Competência e sobriedade


Teresa Ribeiro,

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O Caso Spotlight

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“O Caso Spotlight“, nomeado para os oscares de melhor filme e melhor realizador é uma obra competente, com prestações excelentes, sobretudo de Mark Ruffalo e Michael Keaton, que nos leva de volta ao escândalo de pedofilia que abalou a igreja católica em 2002  e deu ao The Boston Globe um prémio Pulitzer. Perturbadora, a revelação de que a Santa Madre Igreja a fim de defender a sua reputação preferiu proteger os padres criminosos a defender as suas vítimas, deixou na imagem da ICAR uma mancha indelével.

É pelos olhos dos jornalistas que trouxeram este caso à luz do dia que seguimos, tomando consciência por oposição ao negrume da matéria em investigação que apesar dos pesares os media ainda têm um papel insubstituível na sociedade. Este fio claro/escuro da narrativa é, sem dúvida, um dos aspectos mais interessantes deste filme de Tom McCarthy. Mas também a sobriedade com que aborda o tema, resistindo às tentações, já que o assunto se presta a uma forte exploração dramática, merece elogio.

Apesar desta contenção “O Caso Spotlight” não ilude nenhuma das questões que se lhe associam, como o do papel cúmplice que a própria comunidade católica desempenhou durante décadas, facilitando o encobrimento dos seus líderes espirituais. Particularmente incómodo, este “detalhe” deixa-nos no espírito uma dúvida: “Será que a imagem vale tudo, até na fé religiosa?”

 

 Título original: Spotlight

Realizador: Tom McCarthy

Actores: Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams

EUA, 2015

0 comentários em “Competência e sobriedade”

  1. Gostei deste filme, que recupera uma tradição quase perdida de um certo cinema liberal norte-americano destinado a valorizar o papel do indivíduo frente à prepotência explícita ou implícita das grandes organizações – sejam o Estado, as igrejas ou as corporações empresariais. É um filme idealista, que acredita nos valores americanos, na sua matriz mais profunda – que inclui a capacidade de regeneração de uma sociedade através do combate à omissão e à mentira através dos meios de comunicação – algo que hoje nos parece quase utópico, pelo menos visto deste lado do Atlântico. É ainda um filme de actores, que valoriza as potencialidades artísticas e comunicacionais da interpretação e dos diálogos. E também nisto deixa transparecer um suave anacronismo nesta época em que quase tudo no cinema gira à volta da pirotecnia digital.

    1. Chama-me idealista, se quiseres, mas onde vês um “sinal quase utópico” eu prefiro ver “uma prova de vida”. Por mais contaminado e ameaçado que esteja, o papel do jornalismo na sociedade continuará a ser imprescindível,nomeadamente como meio de pressão dos vários poderes.Esta é uma das conclusões que se podem extrair deste filme.

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