lado da questão social e da dignidade das pessoas. Estou-me nas tintas para a esquerda e a direita neste caso.

      1. Não creio que Isabel Jonet pense tal coisa. Pensará, como eu, outra, totalmente diferente: que o consumismo desenfreado levou a que se perdessem hábitos de racionalização de recursos e que essa perda se reflecte, depois, mais duramente, nos mais pobres.

        1. Se não pensa, olhe que ilude muito bem.
          A situação actual ultrapassa um pouco o que diz, embora possa haver reflexo. As pessoas, algumas talvez, organizaram as suas vidas de acordo com os seus rendimentos, quando eles falham por situações que as ultrapassam, como o desemprego, é porque andaram a gastar de mais?

          1. A mim parece-se pristino o que disse Isabel Jonet.
            O uso racional dos recursos tem um factor de prudência: contar com o imprevisto, e com oscilações nos próprios recursos.
            Os portugueses tinham a menor taxa de poupança da Europa…

          2. Tenha algumas dúvidas que o discurso de Isabel Jonet cole. Se ela mesma admite que seus filhos lavam os dentes com água corrente, então, é porque alguma coisa falha na educação, ou no método. Por isto mesmo, não me surpreende que as reacções tenham vindo da forma como vieram.

      2. Ao pé do ácido que já foi derramado o meu comentário é perfume. Na qualidade de anónimo prezo-me de nunca ter faltado ao respeito a ninguém, mas quem não aprecia melhor será que feche a porta. Descanse que não voltarei a incomodá-la D. Leonor Barros.

        1. Não fique tão ofendido/a, Marão. Detesto que cataloguem as minhas opiniões pelo que por aí se diz e que elas sejam usadas para esgrimir argumentos que nada têm a ver e, não, não gosto de não saber quem está desse lado e que as pessoas se escondam atrás do anonimato.

      3. Acho que o problema é esse mesmo, Leonor: não percebeste o que ela quis dizer. No teu caso, e porque te conheço (como a conheço a ela, aliás) sei que a distorção do discurso não é maldosa. Noutros casos, demasiados, vejo muita mesquinhez e vingançazinha encapotadas. E isso é lamentável.

        O que a Isabel Jonet disse presta-se a distorções e mal-entendidos, admito. Nem a mim, que sei o que está por detrás das palavras, soou bem. Mas, como já o disse mais do que uma vez, interessa-me muito mais o que ela faz do que o que ela diz. E o que faz, faz bem.

        1. Não, não é o meu caso e acho detestável que este caso sirva para acusações de esquerda e de direita. Agora, convinha que alguém como ela se exprimisse como deve ser. Sou muito esquisita com as palavras e numa altura destas em que se fazem tantos sacrifícios não é tolerável que ela argumente que tem de se descer ainda mais. Nada de muito diferente do que já disse António Borges com os salários. Era bom que houvesse mais respeito por quem já desceu abaixo de todos os níveis. É muito triste ouvir de uma mãe que não manda o filho à escola porque não tem dinheiro, por exemplo, ou um pai pedir-te desculpa mas não consegue fazer mais pelos filhos. Descer mais? Viver com menos? Como? O que me incomoda mesmo é o que é que ela pensará das pessoas que recorrem ao BA.

          1. Não sou advogada de defesa da Isabel Jonet, mas o que ela disse não foi que temos de descer mais. Disse, simplesmente, que temos de aprender a viver com o que temos e não a crédito, porque o endividamento excessivo e impensado deu no que está à vista de todos. E que temos de reaprender hábitos de poupança e acabar com o desperdício irresponsável, e nisso tem muitíssima razão.
            O resto são sound bytes que uns e outros aproveitam para esgrimir ideologia política (ambas as barricadas o fazem, note-se), enquanto ela se concentra no que mais interessa: o combate à fome, que é cada vez mais premente. E os exemplos que dás são exactamente essas pessoas que aparecem no BA. Se ela não as respeitasse, porque achas que se daria ao incómodo de trabalhar para elas há 20 anos, DE BORLA? Criticar é facílimo, pôr as mãos na massa é que nem todos estão para isso.

          2. Empobrecer mais não é descer mais, Ana? Para mim é. Quem é pobre não é livre, não tem opções, sujeita-se ao que lhe dão.
            Quanto ao resto, não faço ideia porque se daria ao incómodo. Não te parece que lá porque aparentemente não levantamos o rabo da cadeira podemos criticar um discurso desastroso?

