
Dia de Finados. Escolhido hipocritamente pelos titulares do poder político como dia de luto nacional enquanto se proíbe a população de prestar tributo aos nossos mortos em grande parte do País. Vamos a caminho dos três mil falecidos só de Covid-19 – fora as outras doenças, entretanto remetidas à clandestinidade, sem cobertura mediática. Muitos dos funerais foram feitos à pressa, sem possibilidade de uma despedida digna, como se houvesse que varrer entulho. Tratando-se, em tantos casos, de pessoas que não tiveram sequer direito a um último aceno dos entes queridos.
Esta inaceitável exclusão prolonga-se hoje, com muitos cemitérios encerrados por decisão das autoridades municipais. Como se fosse impossível visitá-los por turnos, mantendo as distâncias sanitárias e tomando as precauções que conhecemos. Como se os mortos infectassem. Como se honrar a memória dos que partiram fosse um pecado. Como se existir não fosse aprender todos os dias a conviver com o abandono, sabendo que a morte não é só ausência: é também uma presença, por mais discreta que pareça.
Eis-nos, pois, num dia ainda mais triste entre tantos outros por que temos passado neste ano de pesadelo. Leio o que ontem escreveu António Barreto, na sua sábia coluna do Público, e só posso dar-lhe razão: temos «esta sensação temível de que as autoridades correm atrás dos acontecimentos e se limitam a prever o passado». Aturdidas, também elas. E aturdindo-nos a cada medida que vão tomando, de improviso em improviso, navegando à deriva rumo sabe-se lá a quê.

“navegando à deriva”
Para quem não sabe para onde vai, todos os ventos são desfavoráveis.
Já ensinava Séneca, amigo Pedro. Muitos teimam em não aprender com ele.
Séneca ou Soneca?
Boa tarde Pedro Correia
Que continue tudo bem consigo.
Assino por baixo.
No meu “Chapéus ” tenho igualmente dado largos à minha indignação.
Saúde
António Cabral
Saúde para si também, caro António Cabral.
Não visito mortos no cemitério. Não é preciso. Eles caminham comigo, como dizia o poeta José Gomes Ferreira.
Há um delirante filme de Jim Jarmuch em que se brinca com coisas sérias.
A canção que faz parte do filme tem o cantor country Sturgill Simpson, a interpretar a canção-tema do filme e diz-nos que os mortos são fantasmas dentro de um sonho, uma vida que já não possuímos.
«A pessoa preparar-se para a morte é a grande finalidade da vida.», li um dia numa crónica de Victor Cunha Rego.
Morre-se de tanta coisa, até de amor como o King Kong, no último andar do Empire State Building, segundo um poema do Eduardo Guerra Carneiro.
Bonito comentário, o seu. Parabéns.
Deve ser uma nova via política – Autoritarismo Desnorteado.
Por várias razões – uma delas, sem dúvida, o Dr. Rui Rio -, o povo parece gostar deste PS, apesar dos incêndios, dos impostos, dos roubos a paióis, do familygate, dos dichotes brejeiros do Dr. Ferro Rodrigues, e, ultimamente, da forma atarantada como se passa dum GP de F1 ao mólho para uma ordem de isolamento.
Quem é essa gente, que gosta tanto disto?
Bem, eu conheço alguns. Conheço quem tenha ido ao GP, conheço quem tenha ido a cruzeiros quando já eram um problema.
Ainda ontem assisti a uma conversa surreal. Conheço um moço que tem um carocha velho, normalmente enfiado num barracão, com que dá umas voltas uma vez por mês, para ir carregando a bateria, e para evitar o colapso total das coisas que não se usam (como o senso comum, por exemplo).
Portanto a idéia era fazer-se à estrada, ir até à cidade mais próxima, voltar, e tornar a enfiar o carocha no barracão até ao próximo mês.
O problema é que a cidade mais próxima fica noutro concelho, e o moço não tem paciência para ser parado pela polícia, talvez multado, nem feitio para explicar para onde vai e porquê – defeitos que adquiriu por ter nascido e crescido num país livre e democrático, onde nunca teve limitações deste tipo.
Mas, contrapôs outro amigo, é necessário, por causa do contágio.
Mas qual contágio, intervim eu. Quais são as possibilidades de contagiar ou ser contagiado dentro dum carro, sozinho?
Nunca se sabe, foi a resposta que recebi.
Agora, que pessoas que conheço há tanto tempo estejam tão desnorteadas que nem percebem a impossibilidade de haver um contágio nessa situação particular, ou, caso fosse possível haver, não percebem a total futilidade de usar máscara ou desinfectar as mãos a toda a hora, ou tudo o resto, deixa-me a mim desnorteado.
Não sei se são do PS, ou votam no PS, mas que estão apanhados pelo PS, lá isso estão. O carocha ficou no barracão, em nome da sanidade. Eu até compreendo, mais ou menos, a aversão a ser chateado pela autoridade, só por ir daqui até ali e voltar para trás. Pela sanidade, não compreendo, a não ser que tenha perdido a minha, ou eles a deles.
A sanidade é um bem público que tem vindo a ser totalmente descurado neste combate ao novo coronavírus.
As consequências, infelizmente, estão bem à vista.