          3. Não, Leonor, não me parece. Para criticar é preciso ter autoridade e a autoridade conquista-se, não vem no adn. Ou melhor, podemos sempre criticar, claro, vivemos felizmente num país onde há liberdade de expressão. Mas não nos fica bem a atitude, se é que me compreendes.

            Quanto a descer e empobrecer mais, ela limitou-se a constatar um facto (tens dúvidas de que vamos empobrecer ainda mais?) e não a desejar que assim fosse. Fê-lo desastradamente, ok. E daí? É razão para este apedrejamento?

          4. Pois, Ana, então a maioria de nós, atrever-me-ia a dizer todos os que aqui escrevem não teriam legitimidade para o fazer. Mas eu apedrejeia-a? Não gosto do que ela disse. Não gosto do tom, não gosto do modo e não gosto de parte da mensagem. Se isso é apedrejar alguém então aqui estou mas não me parece que assim seja.

          5. Não estou a falar de ti em particular nem acho que a tenhas apedrejado. Falo de tudo o que já li e ouvi a respeito deste assunto, o que inclui considerações muitíssimo mais graves e preocupantes do que as que a Isabel Jonet fez.

          6. Minha senhora! estamos em Poortugal, aquele país que está logo à seguir à Grécia.

    2. epá, já vi este cavador de comentários com nomes diferentes por outros blogues, mas sempre com o mesmo comentário. Será falha na imaginação ???? e porque usa nomes diferentes???

      1. Vocacionado para a censura? Entre Biladala , Marão, Esguelhudo , Pau de Ferro, A. Marques, entre alguns dos que me lembro, faça o favor de escolher o que mais lhe agrada e dê a competente autorização. E já agora mande confiscar a minha enxada.

  6. Para que precisamos de uma RTP Memória, se temos diariamente a recreação de tempos antigos, ministros herdeiros da União Nacional no governo e agora esta nova encarnação da Dona Cecília Supico Pinto e o seu Movimento Nacional Feminino….apetece cantar “vamos brincar à caridadezinha, festa, canasta e boa comidinha..”

  7. Isabel Jonet fez incomparavelmente, infinitamente mais pelos desprotegidos que os imbecis que agora a atacam.

      1. Tomem, no mínimo dos mínimos, consciência de quem estão a punir quando se apela ao boicote do Banco Alimenter. Para perceberem bem, são os que o BA apoia.

          1. Não terá tomado, mas o momento parece-me ser de completo distanciamento e mesmo repúdio de quem a isso apela (e também à demissão da pessoa a quem mais se deve a existência do Banco Alimentar Contra a Fome), que tem valido a tantos compatriotas nossos.

            Falo porque sei, embora nem sequer conheça pessoalmente IJ.

          2. Não terá apelado, mas o momento parece-me ser de completo distanciamento e mesmo repúdio de quem a isso apela (e também à demissão da pessoa a quem mais se deve a existência do Banco Alimentar Contra a Fome), que tem valido a tantos compatriotas nossos.

            Falo porque sei, embora nem sequer conheça pessoalmente IJ.

          3. Não, não apelei nem apelaria. Cada um em consciência deve doar os seus bens a quem achar melhor e acredito que apesar de não ter gostado da intervenção de Isabel Jonet aquilo que nós doamos e doámos para o BA colectivamente terá aliviado o sufoco de muitos que, não porque tenham gastado de mais ou tenham andado a comer os bifes que não deviam, viram as suas vidas transformadas e precisam de recorrer ao BA ou a outras instituições. Acho inadmissível que ela tenha dito que temos de empobrecer ainda mais e que em Portugal não haja miséria. Repudio este tipo de distinção. Pobreza e miséria? Então uma pessoa ter de perder o amor próprio e pedir ajuda a uma Instituição como o BA não é suficientemente humilhante para o próprio a um nível individual? É preciso descer mais? E haver 100 mil crianças com carências alimentares que chegam às escolas diariamente sem pequeno-almoço porque não têm o que comer não é uma miséria e uma desgraça?

        1. Os pobres e os miseráveis dão tanto jeitinho às Donas Isabeis … sem eles, ficariam sem hipótese de brilhar nos corredores e salões dos poderes e, no desemprego, tadiiiiinhas !!!! Falam de barriga cheia.
          Se Jesus Cristo viesse à terra, eram as primeiras a ser expulsas do templo.
          Há que respeitar a “dignidade humana”… aqui, não há esquerda nem direita, há RESPEITO!!!

          1. É bom saber que temos uma enviada de Cristo na Terra, para dizer-nos exactamente o que Cristo pensa e faz. Qual é a sensação de ser assim tão poderosa, Nadia? Deve ser melhor ainda do que brilhar nos corredores e salões dos poderes, hein?