Até parece que se lá estivesse o Rui Rio o desnorte era diferente. Ainda era pior, ao tempo que eles andam a reclamar o uso obrigatório de máscaras na rua, ao tempo que eles andam a reclamar o estado de emergência, ao tempo que eles andam a reclamar o recolher obrigatório. Qual é que foi o partido que implementou a “lei da rolha” no tempo do Santana Lopes?
Que a pandemia não sirva de desculpa para branquear a história.
O pior é que pode haver é olhar para estas questões com os óculos da partidarite aguda.
Não faz qualquer sentido.
Não faz qualquer sentido a partidarite aguda nem no caso da pandemia nem na mistura dos diversos casos.
As pessoas agem por reacção. E quando as acções são mais fortes as reacções são mais violentas. É dos livros.
Se a partidarite funcionasse o partido do governo descia, e a oposição subia as intenções de voto. Mas o centrão desce a oposição desce, e só quem sobe são os partidos marginais. O que demonstra que as pessoas não olham aos partidos para mostrar descontentamento, servem-se é dos partidos para mostrar descontentamento, o que é diferente.
Sou totalmente contra a partidarite. E também frontalmente contra este absurdo de politizar e partidarizar qualquer comentário. Parece que estou rodeado de gente enfiada em trincheiras.
A vida e a morte são questões muito mais relevantes do que todas as cartilhas partidárias juntas.
Então faça o favor de não branquear você a história. Não é Rui Rio quem está no governo, tanto quanto sei.
No segundo parágrafo acho que fica clara a minha opinião sobre esse tema.
Reitero o que escrevi acima.
Estou a ser o mais apartidário que consigo. As autoridades, o governo, são os que são e não outros. Não serão culpados da pandemia, são-no do desnorte.
Pessoalmente escapa-me a lógica de muitas decisões, e isso preocupa-me.
Tenha calma, não espante a caça.
O GP F1, agora com esta nova treta da pandemia e o não ter ido aos açores, lá vai ele às urtigas.
Se for necessário abrir a gaveta, temos os fogos, paióis, impostos, familygate, dichotes do ferro, a alameda e a atalaia (entram?) a queda da pedreira, a queda da árvore na madeira (entra?) e não se safa.
É bater mais no ceguinho (ou no invisual) dizer que o Governo não sabe o que fazer, e que fez uma péssima gestão, embora não o admita, da confiança.
No Verão era tudo uma maravilha, o milagre português, saiam à rua e venham à praia, comam e bebam, até vamos abrir os corredores aéreos.
Hoje patrulha-se a fronteira Oeiras-Cascais, não vá o bicho alojado num qualquer pedestre que faça o calçadão.
Vão arremessando umas medidas, ora concretas ora abstractas (como a da app, que se não foi pareceu atirar barro à parede a ver se pegava), sendo que muitas delas são insignificantes para os números totais.
Para uma coisa a covid serviu, para dar a ideia de que se há adiamentos e esperas de consultas e cirurgias, apenas ao vírus se deve.
Entretanto, foram eleitos mais uns caciques a meias entre PS e PSD, e começa o julgamento de um caso que num país a sério tinha mandado abaixo o Governo.
O problema do Governo, como já aqui escrevi, foi ter acreditado na sua própria propaganda. Andaram a martelar na tecla do “milagre português” e desataram a “desconfinar” como se não houvesse amanhã. Confundindo desejos com realidades.
O resultado está à vista. Agora andam a correr atrás do prejuízo.
Burocracia mortífera
Do 1º Ministro para o Presidente da Republica, do Presidente para o parlamento, da Assembleia da Republica retorno ao PR, que seguramente dará despacho favorável a mais uma encomenda fora de horário.
Entretanto na falta de um Estadista a sério que se afirme capacitado e com determinação para acelerar o fim de uma indisfarçável tragédia, esta roda viva de negligência e morte a roçar a cobardia, apenas serve para diluir e baralhar responsabilidades, que a falta de caráter e rigor amontoados determinam.
Convém lembrar aos altos (i)responsáveis que este covid-19 não se faz convidado, e continua a andar por aí à solta a fazer estragos em crescendo, sem obedecer à cartilha e burocracias dos inúteis e apagados perseguidores.
Estadista será sempre quem o povo escolher. Não cairá do céu aos trambolhões nem virá numa manhã de nevoeiro.
Sobem do inferno aos empurrões.
‘…um Estadista a sério ….capacitado e com determinação para acelerar o fim….tragédia’ ???? só se for um cientista a descobrir a vacina.
‘….continua a andar aí à solta a fazer estragos em crescendo….’ ???? quem, os comerciantes chineses, ou os comerciantes do calçado que foram à feira de Milão?
Parece que os mortos portadores de SARS-COV-2 infetam mesmo, ou pelo menos são manuseados como tal. Ouvi ontem de umas irmãs que souberam que o seu irmão tinha sido internado com COVID-19 e nunca mais puderam vê-lo, nem no hospital nem depois de (segundo lhes foi dito, elas nunca o viram) morto: foi-lhes entregue o corpo num caixão fechado e nem se puderam certificar de que era o genuíno cadáver do seu irmão.
Que eu saiba, um cadáver com SARS-COV-2 não o pode disseminar, mas a Desgraça Freitas pretende convencer-nos do contrário. Até os mortos infetam.