          2. Isabel Jonet tem procurado tudo menos protagonismo e o que ela faz no BA é VOLUNTARIADO, coisa que já se percebeu é completamente incompreensível para as mentes dos recalcitrantes que nunca na vida fizeram alguma coisa pelo concidadão.

    1. Tem razão, Get a Life. A possidonice sempre foi bulímica.
      Entretanto, há dezenas de milhares de pessoas em Portugal que não passam fome graças a Isabel Jonet e àqueles que com ela colaboram.

  8. Dava muito jeito ao bloco, ao pc e já agora aos estivadores e até ao otelo e ao vasco, que a Isabel se fosse embora, melhor ainda, que o Banco contra a fome acabasse, a Cáritas acabasse e até as Misericórdias acabassem. Então os pobres com fome seriam o verdadeiro motor da verdadeira revolução social-comunista. Ai que jeito que dava….

      1. A Leonor Barros anda distraída? Não falta o PREC, ou não sabe quem é otelo ? Não faltam Lenin, Estaline, Fidel e Marx. Ou pensa que a ideologia do pc e do bloco foi pensada pelo Jerónimo e pelo Louça?

  9. Leonor, desculpe, mas a senhora não ouviu com cuidado o que disse a jonet. Se assim tivesse feito, não escreveria muito do que aqui escreveu, parece-me.
    E outra coisa: o Banco Alimentar não apoia pessoas individualmente, o BA apoia instituições que, essas sim, é que estão no terreno, e são muitas, de todas as cores e feitios… Com isto quero dizer que muitos comentários contra o que a senhora disse não fazem sentido.
    Além disso, penso que a Jonet não merece o que lhe estão a fazer, por injusto. É a minha opinião.

    1. Pareceu-lhe mal. Já sei o que disse Isabel Jonet e já aqui expliquei várias vezes o que penso. Lamento que que este post se transformado numa defesa à Isabel Jonet. Ninguém atacou a obra dela, não gostei da sua intervenção, já expliquei porquê.

      1. Diz que já sabe o que disse a Isabel Jonet, mas o que eu continuo a pensar que não ouviu, repito, não ouviu a senhora, com cuidado.
        Por outro lado, acredito que também já tenha lido muita coisa sobre o assunto, parecendo-me estranho que não sinta necessidade de se demarcar convenientemente de quem, como a Raquel Varela, escreve coisas destas: “por isso nunca dei um grão de arroz ao Banco Alimentar contra a Fome. A fome é um flagelo, não pode ser uma arma para promover o retrocesso social que significa passarmos da solidariedade à caridade(zinha)”, e também das campanhas vergonhosas que por aí estão decorrer, promovidas por extremistas.

        1. Pense o que quiser. É bom que admitamos opiniões contrárias à nossa em vez de acharmos que os outros leram/ouviram mal.
          Sabe, eu aqui não tenho de me demarcar de coisa nenhuma e muito menos fazer aquilo que os comentadores querem que eu faça. A Raquel Varela interessa-me muito pouco. A minha posição já foi aqui bem explicada.

      1. Tem dúvidas? O texto do Henrique Monteiro no Expresso diz tudo. Entretanto pode-se juntar ao Louçã e ao resto da esquerda caviar e ir brincar às caridadezinhas.

        1. E precisa de ser desagradável? E como hipoteticamente não concordo consigo e abomino a politização deste caso tenho de ir juntar ao outros? Passe bem e pense antes de escrever.

  10. Ai Leonor, Leonor! Bem-haja! É que isto tudo acaba por ser apenas um enorme ridículo. Comer bifes todos os dias… como se isso ainda fosse possível para o cidadão comum.

    O que me intriga é como é que uma pessoa que está no terreno há tantos anos, faz o que ela faz, pode achar que ainda não há miséria, há só uma espécie de pobreza que ainda por cima é voluntária. Terá andado distraída?

    1. Pelo que apurei aqui, é, mas garanto-lhe que não são os funcionários públicos de certeza. Devemos estar um passo à frente com os cortes que já temos vindo a sofrer há muitos anos, sem falar da taxa de 2011 ainda do tempo Sócrates. Mas haverá alguém que ainda não tenha feito, chamemos-lhe ajustamentos, brutais no seu orçamento?

      Essa da miséria tira-me do sério.

      1. Brutais, mesmo. Já não sei mais onde cortar e no entanto, vou ter de arranjar maneira de o fazer, porque o ano que aí vem não vai ser nada simpático para nós…
        Um abraço.

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